{"id":5601,"date":"2011-10-17T00:00:00","date_gmt":"2011-10-16T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5601"},"modified":"2011-10-17T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-16T23:00:00","slug":"r-de-rom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/r-de-rom\/","title":{"rendered":"R de Rom&atilde;"},"content":{"rendered":"<p>Na escola aprendi que a letra R era a primeira de Rom\u00e3. Com as letras ensinadas nas semanas anteriores conseguia escrever o nome de uma fruta que nunca tinha visto ou provado, mas diziam-me ser importante, como as z\u00ednias da letra Z, das quais tamb\u00e9m nunca me apercebi. <\/p>\n<p>As rom\u00e3s s\u00e3o dos frutos de Inverno mais famosos na arte e mitologia. A sua curiosa organiza\u00e7\u00e3o interna, com centenas de bagos delicados que se t\u00eam de retirar com cuidado de uma casca grossa e dif\u00edcil de cortar.<\/p>\n<p>A m\u00edriade de bagos levou a que se associasse este fruto a mitos de fertilidade e a lugares de destaque em textos sagrados das tradi\u00e7\u00f5es judaico-crist\u00e3 e \u00e1rabe. Para al\u00e9m do mais, \u00e9 um fruto bonito.<\/p>\n<p>Os pintores flamengos como Eyck e D\u00fcrer tinham uma especial predilec\u00e7\u00e3o por rom\u00e3s, n\u00e3o s\u00f3 pelo seu aspecto agrad\u00e1vel e conota\u00e7\u00f5es com a ressurrei\u00e7\u00e3o e riqueza, mas acima de tudo porque era fruta de terras mais quentes e pintar uma significava que se tinha posses para a adquirir.<\/p>\n<p>Pintar uma rom\u00e3s era sinal de ostenta\u00e7\u00e3o, como hoje seria ter o pintor de um retrato chegar de Ferrari vermelho. Se pinta rom\u00e3s n\u00e3o se discute o pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Na escola, colegas mais afortunados lambiam-se s\u00f3 de falar nelas, mas n\u00e3o me cheirava a que fosse coisa boa, a avaliar pela ilustra\u00e7\u00e3o do livro, parecia-me ser uma cebola normal\u00edssima e pouco apetitosa. Os pintores de rom\u00e3s de outras \u00e9pocas tinham o cuidado de as pintar sempre com um bocadinho de casca a menos, para as distinguir das vulgares cebolas que me assombraram a instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, todos os desenhos de rom\u00e3s que vi, a cores ou n\u00e3o, sempre me fizeram lembrar cebolas. Disparate, dir\u00e3o alguns, uma cebola \u00e9 uma cebola e uma rom\u00e3 \u00e9 deliciosa \u2013 n\u00e3o h\u00e1 forma de as confundir. Resolvi tirar as teimas e fotografei as duas lado a lado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Cebola e rom\u00e3\" border=\"0\" alt=\"Cebola e rom\u00e3\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/romas.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Cebolas ou rom\u00e3s<\/p>\n<p>S\u00e3o parecidas. \u00c9 preciso cuidado para n\u00e3o descascar a que faz chorar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na escola aprendi que a letra R era a primeira de Rom\u00e3. Com as letras ensinadas nas semanas anteriores conseguia escrever o nome de uma fruta que nunca tinha visto ou provado, mas diziam-me ser importante, como as z\u00ednias da letra Z, das quais tamb\u00e9m nunca me apercebi. As rom\u00e3s s\u00e3o dos frutos de Inverno [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[9,345,1042,1317,1316],"class_list":["post-5601","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-portugal","tag-historia","tag-memorias","tag-mitologia","tag-pintura","tag-romas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5601"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5601\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}