{"id":5606,"date":"2011-10-19T00:00:00","date_gmt":"2011-10-18T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5606"},"modified":"2011-10-19T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-18T23:00:00","slug":"marcas-do-tempo-que-passa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/marcas-do-tempo-que-passa\/","title":{"rendered":"Marcas do tempo que passa"},"content":{"rendered":"<p>Quando visitei N&#8217;Dalatando encontrei muitas marcas do que tinha sido a Angola colonial. Eram os mesmos edif\u00edcios mas com mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de abandono e falta de manuten\u00e7\u00e3o, como ali\u00e1s acontece no resto do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nos primeiros meses de Angola sentia uma certa ang\u00fastia injustificada quando via estas marcas do passado surgirem nas esquinas. Custava-me perceber como tinham chegado a este ponto de degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No fundo, esquecia-me de que h\u00e1 coisas que se tornam de tal forma familiares, t\u00e3o parte da paisagem, que deixamos de reparar nelas. Cada um se vai habituando aos edif\u00edcios no estado em que estavam na v\u00e9spera e esquece-se de como estavam no m\u00eas anterior. A degrada\u00e7\u00e3o avan\u00e7a lenta e inexoravelmente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Piscina de Salazar\" border=\"0\" alt=\"Piscina de Salazar\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Salazar_1970.jpg\" width=\"600\" height=\"415\" \/>    <br \/>Piscina de Salazar, com \u00e1gua e crian\u00e7as<\/p>\n<p>Percebo agora que o que mais me chocava n\u00e3o era a excessiva degrada\u00e7\u00e3o, mas o facto de ainda estarem de p\u00e9, com muita da sua identidade presente, mesmo que com sinais da idade. Os edif\u00edcios que escaparam \u00e0s batalhas travadas rua-a-rua mant\u00e9m-se de p\u00e9 como se tivessem passado trinta anos fechados numa arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um bom exemplo disso \u00e9 a piscina de N&#8217;Dalatando, cujas principais diferen\u00e7as para a piscina de Salazar, que ocupa o mesmo espa\u00e7o mas uma outra \u00e9poca, se resumem \u00e0 falta de \u00e1gua na piscina, ao relvado seco e a algum lixo acumulado nos cantos. E claro, \u00e0 palmeira que era quase um rebento h\u00e1 quarenta anos e agora \u00e9 uma grande \u00e1rvore.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Piscina de N&#39;Dalatando\" border=\"0\" alt=\"Piscina de N&#39;Dalatando\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/NDalatando_2010.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Piscina de N&#8217;Dalatando, sem \u00e1gua mas com crian\u00e7as<\/p>\n<p>A alma da piscina continua l\u00e1, mesmo que as bombas j\u00e1 n\u00e3o funcionem ou que haja rachas nos pilares que suportam a elegante pala de bet\u00e3o. As crian\u00e7as continuam por l\u00e1 a brincar. A falta de \u00e1gua apenas transformou o rebordo da piscina em pista de carrinhos de esferas, e a arma\u00e7\u00e3o dos baloi\u00e7os transformou-se numa baliza de primeira categoria.<\/p>\n<p>Bem vistas as coisas, envelheceu graciosamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando visitei N&#8217;Dalatando encontrei muitas marcas do que tinha sido a Angola colonial. Eram os mesmos edif\u00edcios mas com mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de abandono e falta de manuten\u00e7\u00e3o, como ali\u00e1s acontece no resto do pa\u00eds. Nos primeiros meses de Angola sentia uma certa ang\u00fastia injustificada quando via estas marcas do passado surgirem nas esquinas. 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