{"id":5610,"date":"2011-10-21T00:00:00","date_gmt":"2011-10-20T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5610"},"modified":"2011-10-21T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-20T23:00:00","slug":"pedaos-isolados-de-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/pedaos-isolados-de-passado\/","title":{"rendered":"Peda&ccedil;os isolados de passado"},"content":{"rendered":"<p>O abandono da agricultura e das t\u00e9cnicas pr\u00e9-industriais transformou completamente a paisagem e a cultura. Alguns resqu\u00edcios sobram aqui e ali, por vezes alimentados por carolice dos que n\u00e3o desejam ver a mem\u00f3ria do que foi o seu presente num passado pr\u00f3ximo desaparecer sem sequer um suspiro. Os ranchos folcl\u00f3ricos s\u00e3o uma das faces mais vis\u00edveis desse apego \u00e0 cultura popular que foi substitu\u00edda pela televis\u00e3o.<\/p>\n<p>As can\u00e7\u00f5es com que enquadram dan\u00e7as tradicionais s\u00e3o inspiradas nas que eram cantadas no trabalho dos ranchos (antes de se tornarem folcl\u00f3ricos) com o intuito de marcar o ritmo de trabalho e evitar o esmorecimento. Hoje parecem desligadas do mundo, sem o contexto necess\u00e1rio \u00e0 sua completa compreens\u00e3o, tal como um peda\u00e7o de cer\u00e2mica duma escava\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica \u00e9 incapaz de explicar toda a cultura que o gerou. Peda\u00e7os isolados ser\u00e3o sempre isso.<\/p>\n<p>Na paisagem rural j\u00e1 faltam os animais. Alguns foram substitu\u00eddos por tractores, mas muitos foram tiveram o mesmo destino das terras \u2013 o abandono.<\/p>\n<p>Mesmo assim, aqui e ali, e geralmente nas aldeias onde os mais novos t\u00eam idade para esperarem ser bisav\u00f3s em breve, v\u00e3o-se encontrando os \u00faltimos burros. Quando estes ou os seus donos morreram n\u00e3o ser\u00e3o susbtitu\u00eddos (nem uns nem outros).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Burro\" border=\"0\" alt=\"Burro\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/burro.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Um dos \u00faltimos<\/p>\n<p>Para serem usados como animais de trabalho j\u00e1 come\u00e7am a ser demasiado velhos. Os burros tamb\u00e9m devem ter as queixas da idade e sonhar com o tempo em que saltavam de pedra em pedra sem depois ficarem doridos. Mas, acima de tudo, faltam agora os albardeiros que saibam fazer albardas e arreios \u00e0 medida de cada animal. Foi um dos peda\u00e7os de passado que n\u00e3o sobreviveu, logo a come\u00e7ar porque ningu\u00e9m ganha a vida fazendo uma albarda a cada d\u00e9cada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abandono da agricultura e das t\u00e9cnicas pr\u00e9-industriais transformou completamente a paisagem e a cultura. Alguns resqu\u00edcios sobram aqui e ali, por vezes alimentados por carolice dos que n\u00e3o desejam ver a mem\u00f3ria do que foi o seu presente num passado pr\u00f3ximo desaparecer sem sequer um suspiro. Os ranchos folcl\u00f3ricos s\u00e3o uma das faces mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[24,1284,1321,25],"tags":[1323,1322,48,160,1076],"class_list":["post-5610","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-alentejo","category-distrito-de-portalegre","category-nisa","category-portugal","tag-albardas","tag-burros","tag-cultura","tag-marcas-do-passado","tag-profissoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5610\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}