{"id":5650,"date":"2011-11-09T01:00:00","date_gmt":"2011-11-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5650"},"modified":"2011-11-09T01:00:00","modified_gmt":"2011-11-09T00:00:00","slug":"racismo-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/racismo-verde\/","title":{"rendered":"Racismo verde"},"content":{"rendered":"<p>Aquando do processo das independ\u00eancias dos pa\u00edses africanos que teve in\u00edcio ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, come\u00e7aram a circular anedotas que envolviam Neto, Savimbi, Mondlane, Machel, Mobutu, Tschomb\u00e9, Lumumba ou qualquer outra figura africana j\u00e1 morta e sem possibilidade de as refutar. Ouvi v\u00e1rias vers\u00f5es, especialmente com Samora Machel, por volta da altura em que morreu na queda do avi\u00e3o, altura em que anedotas inspiradas neste senhor estavam na moda. Antes e depois foram recicladas com outros nomes, claro est\u00e1.<\/p>\n<p>Uma das hist\u00f3rias envolvia sempre um com\u00edcio e a promessa do fim do racismo. O dirigente gritava para a multid\u00e3o entusiasmada que o racismo era coisa do passado e que no futuro do novo pa\u00eds n\u00e3o haveria nem brancos nem pretos. Para que n\u00e3o houvesse confus\u00f5es, seriam todos verdes. Ap\u00f3s os aplausos e prolongadas ova\u00e7\u00f5es acrescentava que verdes sim, verdes escuros e verdes claros!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Apartheid\" border=\"0\" alt=\"Apartheid\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/ApartheidSignEnglishAfrikaans.jpg\" width=\"437\" height=\"400\" \/>    <br \/>Era Apartheid na \u00c1frica do Sul <\/p>\n<p>No fundo, a anedota aludia apenas \u00e0 troca da cor do regime e n\u00e3o ao racismo subjacente. Mas a verdade \u00e9 que em Portugal existe mesmo o racismo verde. Est\u00e1 quase sempre \u00e0 porta de tabernas da prov\u00edncia e em caf\u00e9s das cidades, est\u00e1 em restaurantes, em mercearias, mas tamb\u00e9m aparece noutros ramos. \u00c9 personificado por um rid\u00edculo sapo de barro pintado de verde e tem como objectivo afastar os ciganos, tidos como clientes indesej\u00e1veis.<\/p>\n<p>Parece que os ciganos t\u00eam muito respeito aos sapos, animais que consideram ser portadores de infort\u00fanios v\u00e1rios. Especialmente os ciganos mais velhos evitam-nos a todo o custo, quer os verdadeiros ou os figurados ou at\u00e9 o pr\u00f3prio nome. Os mais novos j\u00e1 cresceram com a televis\u00e3o e num meio menos fechado e n\u00e3o ligam tanto \u00e0 supersti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De qualquer das formas, n\u00e3o me parece nada bonito de um povo que se orgulha dos seus brandos costumes andar a afixar mensagens dignas de um <em>apartheid<\/em> sul-africano. Se em vez do sapo estivesse l\u00e1 um cartaz a proibir a entrada a ciganos, negros ou verde-escuros, de certeza que j\u00e1 se tinha chamado a pol\u00edcia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Sapos racistas\" border=\"0\" alt=\"Sapos racistas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/saposracistas.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Racismo verde<\/p>\n<p>Mas depois de se conhecer o significado, descobrimos que n\u00e3o h\u00e1 realmente diferen\u00e7a nenhuma entre o aviso do princ\u00edpio do artigo e o sapo na montra. N\u00e3o afasta s\u00f3 os ciganos. Afasta-me tamb\u00e9m a mim. H\u00e1 concerteza lojas com gente menos intolerante nas redondezas que me sirvam da mesma forma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aquando do processo das independ\u00eancias dos pa\u00edses africanos que teve in\u00edcio ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, come\u00e7aram a circular anedotas que envolviam Neto, Savimbi, Mondlane, Machel, Mobutu, Tschomb\u00e9, Lumumba ou qualquer outra figura africana j\u00e1 morta e sem possibilidade de as refutar. 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