{"id":5687,"date":"2011-11-26T01:00:00","date_gmt":"2011-11-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5687"},"modified":"2011-12-01T20:15:42","modified_gmt":"2011-12-01T19:15:42","slug":"xicoronhos-macpios-e-cabeas-de-pungo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/xicoronhos-macpios-e-cabeas-de-pungo\/","title":{"rendered":"Xicoronhos, Mac&oacute;pios e Cabe&ccedil;as de Pungo"},"content":{"rendered":"<p>Para muitos, Lubango e Namibe s\u00e3o nomes novos. Os que conheceram S\u00e1 da Bandeira e Mo\u00e7amedes sabem que os novos nomes apenas ocupam o lugar das cidades que recordam. \u00c0s vezes temos a sorte do nosso lado e partilham uma hist\u00f3ria cheia daqueles pormenores que ajudam a perceber melhor o esp\u00edrito de quem viveu em \u00c1frica. Em muitos aspectos, estas recorda\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas s\u00e3o melhores do que as trazidas pelas fotografias da \u00e9poca, que evocam os lugares e pouco mais.<\/p>\n<p>Em 1971, a Miss Portugal era oriunda de Mo\u00e7amedes, refor\u00e7ando a ideia da na\u00e7\u00e3o multicontinental apregoada pelo regime. Maria Celmira, por todos conhecida como Riquita, fazia parte dos muitos colonos da que se dizia ser a terra com as mulheres mais bonitas de Angola. Riquita foi apenas a confirma\u00e7\u00e3o do que diziam os que faziam de prop\u00f3sito os 180 km que separavam S\u00e1 da Bandeira de Mo\u00e7amedes s\u00f3 para lavar as vistas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; border: 0px;\" title=\"S\u00e1 da Bandeira 433 km\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/huambo-16.jpg\" alt=\"S\u00e1 da Bandeira 433 km\" width=\"600\" height=\"400\" border=\"0\" \/><br \/>\nTerra de Mac\u00f3pios<\/p>\n<p>Os habitantes europeus destas duas povoa\u00e7\u00f5es, pr\u00f3ximas em dist\u00e2ncia, mas infinitamente long\u00ednquas em termos de clima e paisagem, depressa inventaram alcunhas mais ou menos pejorativas para os vizinhos. Os de Mo\u00e7amedes, talvez com inveja do clima mais ameno dos planaltos da Hu\u00edla chamavam Mac\u00f3pios aos de S\u00e1 da Bandeira, nome dos coelhos que abundavam naquelas serras altas. Por vezes chamavam-lhes mesmo xicoronhos, o nome que os zombos tinham dado aos colonos de S\u00e1 da Bandeira, Humpata e demais terras da Hu\u00edla onde havia fazendeiros. Xicoronho \u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua local da palavra colonos, com o prefixo xi, que significa <a title=\"Dr. Jos\u00e9 Carlos de Oliveira: Os Zombos na tradi\u00e7\u00e3o, na col\u00f3nia e na independ\u00eancia (7)\" href=\"http:\/\/www.muanadamba.net\/article-os-zombos-na-tradi-o-na-colonia-e-na-independencia-7-78562657.html\" target=\"_blank\">terra<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o querendo ficar atr\u00e1s, os de S\u00e1 da Bandeira tratavam os de Mo\u00e7amedes por Cabe\u00e7as de Pungo ou Cabe\u00e7as de Peixe, fazendo men\u00e7\u00e3o ao que achavam ser a \u00fanica actividade econ\u00f3mica daquela terra rodeada de deserto \u2013 o porto de pesca.<\/p>\n<p>Ao que parece, ningu\u00e9m encarava estas alcunhas com maldade. Xicoronho ou tripeiro, cabe\u00e7a de pungo ou alfacinha, mac\u00f3pio ou sadino, cada um tem \u00e9 orgulho na sua terra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para muitos, Lubango e Namibe s\u00e3o nomes novos. 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