{"id":5699,"date":"2011-12-01T01:00:00","date_gmt":"2011-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5699"},"modified":"2011-12-10T17:06:35","modified_gmt":"2011-12-10T16:06:35","slug":"marcenaria-canina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/marcenaria-canina\/","title":{"rendered":"Marcenaria canina"},"content":{"rendered":"<p>Os c\u00e3es s\u00e3o uns excelentes companheiros para aqueles projectos mais demorados e aborrecidos. Uma tarde inteira a afinar as samblagens de uma pe\u00e7a \u00e9 um desafio de paci\u00eancia e poucos se voluntariam para fazer companhia a algu\u00e9m que verifica os encaixes a cada duas voltas de form\u00e3o. O progresso \u00e9 lento e tem um efeito anestesiante. Excepto para o c\u00e3o, que n\u00e3o sai da oficina enquanto a pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 terminada.<\/p>\n<p>Primeiro \u00e9 preciso correr com ele duas ou tr\u00eas vezes de debaixo dos p\u00e9s. A pique canina tem um fasc\u00ednio especial por se deitar literalmente aos p\u00e9s das pessoas. Depois de convencido, com uns empurr\u00f5es e resmungos, acaba por se enroscar ao lado da bancada ou mais perto da porta. N\u00e3o deixa muito espa\u00e7o, mas fica fora da zona de pisadelas.<\/p>\n<p>E depois finge que adormece. De olhos fechados e uma orelha espetada, espera que lhe perguntemos a opini\u00e3o, porque trabalhar sozinho desmoraliza. \u00abC\u00e3o, achas que est\u00e1 direito? Pois, bem me parecia.\u00bb Para al\u00e9m da orelha se virar na nossa direc\u00e7\u00e3o, nada mais indica vigil\u00e2ncia, mas a companhia \u00e9 bem vinda. E uma festa na cabe\u00e7a de vez em quando tamb\u00e9m, acrescenta o c\u00e3o.<\/p>\n<p>As horas passam-se com uma certa indol\u00eancia. Serrotes e form\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o muito excitantes e o companheiro canino limita-se apenas a anuir em sil\u00eancio. Por outro lado, tudo o que faz serradura ou tem movimentos mais vigorosos \u00e9 sinal de que aquela posi\u00e7\u00e3o \u00e9 pouco vantajosa. Uma serra de arco indica claramente que o lombo tem de ficar perfeitamente alinhado com o vai-e-vem da l\u00e2mina. Por muito que mexamos a bancada ou a pe\u00e7a para que a serra aponte para outro s\u00edtio, o c\u00e3o de ideias fixas limita-se a levantar-se e a deitar-se novamente debaixo da serra.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Marcenaria\" border=\"0\" alt=\"Marcenaria\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/marcenaria.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Antes do acabamento<\/p>\n<p>O mesmo acontece com a serra circular. As aparas s\u00e3o cuspidas num jacto forte para a direita. Quem n\u00e3o souber onde para o c\u00e3o, segue o arco que a serradura descreve e l\u00e1 o encontra, sentado e a encher-se de lixo com um ar estupidamente feliz.<\/p>\n<p>No fim do dia, um monte de serradura clara sacode-se e l\u00e1 do meio surge um c\u00e3o. Quem diria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os c\u00e3es s\u00e3o uns excelentes companheiros para aqueles projectos mais demorados e aborrecidos. Uma tarde inteira a afinar as samblagens de uma pe\u00e7a \u00e9 um desafio de paci\u00eancia e poucos se voluntariam para fazer companhia a algu\u00e9m que verifica os encaixes a cada duas voltas de form\u00e3o. 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