{"id":5702,"date":"2011-12-15T00:00:02","date_gmt":"2011-12-14T23:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5702"},"modified":"2011-12-16T22:43:25","modified_gmt":"2011-12-16T21:43:25","slug":"juventude-suburbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/juventude-suburbana\/","title":{"rendered":"Juventude suburbana"},"content":{"rendered":"<p>Andando todos os dias de comboio, dos sub\u00farbios para Lisboa e vice-versa, tenho a oportunidade de observar uma boa fatia da popula\u00e7\u00e3o urbana. A que mais me fascina \u00e9 a que diz respeito aos adolescentes de ar revoltado que acham que a rebeldia se mede em metros de <a title=\"Artigo: MFA, Povo. Povo, MFA.\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5568\">paredes borradas<\/a> com latas de tinta em spray. Ultimamente descobriram tamb\u00e9m que uma determinada dose de brincos e alfinetes parcimoniosamente espalhados pela cara \u00e9 demonstrativa de individualidade extrema. \u00c9 pena que todos optem por fazer o mesmo.<\/p>\n<p>Uma faceta caracter\u00edstica de parte da juventude suburbana \u00e9 facilmente identificada nos pequenos rebanhos de adolescente imberbes que se contorcem para dar dois passos \u00e0 conta de andarem com o <a title=\"Artigo: O luxo das cal\u00e7as a cair\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2283\">gancho das cal\u00e7as<\/a> abaixo dos joelhos. Sei que as modas valem mais do que o conforto, mas trope\u00e7ar nas cal\u00e7as porque se tem de mostrar as cuecas entra na categoria de parvo a ro\u00e7ar a imbecilidade. Bem sei que nos meus tempos de adolescente, havia muito boa rapariga a abotoar as cal\u00e7as de ganga sobre o casaco de penas s\u00f3 para que se visse a etiqueta. E que antes disso houve os chuma\u00e7os nos ombros e as cal\u00e7as \u00e0 boca-de-sino. Que me lembre, com qualquer destas indument\u00e1rias era poss\u00edvel subir e descer escadas e at\u00e9 mesmo dar dois passos sem imitar um pato.<\/p>\n<p>Outra interessante faceta \u00e9 a necessidade de alguns elementos se fazerem acompanhar por uma banda sonora roufenha permanente baloi\u00e7ada na ponta dos bra\u00e7os e disfar\u00e7ada de telefone. Tal como as cuecas \u00e0 mostra e as cal\u00e7as pelos joelhos, dar m\u00e1 m\u00fasica ao mundo roufenha e em altos berros est\u00e1 mais na moda do que a ouvir em boas condi\u00e7\u00f5es com um simples par de auscultadores. Mais curioso ainda \u00e9 que baloi\u00e7am o telefone de um lado para o outro para que todos oi\u00e7am (ou incomode todos), mas depois n\u00e3o se ouvem uns aos outros quando conversam, raz\u00e3o pela qual t\u00eam de falar mais alto.<\/p>\n<p>Querendo descrever um destes exemplares, se disser que um surdo foi atropelado e perdeu parte do uso das pernas n\u00e3o andarei muito longe da verdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andando todos os dias de comboio, dos sub\u00farbios para Lisboa e vice-versa, tenho a oportunidade de observar uma boa fatia da popula\u00e7\u00e3o urbana. 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