{"id":573,"date":"2008-08-11T00:00:16","date_gmt":"2008-08-10T23:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=573"},"modified":"2008-08-09T21:39:05","modified_gmt":"2008-08-09T20:39:05","slug":"fenomenos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/fenomenos\/","title":{"rendered":"Fen\u00f3menos"},"content":{"rendered":"<p>Tenho tido a sorte de ser acompanhado por um guia fant\u00e1stico. \u00c9 portugu\u00eas, mas est\u00e1 em Angola desde 1961. Combateu na Guerra do Ultramar e por c\u00e1 ficou. J\u00e1 bebeu das \u00e1guas do Bengo. N\u00e3o regressa.\n<\/p>\n<p>\u00c9 mais angolano que portugu\u00eas. \u00c9 preto por dentro, mas de pele branca. Fala muitos dos dialectos principais e sabe praguejar nos outros todos, embora mantenha o seu sotaque beir\u00e3o. Regateia tudo, absolutamente tudo, at\u00e9 ao \u00faltimo tost\u00e3o. J\u00e1 o vi regatear os \u00faltimos 5 Kz. N\u00e3o resiste a uma mulher bonita. Seja ela de que cor for. Segundo diz, primeiro as mulheres s\u00e3o pretas, depois ficam mulatas, depois passam a morenas e, a dada altura parecem loiras. Promete casamento a todas, mas s\u00f3 por uma noite&#8230;\n<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/080908-2034-fenmenos1.jpg\" alt=\"\"\/><br \/>Um pedido de casamento \u00e0 vendedora de ananases\n<\/p>\n<p>Conduz como um africano e n\u00e3o se atrapalha em sair do carro para ir insultar mais de perto quem bloqueou o cruzamento. Os angolanos ficam desarmados ao ver um branco a praguejar em kimbundu fluente e a tecer considera\u00e7\u00f5es acerca da profiss\u00e3o da progenitora do condutor.\n<\/p>\n<p>Conhece os recantos todos do pa\u00eds, bem como as varia\u00e7\u00f5es gastron\u00f3micas das v\u00e1rias regi\u00f5es. No dia da cabidela em Ganda, avisou-me logo que a galinha ia ser dura. E era!\n<\/p>\n<p>\u00c0s vezes lembra-se de contar as suas aventuras. Todas t\u00eam uma aura de fant\u00e1stico, a ro\u00e7ar o improv\u00e1vel ou cinematogr\u00e1fico, misturado com o inventado na altura. No entanto, as hist\u00f3rias s\u00e3o contadas com um colorido tal que n\u00e3o se consegue destrin\u00e7ar onde come\u00e7a a <em>liberdade art\u00edstica<\/em> e onde termina o real. \u00c9 um excelente contador de hist\u00f3rias, portanto. Os temas recorrentes s\u00e3o a guerra, as mulheres, os diamantes, as mulheres, os percal\u00e7os na estrada, as mulheres, a ca\u00e7a e as mulheres. Ficamos na d\u00favida se o Casanova n\u00e3o seria um portugu\u00eas a viver em Angola&#8230; Fala da Angola colonial e nas coisas boas que havia, mas n\u00e3o \u00e9 um saudosista. Angola \u00e9 o seu pa\u00eds, esteja como estiver.\n<\/p>\n<p>Quando se junta a outros portugueses que estiveram em Angola nos temos do Imp\u00e9rio, h\u00e1 sempre a tend\u00eancia de contar uma hist\u00f3ria que supere a do parceiro. E \u00e9 nas hist\u00f3rias de ca\u00e7a que a imagina\u00e7\u00e3o perde as estribeiras e l\u00e1 se confirma o tal prov\u00e9rbio dos ca\u00e7adores, pescadores e outros mentirosos.\n<\/p>\n<p>Pelas conversas a que tenho assistido, estou plenamente convencido que em Angola \u00e9 poss\u00edvel carregar rinocerontes \u00e0s costas, matar jacar\u00e9s s\u00f3 com o mau h\u00e1lito, estrangular jib\u00f3ias com as meias e matar le\u00f5es \u00e0 bofetada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho tido a sorte de ser acompanhado por um guia fant\u00e1stico. \u00c9 portugu\u00eas, mas est\u00e1 em Angola desde 1961. Combateu na Guerra do Ultramar e por c\u00e1 ficou. J\u00e1 bebeu das \u00e1guas do Bengo. N\u00e3o regressa. \u00c9 mais angolano que portugu\u00eas. \u00c9 preto por dentro, mas de pele branca. Fala muitos dos dialectos principais e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-573","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=573"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/573\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":577,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/573\/revisions\/577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}