{"id":5782,"date":"2012-02-22T01:00:00","date_gmt":"2012-02-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5782"},"modified":"2012-02-21T21:00:18","modified_gmt":"2012-02-21T20:00:18","slug":"cursiva-e-gotica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/cursiva-e-gotica\/","title":{"rendered":"Cursiva e g\u00f3tica"},"content":{"rendered":"<p>Tal como hoje se aprende Ingl\u00eas desde a escola prim\u00e1ria por se achar importante, no passado aprendiam-se outras coisas que se achavam fazer parte de uma boa instru\u00e7\u00e3o para a vida. Algumas cairam no esquecimento por j\u00e1 n\u00e3o fazerem sentido nos dias de hoje e outras apenas porque n\u00e3o h\u00e1 tempo para ensinar tudo.<\/p>\n<p>Quando aprendi a escrever, a \u00fanica caligrafia ensinada era a cursiva. Gera\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 minha aprenderam esta e, mais tarde, tamb\u00e9m a caligrafia g\u00f3tica nas escolas t\u00e9cnica comerciais, por exemplo. Esta era mais complicada, mas adequada a documentos oficiais e essencial para quem almejava trabalhar numa reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou conservat\u00f3ria, entre outras. Por ter sido posta de parte h\u00e1 d\u00e9cadas, as poucas pessoas que conhe\u00e7o ainda capazes de escrever com relativa desenvoltura s\u00e3o quase todas octogen\u00e1rias.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da cursiva, a caligrafia g\u00f3tica implica que cada letra seja desenhada tra\u00e7o a tra\u00e7o, com linhas angulosas que n\u00e3o terminam onde come\u00e7a a seguinte. Quase sempre se decora a ordem de cada tra\u00e7o para que cada letra saia perfeita. \u00c9 um trabalho de paci\u00eancia que requer mais aten\u00e7\u00e3o do que os rabiscos do cursivo onde uma aproxima\u00e7\u00e3o da letra \u00e9 o suficiente.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o conhecimento se foi perdendo, a caligrafia g\u00f3tica no dia-a-dia entrou em extin\u00e7\u00e3o. E, como s\u00f3 se sente falta do que se conhece, ningu\u00e9m se apercebeu de que desapareceu. Actualmente quase s\u00f3 no ecr\u00e3 do computador se v\u00ea e s\u00e3o muito poucos os que a conseguem desenhar com naturalidade.<\/p>\n<p>No entanto, o facto de n\u00e3o se saber como se desenha n\u00e3o quer dizer que tenha deixado de existir.\u00a0Na Maternidade Alfredo da Costa descobri um resqu\u00edcio da \u00e9poca em que a caligrafia g\u00f3tica fazia parte da vida. Para identificar as fechaduras de v\u00e1rios arm\u00e1rios foram coladas etiquetas com estas letras mais trabalhosas. Passados muitos anos e muitas obras de adapta\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio, os arm\u00e1rios continuam a uso e as etiquetas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Caligrafia g\u00f3tica\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/gotica1.jpg\" alt=\"Caligrafia g\u00f3tica\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nCaligrafia g\u00f3tica<\/p>\n<p>Um pormenor ainda mais curioso foi descobrir que os arm\u00e1rios foram pintados recentemente, mas quem o fez teve o cuidado de cobrir as etiquetas com fita para que n\u00e3o se perdesse a letrinha t\u00e3o bem desenhada. Ao pintor, ter-lhe-ia sido muito mais f\u00e1cil pintar tudo a eito e colar novas etiquetas, mas optou por preservar um bocadinho da mem\u00f3ria do edif\u00edcio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tal como hoje se aprende Ingl\u00eas desde a escola prim\u00e1ria por se achar importante, no passado aprendiam-se outras coisas que se achavam fazer parte de uma boa instru\u00e7\u00e3o para a vida. Algumas cairam no esquecimento por j\u00e1 n\u00e3o fazerem sentido nos dias de hoje e outras apenas porque n\u00e3o h\u00e1 tempo para ensinar tudo. 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