{"id":5794,"date":"2012-03-28T00:00:00","date_gmt":"2012-03-27T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5794"},"modified":"2012-04-08T23:11:52","modified_gmt":"2012-04-08T22:11:52","slug":"cames-ataca-outra-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/cames-ataca-outra-vez\/","title":{"rendered":"Cam&otilde;es ataca outra vez"},"content":{"rendered":"<p>Num artigo anterior persegui Cam\u00f5es \u00e0 dist\u00e2ncia de cinco s\u00e9culos em busca de uma eventual inspira\u00e7\u00e3o tel\u00farica para o <a title=\"Artigo: O vulc\u00e3o Adamastor (segunda parte)\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5292\" target=\"_blank\">monstro Adamastor<\/a>. Pouco usei para al\u00e9m de algumas estrofes do pr\u00f3prio poema, de uma par\u00e1frase da <a title=\"Artigo: Os vulc\u00f5es de Homero\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5313\" target=\"_blank\">Odisseia de Homero<\/a> e de um cat\u00e1logo bastante incompleto de erup\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Encontrei mais do que julgava. Homero descreveu o Estreito de Messina e o vulc\u00e3o de Stromboli (ou o pr\u00f3prio Etna) como dois monstros horrendos que ceifavam muitas vidas. Marcavam um ponto important\u00edssimo de toda a navega\u00e7\u00e3o ao longo da costa da actual It\u00e1lia. Cam\u00f5es cria o Adamastor, que personifica o Cabo das Tormentas. Tamb\u00e9m ele ceifa vidas. N\u00e3o tanto por ser um mostro irracional como Scila e Caribdis, mas por se sentir revoltado e injusti\u00e7ado. Deseja vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Comparar Adamastor com um vulc\u00e3o \u00e9 uma coisa, descobrir que vulc\u00e3o poder\u00e1 ter inspirado o poeta parecia-me muito mais dif\u00edcil. A descri\u00e7\u00e3o da f\u00faria com que o monstro atacava a \u00e1gua sugeria que o pr\u00f3prio Cam\u00f5es teria presenciado ou, pelo menos, ouvido relatos fidedignos de uma erup\u00e7\u00e3o violenta. Na altura, o meu candidato mais prov\u00e1vel era o <a title=\"Artigo: O vulc\u00e3o Adamastor (terceira parte)\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5293\" target=\"_blank\">vulc\u00e3o de Ternate<\/a>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Stromboli.jpg\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Sila.jpg\" alt=\"Stromboli\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nStromboli<\/p>\n<p>No que toca \u00e0 obra, toda esta investiga\u00e7\u00e3o se resumiu \u00e0 an\u00e1lise do Canto V. N\u00e3o procurei mais ind\u00edcios no resto da obra por achar n\u00e3o haver muitas oportunidades para mencionar vulc\u00f5es. Enganei-me redondamente, mas s\u00f3 o descobri quando procurava outra coisa.<\/p>\n<p>No Canto X, Cam\u00f5es descreve o mundo conhecido, no qual se inclui o c\u00e9u. Cam\u00f5es descreve o c\u00e9u como o sistema de esferas celestes ptolemaico, tal como se acreditava desde h\u00e1 muitos s\u00e9culos. \u00c9\u00a0prov\u00e1vel que \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb tenha sido conclu\u00eddo em meados da d\u00e9cada de 1550. Quis a ironia do destino que\u00a0Nicolau Cop\u00e9rnico publicasse a sua teoria helioc\u00eantrica em 1543, que s\u00f3 no s\u00e9c XVIII \u00e9 que foi levada a s\u00e9rio. Cam\u00f5es fez uma excelente descri\u00e7\u00e3o do sistema que se acreditava verdadeiro \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>Mas fez tamb\u00e9m uma excelente descri\u00e7\u00e3o das terras e mares conhecidos, com os costumes dos povos e produ\u00e7\u00f5es mais importantes. A estrofe 132, no entanto, despertou-me a aten\u00e7\u00e3o por outra coisa. Cam\u00f5es descrevia o vulc\u00e3o de Ternate. Sabia-o activo!<\/p>\n<blockquote><p>\u00abOlha c\u00e1 pelos mares do Oriente<br \/>\nAs infinitas ilhas espalhadas:<br \/>\nV\u00ea Tidore e Ternate, co&#8217;o fervente<br \/>\nCume, que lan\u00e7a as flamas ondeadas;<br \/>\nAs \u00e1rvores ver\u00e1s do cravo ardente,<br \/>\nCo&#8217;o sangue Portugu\u00eas inda compradas:<br \/>\nAqui h\u00e1 as \u00e1ureas aves, que n\u00e3o decem<br \/>\nNaca a terra, e s\u00f3 mortas aparecem.\u00bb<\/p>\n<p>Os Lus\u00edadas, Canto D\u00e9cimo, estrofe 132 (descri\u00e7\u00e3o do vulc\u00e3o de Ternate)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num artigo anterior persegui Cam\u00f5es \u00e0 dist\u00e2ncia de cinco s\u00e9culos em busca de uma eventual inspira\u00e7\u00e3o tel\u00farica para o monstro Adamastor. 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