{"id":5991,"date":"2013-01-06T00:00:33","date_gmt":"2013-01-05T23:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=5991"},"modified":"2013-01-06T00:00:55","modified_gmt":"2013-01-05T23:00:55","slug":"burros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/burros\/","title":{"rendered":"Burros"},"content":{"rendered":"<p>Para muitos, o Nordeste brasileiro \u00e9 sin\u00f3nimo de est\u00e2ncias tur\u00edsticas \u00e0 beira-mar, uma esp\u00e9cie de Algarve tropical, com hot\u00e9is de muitos andares junto \u00e0 praia e pre\u00e7os inflacionados por causa dos turistas.\u00a0Felizmente, o Nordeste n\u00e3o se resume a turistas e a quem deles depende para ganhar a vida. H\u00e1 muito mais do que isso.<\/p>\n<p>Longe das praias e dos mesmo dos circuitos tur\u00edsticos mais alternativos, h\u00e1 um outro mundo onde a terra ainda \u00e9 o centro da vida das fam\u00edlias e os turistas s\u00e3o uma hist\u00f3ria inventada por quem vai \u00e0 cidade grande ou pelas crian\u00e7as que v\u00e3o \u00e0 escola. \u00c9 nestas povoa\u00e7\u00f5es que as crian\u00e7as fogem dos raros carros que por l\u00e1 passam.<\/p>\n<p>Na maioria destes locais, os terrenos s\u00e3o arenosos e pobres. Crescem palmeiras e mandioca, que em forma de farinha \u00e9 a base da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5992\" title=\"Jumento\" alt=\"Jumento\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jegue.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jegue.jpg 600w, https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/jegue-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\nO fiel companheiro de trabalho, o jegue<\/p>\n<p>Os programas de electrifica\u00e7\u00e3o rural e a Bolsa Fam\u00edlia trouxeram energia e dinheiro a muitas fam\u00edlias deste interior esquecido, aliviando a pobreza. Um dos primeiros investimentos de quase todos foi comprar uma motorizada para substituir os jumentos nas desloca\u00e7\u00f5es di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Com o aumento do n\u00famero de motos, deu-se o correspondente aumento de animais abandonados, que se deslocam em manadas pelo mato e costumam ser atropelados nas estradas com cada vez maior frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>A figura t\u00edpica do nordestino era sempre acompanhada de um burro. Agora talvez seja por uma mota, mas isso n\u00e3o quer dizer que tenham sido todos esquecidos. Nos meios mais pequenos onde as terras de cultivo ficam perto de casa ou n\u00e3o h\u00e1 a necessidade de ir todos os dias \u00e0 cidade, o burro ainda se mostra \u00fatil, especialmente porque continua a ser capaz de levar cargas mais pesadas a lugares mais dif\u00edceis do que qualquer mota.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para muitos, o Nordeste brasileiro \u00e9 sin\u00f3nimo de est\u00e2ncias tur\u00edsticas \u00e0 beira-mar, uma esp\u00e9cie de Algarve tropical, com hot\u00e9is de muitos andares junto \u00e0 praia e pre\u00e7os inflacionados por causa dos turistas.\u00a0Felizmente, o Nordeste n\u00e3o se resume a turistas e a quem deles depende para ganhar a vida. H\u00e1 muito mais do que isso. 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