{"id":6013,"date":"2013-05-10T00:00:00","date_gmt":"2013-05-09T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=6013"},"modified":"2013-05-09T16:54:40","modified_gmt":"2013-05-09T15:54:40","slug":"a-consoante-muda-do-rossio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/a-consoante-muda-do-rossio\/","title":{"rendered":"A consoante muda do Rossio"},"content":{"rendered":"<p>No tempo em que o nome Di&aacute;rio de Not&iacute;cias ainda significava jornal, e fazia mais do que repetir not&iacute;cias da Ag&ecirc;ncia Lusa, tamb&eacute;m publicava livros. E por essa mesma altura tinha tamb&eacute;m livrarias, a mais famosa das quais era a ag&ecirc;ncia da <a title=\"Pra&ccedil;a D. Pedro IV\" href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2391\" target=\"_blank\">Pra&ccedil;a D. Pedro IV<\/a>, na esquina do Rossio com a Rua Augusta.<\/p>\n<p>O letreiro que a identificava era o pr&oacute;prio nome do jornal no tipo de letra que todos associam ao Di&aacute;rio de Not&iacute;cias. A sua integra&ccedil;&atilde;o na fachada, num fundo de azulejos amarelos fazia parte do projecto do arquitecto Cristino da Silva, remontando ao final da d&eacute;cada de 1930. Por estar em plena baixa pombalina e ser um marco cultural e est&eacute;tico, o letreiro, bem como a restante fachada, estava inscrito na carta do patrim&oacute;nio do PDM de Lisboa.<\/p>\n<p>Entretanto, com a mudan&ccedil;a de m&atilde;os do Di&aacute;rio de Not&iacute;cias e a sua incorpora&ccedil;&atilde;o em mais um grande grupo an&oacute;nimo cuja principal miss&atilde;o &eacute; dar lucro, n&atilde;o interessando muito bem o que se vende, parte da mem&oacute;ria do que foi o jornal perdeu-se. A livraria foi vendida em 2006 e est&aacute; actualmente integrada no grupo Leya. A livraria deixou de ser do Di&aacute;rio de Not&iacute;cias mas por todos era assim conhecida, tal como o Mosteiro dos Jer&oacute;nimos o &eacute; mesmo sem l&aacute; ter os frades como ocupantes.<\/p>\n<p>Parece que essa confus&atilde;o entre a marca que o grupo Leya queria implantar e a que j&aacute; l&aacute; existia era demasiada e a solu&ccedil;&atilde;o foi retirar o letreiro sem dizer &aacute;gua-vai. Um pouco ao jeito da nova moda de <a title=\"ILCAO\" href=\"..\/..\/ilcao.cedilha.net\" target=\"_blank\">decepar consoantes<\/a> &agrave;s palavras com a desculpa de que s&atilde;o mudas mas depois se reconhece que n&atilde;o o s&atilde;o assim tanto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/dn.jpg\" alt=\"Livraria do Di&aacute;rio de Not&iacute;cias\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nEra patrim&oacute;nio? Temos pena.<\/p>\n<p>A livraria do Di&aacute;rio de Not&iacute;cias deixou de o ser. O letreiro de ferro e n&eacute;on cedeu o lugar a uma m&iacute;sera faixa impressa no toldo que emoldura a montra. Sobrou apenas o revestimento de azulejos amarelos que fazem sobressair a atrocidade.<\/p>\n<p>O que levar&aacute; um neg&oacute;cio a trocar publicidade gratuita e fotografias de turistas de todo o mundo pela sanha de apagar a mem&oacute;ria?<\/p>\n<p>Segundo o Gabinete de Estudos Olisiponenses, &oacute;rg&atilde;o da C&acirc;mara Municipal de Lisboa, o letreiro foi deixado no lugar em 2006, altura em que a livraria passou a ser a Oficina do Livro, para preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria.<\/p>\n<p>H&aacute; mais de um ano que o letreiro foi retirado e consequ&ecirc;ncias, para al&eacute;m do habitual encolher de ombros? Cada vez mais me conven&ccedil;o que como povo idolatramos a pregui&ccedil;a do facto consumado. Come&ccedil;a nas coisas grandes, como as descoloniza&ccedil;&otilde;es exemplares, os acordos ortogr&aacute;ficos e o abate de navios e pomares, e vai acabar nos peda&ccedil;os de patrim&oacute;nio que se perdem n&atilde;o s&oacute; por inc&uacute;ria, mas por desrespeito &agrave; mem&oacute;ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No tempo em que o nome Di&aacute;rio de Not&iacute;cias ainda significava jornal, e fazia mais do que repetir not&iacute;cias da Ag&ecirc;ncia Lusa, tamb&eacute;m publicava livros. E por essa mesma altura tinha tamb&eacute;m livrarias, a mais famosa das quais era a ag&ecirc;ncia da Pra&ccedil;a D. Pedro IV, na esquina do Rossio com a Rua Augusta. 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