{"id":774,"date":"2008-08-26T00:00:07","date_gmt":"2008-08-25T23:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=774"},"modified":"2009-09-05T23:18:44","modified_gmt":"2009-09-05T22:18:44","slug":"positivismo-oficial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/positivismo-oficial\/","title":{"rendered":"Positivismo oficial"},"content":{"rendered":"<p>A primeira campanha eleitoral desde 1992 tem revelado facetas novas de Angola. Uma delas \u00e9 o positivismo oficial. Nas r\u00e1dios s\u00f3 passam not\u00edcias boas, agrad\u00e1veis e bonitas. Na televis\u00e3o anuncia-se a conclus\u00e3o de projectos, a inaugura\u00e7\u00e3o de equipamentos sociais, o in\u00edcio de obras estruturantes. No Jornal de Angola s\u00e3o p\u00e1ginas e p\u00e1ginas de exemplos de sucesso tanto do cidad\u00e3o comum, que foi ajudado a conseguir uma vida melhor, como da reabilita\u00e7\u00e3o de infra-estruturas, da conclus\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es de desminagem e n\u00fameros, muitos n\u00fameros a demonstrar que Angola est\u00e1 no caminho certo.<\/p>\n<p>Os v\u00e1rios minist\u00e9rios apressam-se a executar obras. Todos eles constroem casas e pontes, mesmo que a sua compet\u00eancia seja a de zelar pela produ\u00e7\u00e3o de cereais. Surgem os ministros na televis\u00e3o, a disputar tempos de antena nos notici\u00e1rios, demonstrando que o seu minist\u00e9rio \u00e9 o que mais obra faz. Sem pejo, reinauguram-se escolas prim\u00e1rias ou centros de sa\u00fade. Faz-me lembrar as auto-estradas lusitanas inauguradas duas e tr\u00eas vezes.<\/p>\n<p>Tal como em Portugal, o n\u00famero de obras come\u00e7adas nos meses que antecedem as elei\u00e7\u00f5es \u00e9 avassalador\u2026 e j\u00e1 estamos de sobreaviso. Aqui ainda \u00e9 novidade e a falta de grandes campanhas de obras p\u00fablicas nas \u00faltimas d\u00e9cadas apenas faz estas parecer mais do que realmente s\u00e3o.<\/p>\n<p>No fundo, n\u00e3o se pode censurar esta atitude. \u00c9 preciso julgar as coisas, n\u00e3o com os valores que trazemos, mas com os que c\u00e1 vigoram. Por outro lado, se as obras recentes trouxerem a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, perdoa-se a febre das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o tem menos canais para expressar as suas opini\u00f5es, claro. E j\u00e1 se sabe que se tem de demarcar do <em>MPLA<\/em>, nem que seja acusando-o de se aproveitar da situa\u00e7\u00e3o actual. Igual ao resto do mundo, n\u00e3o \u00e9? Mas todos eles procuram mostrar que o futuro de Angola \u00e9 risonho e que agora \u00e9 preciso reconstruir estradas e vidas!<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que este positivismo oficial \u00e9 contagioso e vai-se falando nas ruas das coisas novas que aparecem. O melhor mesmo, \u00e9 ver campanha eleitoral a decorrer sem sobressaltos, com as v\u00e1rias cores a conviver normalmente.<\/p>\n<p>Apetece-me abrir a janela, esticar o polegar e gritar \u00abAngola. Tudo fixe, y\u00e1?\u00bb<br \/>\nA resposta vai ser um sorriso a abra\u00e7ar um \u00abY\u00e1!\u00bb de esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira campanha eleitoral desde 1992 tem revelado facetas novas de Angola. Uma delas \u00e9 o positivismo oficial. Nas r\u00e1dios s\u00f3 passam not\u00edcias boas, agrad\u00e1veis e bonitas. 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