{"id":832,"date":"2008-09-18T00:00:39","date_gmt":"2008-09-17T23:00:39","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=832"},"modified":"2009-09-05T23:06:39","modified_gmt":"2009-09-05T22:06:39","slug":"luanda-24","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/luanda-24\/","title":{"rendered":"Luanda, 24\u00ba"},"content":{"rendered":"<p>Quem inventou Angola, tinha umas ideias muito engra\u00e7adas. Encheu esta terra de coisas novas e estranhas, que nos enchem os sentidos e a mente. Os est\u00edmulos s\u00e3o tantos, que resolveram reduzir o ru\u00eddo de fundo e eliminar umas quantas distra\u00e7\u00f5es. A meteorologia foi uma delas.<\/p>\n<p>Nas estradas temos muitas preocupa\u00e7\u00f5es. S\u00e3o os assassinos azuis-e-brancos, s\u00e3o os <em>kazucutas<\/em>, s\u00e3o os pe\u00f5es alheados do mundo, as zungueiras a correr com a carga \u00e0 cabe\u00e7a, as latas vazias a voar sobre os carros, os buracos fundos, as obras, o p\u00f3. Se houvesse a possibilidade de chuva, a nossa cabe\u00e7a explodia s\u00f3 a tentar calcular um trajecto seguro para qualquer lado. Uma vari\u00e1vel a mais e era a desgra\u00e7a completa. Aboliu-se a chuva durante meio ano. Introduziu-se o cacimbo, que disfar\u00e7a as sombras e esconde o Sol.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/040908-0000-luanda241.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nNo meio do p\u00f3 e do cacimbo surge sempre algo novo<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se preocupa com o estado do tempo. Durante seis meses h\u00e1 cacimbo, nos outros seis chove meia-hora todos os dias. Para qu\u00ea complicar? S\u00f3 em Portugal \u00e9 que se chora porque choveu em Agosto ou porque a seca de Dezembro acabou com as culturas de Inverno.<\/p>\n<p>Desde a minha chegada a Luanda que me tenho desinteressado cada vez mais da meteorologia. \u00c9 repetitiva. Todos os dias olho para o c\u00e9u e o vejo cinzento. Todos os dias a mesma temperatura constante. Se hoje foi assim, amanh\u00e3 ser\u00e1 igual. N\u00e3o admira que as pessoas sejam t\u00e3o descontra\u00eddas, que gostem de ir fazendo as coisas em vez de as fazer logo. At\u00e9 o clima \u00e9 assim!<\/p>\n<p>Os profissionais mais descontra\u00eddos do mundo devem trabalhar no Instituto Meteorol\u00f3gico de Angola. Estou desconfiado que se limitam a ter uma fotocopiadora e uma caneta para mudar a data. Ou ent\u00e3o fazem previs\u00f5es logo para seis meses&#8230;<\/p>\n<p><em>Previs\u00e3o do estado do tempo para amanh\u00e3, em Luanda:<br \/>\n<strong>Cacimbo \/ Aguaceiros<\/strong> (riscar o que n\u00e3o interessa)<br \/>\n<strong>24\u00ba<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Eu, qual ilusionista consagrado, sabendo de ante-m\u00e3o a previs\u00e3o meteorol\u00f3gica para amanh\u00e3, tive o cuidado de a anotar ainda antes de escrever este artigo&#8230; \u00f3 p&#8217;ra ela l\u00e1 em cima, armada em t\u00edtulo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem inventou Angola, tinha umas ideias muito engra\u00e7adas. Encheu esta terra de coisas novas e estranhas, que nos enchem os sentidos e a mente. Os est\u00edmulos s\u00e3o tantos, que resolveram reduzir o ru\u00eddo de fundo e eliminar umas quantas distra\u00e7\u00f5es. A meteorologia foi uma delas. Nas estradas temos muitas preocupa\u00e7\u00f5es. S\u00e3o os assassinos azuis-e-brancos, s\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1,14,360],"tags":[527],"class_list":["post-832","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","category-luanda","category-provincia-de-luanda","tag-clima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=832"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/832\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3399,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/832\/revisions\/3399"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}