{"id":931,"date":"2008-09-11T00:00:06","date_gmt":"2008-09-10T23:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=931"},"modified":"2009-07-18T13:02:30","modified_gmt":"2009-07-18T12:02:30","slug":"no-xilombo-da-tia-teresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/no-xilombo-da-tia-teresa\/","title":{"rendered":"No xilombo da Tia Teresa"},"content":{"rendered":"<p>Numa das nossas excurs\u00f5es at\u00e9 ao choco grelhado da Xilombo, acab\u00e1mos por ir almo\u00e7ar \u00e0 casa de uma das suas vizinhas. A Xilombo n\u00e3o tinha mesa nem choco para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Recomendou-nos a sua amiga Teresa, que tamb\u00e9m grelha peixe e choco num tambor de \u00f3leo velho.<\/p>\n<p>Almo\u00e7\u00e1mos no p\u00e1tio da casa, resguardado da rua por um port\u00e3o azul. Mais sossegado que o mercado de arte, mas sem o encanto da \u00e1rvore da Xilombo.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa13.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nTradi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Tinha uma vida diferente. No p\u00e1tio da Xilombo h\u00e1 uma f\u00e1brica de sof\u00e1s. Aqui h\u00e1 uma capoeira e um dep\u00f3sito de correias de autom\u00f3veis. Pens\u00e1mos que n\u00e3o havia crian\u00e7as, mas afinal estavam escondidas e eram muitas!<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa14.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nIrm\u00e3os, primos e afins<\/p>\n<p>Foram elas quem achou mais piada \u00e0 nossa refei\u00e7\u00e3o. \u00c9ramos a novidade. O primeiro a aparecer foi o C\u00e1mio. Disse-nos o nome, mas teve vergonha de dizer que s\u00f3 tinha tr\u00eas anos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa1.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nC\u00e1mio, o curioso<\/p>\n<p>Depois vieram outras. A Elsa, a Ju, a Sandra, o Artur&#8230;<\/p>\n<p>No ch\u00e3o, ao lado da mesa, m\u00e3os experientes tinham equilibrado uma panela numas pedras. As brasas tratavam de apurar a vers\u00e3o angolana da cachupa.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa2.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nCozendo lentamente<\/p>\n<p>A <em>mais-velha<\/em> da casa tomava conta da panela.Ocasionalmente levantava a bacia de esmalte que fazia de tampa e espreitava o andamento das coisas. Ajeitava a lenha e tapava tudo outra vez.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa6.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA mais-nova<\/p>\n<p>Quando o fumo da lenha come\u00e7ou a afugentar as moscas da mesa, achou que ficar\u00edamos melhor se retirasse a lenha. Dissemos que n\u00e3o, que o fumo n\u00e3o nos incomodava e que assim n\u00e3o havia moscas. De nada valeu. A cachupa ficou a meio, o fumo foi-se e as moscas regressaram.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa3.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAs pequenas coisas revelam mist\u00e9rios insond\u00e1veis<\/p>\n<p>O choco, temperado s\u00f3 com sumo de lim\u00e3o, estava mesmo bom. Como tudo se aproveita, a quantidade de comida \u00e9 enganadora. Parece pouco quando est\u00e1 inteiro. Depois de cortado continua sem parecer muito, mas depois de se come\u00e7ar a comer, nunca mais acaba.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa5.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nChoco grelhado, sumo de lim\u00e3o e batatas cozidas<\/p>\n<p>A nossa refei\u00e7\u00e3o foi acompanhada de perto n\u00e3o s\u00f3 pelas crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m pela cadela que estava presa ao fundo do p\u00e1tio, pelos muitos pintos que nos pisavam e pelo lagarto que se aquecia ao Sol ao nosso lado.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa15.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nObservando atentamente<\/p>\n<p>O R. armou-se em valente ou em her\u00f3i de Shaolin, n\u00e3o sabemos bem, e experimentou baptizar o choco com gindungo. Passado um bocadinho, estava ranhoso, choroso e suado.<\/p>\n<p>Experimentei uma min\u00fascula gota desse picante. Posso dizer que n\u00e3o fica muitos pontos atr\u00e1s do picante do Jaipur, em Lisboa.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa4.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n<em>\u00abAntes o choco que eu\u00bb<\/em><\/p>\n<p>Desta vez tivemos direito a sobremesa. Um pouco antes da Xilombo estava um cami\u00e3o carregado de abacaxis de Benguela. Comprei um dos pequenos por 200 Kz.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa12.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nS\u00f3 ficaram as espinhas<\/p>\n<p>Era docinho e sumarento. N\u00e3o podiamos ter pedido melhor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa7.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n\u00c9 preciso lavar as m\u00e3os antes de comer<\/p>\n<p>Entretanto a Xilombo juntou-se a n\u00f3s. Quis assegurar-se de que n\u00e3o perdia clientes para a concorr\u00eancia. Aproveitei para lhe dar a fotografia de h\u00e1 umas semanas. Quando a viu a, pensou logo em mandar ampliar e perguntou porque s\u00f3 se via a cara. A fotografia original tinha sido cortada para n\u00e3o haver tanto fundo, mas j\u00e1 ficou prometida uma c\u00f3pia por inteiro.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa8.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nXilombo e tia Teresa<\/p>\n<p>A Xilombo \u00e9 muito vaidosa. E gosta de fotografias. N\u00e3o foi preciso perguntar se pod\u00edamos tirar mais umas. \u00c9 claro que sim! Agora at\u00e9 trazia um penteado novo&#8230; temos \u00e9 de lhe trazer umas c\u00f3pias!<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa11.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nPose a tr\u00eas quartos, \u00e0 modelo<\/p>\n<p>A tia Teresa n\u00e3o nos achou europeus t\u00edpicos. Ali\u00e1s, at\u00e9 perguntou se j\u00e1 est\u00e1vamos em Angola h\u00e1 muitos anos. Os brancos n\u00e3o costumam sair das suas rotinas e vir comer estas coisas, aos p\u00e1tios das pessoas que c\u00e1 moram.<\/p>\n<p><em>\u00abPara n\u00f3s isto \u00e9 normal. Desde que haja comida e uma cerveja, tudo est\u00e1 bem!\u00bb<\/em> dizia a Teresa, entre dois tragos da garrafa de Eka.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o a que se chegou \u00e9 que a maior raz\u00e3o de alegria eram as pequenas pernas a correr \u00e0 nossa volta. Em Angola crian\u00e7as \u00e9 o que n\u00e3o falta. Assim a alegria n\u00e3o se acaba.<\/p>\n<p>A Xilombo queria que lhe trouxessemos roupas de Portugal, porque eram diferentes, mais bonitas que as de c\u00e1&#8230; a Teresa apoiava-nos e dizia que agora eram iguais em todo o lado.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/110908-0000-xilomboteresa10.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nHaja alegria<\/p>\n<p>Agora estamos divididos. Xilombo ou Teresa. Temos de passar a atirar uma moeda ao ar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa das nossas excurs\u00f5es at\u00e9 ao choco grelhado da Xilombo, acab\u00e1mos por ir almo\u00e7ar \u00e0 casa de uma das suas vizinhas. A Xilombo n\u00e3o tinha mesa nem choco para n\u00f3s. Recomendou-nos a sua amiga Teresa, que tamb\u00e9m grelha peixe e choco num tambor de \u00f3leo velho. 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