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19  06 2008

Cuecas

Ontem foi o dia em que conheci a realidade da vida nos musseques. Vi os do Norte de Luanda e revi a imagem mental que tinha da cidade. Fiquei surpreendido por tudo, umas vezes pela positiva, outra pela negativa.


Os salões de beleza estão por todo o lado

Hoje fui conhecer os da parte Sul. São diferentes mas muito iguais. Há semelhanças óbvias, quer seja no lixo, quer seja na quantidade de pessoas que se amontoam. Ao passar de uma parte da cidade para outra, sinto que mudei de bairro, mas não me consigo aperceber dos seus limites porque as fronteiras são graduais. Não basta passar a vala para a paisagem mudar porque ela é igual em ambas as margens, no entanto, os bairros são diferentes de cada lado. Sente-se a diferença cá dentro. Não são melhores ou piores, aliás, são tão maus como o vizinho, mas sabemos que são diferentes.


A omnipresente fruta à venda

Os musseques mais próximos da cidade têm mais gente, mais confusão, mais lixo. À medida que nos afastamos do centro, as casas começam a ser um pouco maiores. Há bairros onde quase todas as casas estão isoladas umas das outras. Nalguns sítios, há mesmo uns pequenos quintais com um esboço de horta. No mínimo têm uma mangueira plantada.

Nestas zonas não há trânsito e os miúdos ainda não desenvolveram o sexto sentido que os faz desviar dos carros. Não há vendedores de tudo e mais alguma coisa no meio dos carros. Não há carros nem ninguém que compre. Bancas há, muitas. Mais pequenas e com inventários bem mais modestos que as da cidade. Não se vêem mulheres a transportar a mercadoria à cabeça. Cada um vende à porta de casa os artigos que se consomem no bairro. O habitual são as bolachas, as barras de sabão azul-esverdeado, as amostras de detergente Skip, Ariel, Sunlight, algodão e doces. Não vi pilhas à venda, que muita falta me fizeram. Nestes bairros há menos lixo. Há menos gente a produzi-lo e um pouco mais de preocupação (quase nenhuma, diga-se) em geri-lo. De quando em vez, vê-se um buraco para onde se deita o lixo e que deveria ser tapado (mas não é) assim que estivesse cheio. Os cães têm um ar menos doente. E vi mesmo uma menina com um cachorro preto ao colo, como um bébé.

Desta vez tirei algumas fotografias. O choque da véspera já passou e consigo moderar o instinto de fotografar tudo. Os locais devem perguntar-se porque querem os brancos fotografar o seu dia-a-dia tão igual. Haverá mais oportunidades de ver miséria.


Crianças a transportar lixo e terra

Nas zonas mais movimentadas vi tudo e mais alguma coisa ser transportado à cabeça. Vi garrafas de gás, alguidares cheios de garrafões de lixívia, de tubos de pasta de dentes, de outros alguidares. Vi cantinas inteiras (uma dúzia de panelas ou mais), que faziam uma pilha maior que a mulher que a trazia.


Cheias ou vazias, vão à cabeça

Outras transportavam um alguidar grande cheio de outros alguidares mais pequenos, ou um guarda-sol atravessado, ou uma caixa de cartão com mandiocas. Assisti a proezas de equilíbrio enquanto atravessavam a estrada a correr com uma bilha de gás à cabeça e depois apanhavam qualquer coisa do chão, mantendo a carga perfeitamente horizontal.


Pão fresco

Num dos bairros a que já não consigo chamar musseque vi um edifício em ruínas que me parecia familiar. Quando nos aproximámos mais vi que era uma antiga capela portuguesa que se mantinha de pé. Não entrei. Mais à frente foi preciso arranjar caminho para o outro lado da omnipresente vala. Numa margem havia uma espécie de lavagem em série de carros, onde pedimos indicações para as ruínas da ponte ou do vau que nos permitiria seguir para a margem Norte. Navegando de indicação em indicação acabámos por ir dar a um recanto absolutamente encantador. Numa curva do rio havia umas dezenas de embondeiros seculares que emprestavam ao local uma atmosfera de repouso a que ainda não tinha assistido nesta roda-viva que é Luanda. Consegui mesmo esquecer-me de que o rio que por ali passava afinal era mais uma vala, com as suas margens cheias de pedaços de plástico colorido. Depois percebi que o aspecto viçoso que as copas dos embondeiros apresentavam contrastava com os seus troncos cheios de graffiti e cercados de lixo e sucata. Deste lado da margem era o Benfica, exactamente igual ao bairro do outro lado do rio, mas completamente diferente.

Foi por esta altura que fiquei com a imagem do dia: Cuecas!

Por incrível que pareça, ainda não vi mais que meia dúzia de miúdos a correr nus de um lado para o outro. Reparei que todos os miúdos, desde que aprendem a andar até que me dão pela cintura, andam sempre de cuecas. Podem não ter roupa nenhuma no corpo, mas andam sempre com umas cuecas garridas, quase que a condizer com as margens das valas. Ao contrário dos miúdos a correr, esta imagem não me trouxe nenhuma revelação. Não me senti mudado. Mas deve ser um pormenor importante…

Como as crianças brincam porque são crianças, não pude deixar de reparar nos seus brinquedos. As meninas apanham a água negra que escorre pelas ruas e transportam-na à cabeça em latas de leite em pó, para a despejarem um pouco mais acima e voltarem a correr para a poça a jusante. Os meninos correm com capas feitas dos plásticos de bolhinhas que vêm a embrulhar electrodomésticos, ou enchem garrafas de óleo com lama.


As frotas de candongueiros têm nomes originais

Perto da cidade o trânsito torna-se mais caótico. As obras constantes vão cortando os acessos dos bairros periféricos ao centro da cidade. Grandes movimentos de terras para a instalação de valas em betão, para a abertura ou alargamento de estradas, sempre dirigidas por chineses, que se destacam dos operários por usarem um curioso chapéu de, imagine-se, chinês. Toda a gente quer passar a vala e as poucas passagens vão sendo cortadas com o avanço das obras. Às vezes são repostas, mas geralmente ficam para outra empreitada… Bairros inteiros ficam reduzidos a duas ou três saídas e algumas ruas são transformadas em becos com vários quilómetros de extensão. É óbvio que estes acessos estão sempre atulhados. Milhares de carros vão afunilando e arrastando-se durante horas para vencer algumas centenas de metros. Para tentar fugir deste caos há sempre a alternativa de fazer algumas dezenas de quilómetros em más picadas e chegar a outro estrangulamento. A única regra que há neste trânsito é a de que não se chega a lado nenhum. Se a rua está vazia ou até se consegue engatar a segunda velocidade, é porque a rua vai dar a nenhures. Ou então já deu, mas agora está cortada porque caiu um poste, porque o lodo da vala é muito fundo ou porque as obras já lá chegaram. Se a estrada tem saída, os carros estão colados uns aos outros e não andam.


Buracos e obras

Sim, há ruas nas quais corre a vala… numa delas decorre o mercado das peças novas, usadas e roubadas. Na verdade só há duas categorias. Vendem peças roubadas ou peças em vias de o ser. Nesta rua há quarteirões inteiros que só se podem percorrer a pé porque as águas vão enchendo os buracos maiores e nem os todo-o-terreno se atrevem a passar. A alternativa é percorrer alguns quilómetros até chegar ao outro lado da rua.


Peças originais


A concorrência

Porque o trânsito é infernal, demorámos mais de duas horas até chegar ao nosso primeiro destino. Em linha recta deverão ser uns cinco quilómetros. A hora de almoço foi sendo adiada a cada desvio provocado por estradas cortadas, trânsito parado, lodos fundos ou mercados cheios. Perto das duas da tarde era imperioso comer. Regressar ao centro de Luanda estava fora de questão. Só pelas quatro horas chegaríamos a um qualquer restaurante. A opção era só uma, comer o que houvesse, num dos muitos sítios que têm “Sopa e Almoço”. Confiei no motorista para escolher um mais asseado. A escolha não foi má. A primeira coisa para onde olhei foi para as mãos da cozinheira. Estavam limpas e segurava um pano limpo. Uma ajudante lavava loiça e talheres em água ainda limpa. Bons sinais. A comida estava tapada embora fosse cozinhada ali mesmo…

Bem sei que não se deve abusar da sorte, mas desde o pequeno-almoço que não comia nada… Resumindo, a ementa consistiu num funge bem batido (embora com algumas bolhas), num feijão em óleo de palma e em carne fresca estufada. O funge e o feijão estavam óptimos. A carne provei, mas não lhe dei muita confiança. É que aqui matam o bicho e cortam-no em dois. Vendem esses dois bocados que são divididos e revendidos, voltando a ser vendidos, cortados e revendidos até que os pedaços tenham o tamanho de uma noz. Nessa altura são cozinhados. Não se sabe muito bem qual era o aspecto do bicho antes de morto e como o corte é sempre com cutelo, há muitos ossinhos partidos no meio da carne. Ainda provei um pouco de calulu de raia.

Reparei num pormenor curioso: quando nos puseram os pratos na mesa havia algumas moscas pelo ar, que se foram aproximando da comida, naturalmente. No entanto, tiveram a cortesia de nunca pousar na comida até que acabássemos. Ou então fugiam dela…

Apesar do risco que é, a comida era muito saborosa e posso dizer que a gastronomia local está aprovada (e provada). Amanhã logo vejo como tenho a barriga…


Os filmes de acção são sempre os que saem mais

Nalguns recantos vemos pequenas oficinas que se dedicam a transformar tiras de sucata em carrinhos para transportar os garrafões amarelos de óleo de palma que são usados para armazenar água, gasóleo ou gasolina.

Estou em Angola há menos de uma semana e já vi uma Luanda muito diferente do que a maioria dos ocidentais tem oportunidade de conhecer. Na verdade nem sei se estão interessados em ver o que vi, ou saber como sobrevivem as pessoas à volta da cidade.


Incineração de lixo

Os meus colegas estão cá quase há dois meses. Têm consciência de que há miséria e de que a vida nos musseques é algo de muito diferente, mas ainda não se aperceberam do quão diferente é a vida dos outros 95% da população. Espero que continuem na ignorância.

Cheguei a casa coberto de pó. Pó no corpo e pó na alma. Não havia água…


18  06 2008

Rota turística

Hoje fui fazer uma visita turística pela capital angolana.

A descrição oficial poderia ser algo assim: “Passei nos pontos mais importantes. Fui à Fortaleza, vi o Palácio Presidencial, o Porto de Luanda, a fábrica da cerveja Cuca, os mercados populares, etc.”

Mas a verdadeira história não tem palavras que a descrevam.

Grande parte da visita foi nos bairros de lata (de tijolo e chapa zincada) que estrangulam Luanda. Estava à espera de um panorama mau. Nalguns casos fui pessimista, como no amontoado das casas e na utilização de qualquer recanto para se desenvolver uma actividade económica que permita subsistir. Noutros casos fui demasiado optimista. O lixo é o maior problema de Luanda.

A vida nos musseques é de uma miséria conformada. Os bairros crescem ao longo de uma vala intransponível. As linhas de água do terreno surgem vincadas na paisagem com um traço escuro, na maior parte das vezes cinzento ou verde, ladeado de duas faixas claras, garridas às vezes. Nasce um rio que separa os musseques em duas margens. É um rio de águas da mucanha (a água com que se lava os pratos e o corpo), de efluentes vários, de óleos e gasóleos, de restos de comida e de muito plástico esfarrapado. De vez em quando há uma ligação entre as margens. Na maior parte dos casos uma travessia improvisada com sucatas que já ninguém quer (o que é quase impensável porque aqui tudo se aproveita até à completa inutilidade), que nos permite percorrer aquela meia-dúzia de metros em equilíbrio instável sobre uma chapa com pouco mais que a largura dos pés e chegar ao terreno seco da outra margem. Na outra margem o chão seco parece pantanoso. Depois percebemos que não pisamos terra. Caminha-se sobre uma massa de plásticos rasgados que se foram misturando com a lama e o pó. A sensação é estranha a princípio, porque parece que se enfiou o pé numa poça cheia de alguma coisa muito mal-cheirosa…

As ruelas são tortuosas. Algumas não permitem o cruzamento de duas pessoas lado a lado, outras já são suficientemente largas para que não se consiga tocar com as mãos nas paredes e as avenidas já permitem a passagem de um carro.

Crianças brincam com garrafas de óleo e vão-nas enchendo com a água que escorre no meio da rua. Todas têm um aspecto sadio e vigoroso. Não se vêem gatos por lado nenhum. Cães há alguns. Todos com o habitual aspecto de rafeiro e muitos com sarna e tinha. Normalmente dormem no meio da rua, completamente desinteressados dos jogos e correrias dos putos. Há galinhas com pintos em todos os cantos. De vez em quando aparece um pato com um ar miserável. Perto do aeroporto vi uma cabra e dois cabritos a pastar numa ilha de plástico no meio da vala. Não sei o que comiam. Não consigo imaginar. Ao fim do dia, perto da fábrica da Cuca, vi uma porca e dois leitões a foçar no meio de um monte de lixo. A miséria também se vê nos animais.

A visão de dois brancos no meio do musseque espoleta discussões entre os miúdos acerca de qual dos brancos é o mais bonito. “O branco mais bonito é o dos óculos negros!”. Na verdade o que é mesmo bonito são os óculos. O branco é indiferente…

As obras por todo o lado, que cortam estradas ao meio e interrompem ligações, causam o caos numa cidade já de si caótica. “Dizem que para Agosto está pronta… mas não deve ser deste ano”.

Tirando algumas (poucas) estradas principais, todas as outras são uma sucessão de buracos onde não se consegue distinguir muito bem onde termina um e começa outro. No meio daquela superfície encarquilhada vai-se navegando e progredindo sempre a passo de caracol, colado ao carro da frente, do lado, de trás e do outro lado. Às vezes surge uma lomba, mas é quase chover no molhado. Nas bermas das estradas acumula-se lixo. Se houvesse asfalto quase se poderia dizer que era uma imitação do aspecto das valas dos musseques.

No entanto, no meio de tanto lixo, há quem não desista. Há varredores cuja tarefa inglória é limpar dez metros de estrada e ver que assim que acabam é preciso recomeçar. O lixo que varreram foi substituído por outro fresquinho.

Em cada rua há uma oficina de mecânica e bate-chapas. Especialistas na reparação de tudo o que se assemelhe a um maquinismo. Por vezes usam ferramentas improvisadas, na maioria dos casos nem ferramentas usam. Um carro é reparado, reconstruído, transformado até se tornar num pedaço de chapa ferrugenta que já não se pode usar para nada. Nessa altura é abandonado onde estiver.

Ontem tinha falado dos vendedores de rua, que fornecem tudo. Hoje, no mercado dos congoleses, tive um panorama melhor do que é a venda informal. Vende-se absolutamente de tudo. Vi uma banca com pregos usados… e mais não digo.

Notei diferenças marcadas entre os musseques do Sul e os do Norte. No Norte de Luanda há mais gente, mais confusão. Mais candongueiros a berrar o destino e o preço da viagem. Mais lixo.

Seria de esperar que as pessoas andassem sujas, mas não, na grande maioria andam bem arranjadas. Modestas mas arranjadas. Tirando os carregadores, operários e mecânicos, as pessoas andam limpas. Tenho a sensação de que aprenderam a desviar-se dos salpicos de lama, das poças fundas e dos encostos nos carros e que o fazem de uma forma tão automática que nem se dá por isso. Acho que se atravessasse duas ou três dessas ruas dava por mim coberto de lama dos pés à cabeça. E com lama quero dizer aquela pasta de urina, óleo e terra que corre nas ruas.

Não tirei fotografias. Talvez o venha a fazer. Mas nunca fariam jus ao que vi. Mas houve uma imagem que me ficou na memória. Em vários sítios vi um miúdo a correr à frente do carro. Umas vezes descalço, outras vezes de ténis. Ora de calças, ora de calções. De cabelo curto ou comprido. Pareceu-me ser uma boa imagem da vida dos angolanos das gerações pós-guerra. É preciso correr à frente da miséria, não deixar que ela nos apanhe. Mas já apanhou.

Há mais para dizer, mas desta vez fico por aqui…


17  06 2008

Kwanzas

Hoje almocei na Panela de Barro e paguei com 100 dólares. Apesar de o Governo Angolano querer acabar com os pagamentos em moeda estrangeira, os dólares ainda são a moeda com M grande. Recebi o troco em Kwanzas, naturalmente.


Fauna local

As notas de Kwanza (corre o boato de que também há moedas, mas eu nunca vi nenhuma) são estupidamente compridas. Têm as proporções das notas de monopólio (inspiradas nas notas de dólar). Uma das faces tem sempre o Zédu atrás do Agostinho Neto a garantir a certeza da vitória. Na outra os temas vão variando. Até agora, nas notas que vi, e dependendo da época em que foram desenhadas, há paisagens e actividades tradicionais (nas mais recentes) e expoentes da indústria e desenvolvimento nacional (nas mais antigas).


O progresso

No entanto, têm aquele aspecto desenhado que tinham as notas de escudo e que se perdeu com a estilização das notas de euro.


dos Santos e Neto

Entretanto pude apreciar com mais atenção o fenómeno que são os vendedores de rua, que vão dando um passo a cada lado entre os carros enquanto seguram na mercadoria. Vendem de tudo. Desde ferros de engomar até carrinhos de bebé, passando por rebuçados Circo (já não os via há que tempos) e mobílias por catálogo. A sério, todos os dias nas traseiras do LEA está um senhor a segurar um catálogo com mobílias. Perto do restaurante vendem geleiras, tábuas de engomar, cabides, mesas e até cadeiras de acrílico. Fruta vende-se por todo o lado. Bem vistas as coisas, escolhendo bem a rota para casa, consegue-se comprar tudo o que se precisa.


Óculos escuros, pilhas, saboneteiras…


Reparação de fogões a 30 metros…


Vassouras, cestos, garrafas e mandioca

Também tive a oportunidade de ver alguns pormenores que caíram em desuso lá na metrópole, como a publicidade pintada nas fachadas dos prédios altos.


Será que ainda se vende disto?


Os hortícolas têm sempre melhor aspecto na rua que no supermercado. E estão mais arrumados.

Hoje regressámos a casa um pouco mais tarde. Apareceram alguns problemas ao final da tarde que tiveram de ser resolvidos e viemos mesmo ao lusco-fusco (que aqui demora uns poéticos 2 segundos). O trânsito a qualquer hora é infernal, mas à noite ainda parece pior. Os candongueiros, cheios de pressa de terminar o dia, andam mais afoitos, o que nunca é bom sinal.

Antes de subir, fomos comprar pão. Nunca pensei que se pudesse comprar broa de milho e pão de Mafra em Luanda… Caro como tudo, mas saboroso.

À espera de poder atravessar, ficámos numa esquina a olhar para o trânsito. Todos os candongueiros que passavam abriam a janela e gritavam “Aeroporto! 100 Kz!”

O bom de regressar já de noite foi ter sido acompanhado por uma fabulosa Lua cheia que me trouxe recordações tão boas…


16  06 2008

Leite em pó…

Eu bem me perguntava como seria a vida cá. Os colegas diziam que era difícil encontrar lacticínios em condições. Afinal usam aquilo que já foi comum em Portugal no final dos anos 70 (do séc. XX, entenda-se). O famoso Nido é consumido por cá em quantidades industriais.

Ontem foi difícil misturar o leite num copo alto, daqueles dos cocktails de sombrinha, por isso, quando fomos ao supermercado, comprei uma caneca por 99.99 Kz (algo parecido com 0.99 €)

Mas o melhor de tudo, o sinal de que a civilização já cá chegou, foi ver alguém a sair com uma embalagem de Nestum chocolate!


15  06 2008

Luanda

Hoje fui conhecer Luanda de dia. Vinha preparado para bem pior… está tudo em obras e há muito lixo, mas parece que as coisas se estão a fazer.

Os carros dos brancos parece que têm mel nos sítios onde é plausível que parem. Fomos ver o embarcadouro para a ilha do Mussulo e o carro foi cercado por uma dúzia de miúdos aos gritos. Cada um a tentar ser o primeiro a guardar o carro.

Os musseques cercam a cidade. Estrangulam-na. Nalgumas avenidas que estão a ser alargadas já há casas demolidas, com pessoas a reciclar os materiais de construção.

Como era Domingo, o almoço era no Belas Shopping. Até em Angola os portugueses se comportam como portugueses. Ao Domingo vão para o centro comercial… comer picanha à brasileira!

De volta a casa, pude apreciar Luanda e os mercados de rua.

Aproveitei o calor do meio da tarde e dormi uma sesta depois de arrumar mais umas coisas. A electricidade tinha faltado a meio do pequeno-almoço e só voltou perto das cinco da tarde… a água, essa, faltou no final do meu banho e até agora continua ausente.


A vista da minha da janela.


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