Aerograma

Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

12  06 2008

Afinal os bilhetes de papel ainda existem…

11  06 2008

Visto e gasolina

Há uns dias fiquei todo contente por ter tido uma experiência angolana à espera de abastecer o Patrol. Esta semana, com a greve dos camionistas, toda a gente está a ver como é a vida em Angola.

As bombas estão secas. Ontem havia filas monumentais em todas, com esperas garantidas de mais de uma hora. Hoje estavam quase todas vazias. Nem combustível nem clientes. Em Queluz e arredores só há uma que ainda tem gasolina. É mesmo no centro e a bicha provoca a paralisação completa da cidade.

Fui levantar o visto. Esperei uma hora para depois demorar 3 minutos a sair. Mas será que, mesmo com o visto na mão, chego a levantar voo no Sábado?

O aeroporto está sem gasolina e os aviões estão a abastecer noutras cidades. Se a greve continuar até Sexta-feira não sei se o meu voo ganha asas. Duvido que o avião tenha autonomia para 14 horas (7 para cá e mais 7 para lá). Vai na volta, a meio da viagem ainda ouvimos o piloto dizer para “manter os cintos apertados, que vai desengatar o avião nas descidas”.

Entretanto, depois do ginásio, passámos pelo Lidl (esse grande amigo). Parecia um supermercado soviético. Prateleiras quase vazias, coisas muito escolhidas… a dependência dos distribuidores é gritante.


11  06 2008

Custa tanto partir

A três dias da partida e com algumas despedidas já feitas, há cada vez mais coisas que apertam o coração.

Quando acordei com o rádio, estavam a entrevistar uma portuguesa que trabalha na Suíça. “Já falta pouco para partir também”, pensei…

Pouco depois senti que me estavam a observar. Sabia que era a Cristina que estava à porta do quarto a olhar para mim.

Queria por tudo virar-me, dar-lhes os bons dias e um abraço, mas sabia que assim que o fizesse descobria que estava sozinho. E o olhar dela nas minhas costas estava-me a saber tão bem…

 

A partida, cada vez mais inevitável e inadiável, custa a conceber. Custará menos depois…


5  06 2008

Provas públicas

No final da semana passada recebi uma carta com a nomeação do júri das
provas públicas do mestrado.
É sempre assim, passam-se meses sem saber de nada e cheio de tempo
livre e depois vem tudo ao mesmo tempo.

Foi uma lufa-lufa para encadernar os últimos exemplares da tese já com
a capa a mencionar o júri, enviar tudo por correio e tentar arranjar
datas compatíveis com toda a gente. Como a partida estava para breve,
expliquei a situação à coordenadora do mestrado e conseguimos arranjar
uma data que satisfaz todos. Excepto o R….
Cumprindo os prazos legais para a afixação dos editais, conseguiu-se
marcar as provas no prazo recorde de 7 dias! Vai ser numa Sexta-feira,
13! É daquelas datas que não se esquece.

Parto para Luanda no dia seguinte, à noitinha.

Havia a possibilidade de não fazer já a apresentação, mas também não
poderia esperar até Outubro…

Como não devo ter o visto emitido antes do dia 9, mesmo com uma
agilizaçãozinha, até calha bem.


5  06 2008

Pormenores

Enquanto tratava de preencher todos os pequenos espaços na mala com
tudo o que vou precisar nos próximos quatro meses, uma dúvida
persistia em assaltar o meu espírito irrequieto. Será que há coisas
que posso não levar?

É que se começo a pensar em todas as eventualidades, freto um
contentor e despacho a casa toda por barco…

Para além da farmácia, com abastecimento de anti-diarreicos,
anti-eméticos, anti-histamínicos, anti-palúdicos, anti-piréticos e
anti-tudo, ainda tenho as armadilhas para as baratas, os repelentes de
mosquitos em várias formas, cores e sabores, as redes mosquiteiras
(para a cama e para a janela) e dois dispositivos de tratamento de
água (filtração e tratamento químico para 2000 litros). Só isto ocupa
um pouco mais de um quarto do volume disponível. O peso ainda não é
preocupante.

Falta ainda toda a pequena electrónica, como sejam carregadores e
baterias recarregáveis para máquinas e gadgets essenciais à vida
civilizada.

No fundo da mala já estão cinco pares de calças, uma camisa e um
corta-vento devidamente enrolados e acondicionados. Assim poupo espaço
mas quando chegar vou ter a roupa um pouco engelhada. E foi aqui que
me assaltou a tal dúvida. Será que na casa da Ingombota existe algum
ferro de engomar? Baratas há, mas vai deixar de haver; ratos parece
que já não e o mesmo se deve passar com a obstipação crónica das
sanitas; mosquitos são omnipresentes… mas e o ferro? Ou haverá
alguma epidemia de roupa amarrotada?

Julgo que semelhante instrumento exista por essas paragens, mas como
se trata de África… ou não há, ou é caro.

A ver vamos…


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