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Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

26  08 2011

Pelos caminhos de Portugal: Sabugal

O centro do Sabugal, com excepção dos atentados arquitectónicos do costume, ainda tem zonas muito bem preservadas que não nos custa imaginar serem próximas da expansão que sofreu no séc. XIV. As pequenas casas de paredes grossas e tortas nas ruas em volta da Igreja da Misericórdia, apesar de já fora das muralhas, são os melhores exemplos.

sabugal
Centro do Sabugal

Um pequeno passeio por estas ruas cheias de portas largas e baixas enfiadas em paredes pequenas ainda nos deixam alguma esperança de que não desapareçam de vez. As demolições para enfiar caixotes feios começam a transformar-se em recuperações mais ou menos criteriosas das traças originais.


25  08 2011

Fogo na Serra da Carregueira

Durante muitos anos foi-se temendo que os incêndios de Verão chegassem à Serra da Carregueira, onde subsistem alguns dos últimos vestígios da vegetação típica da região saloia. Depois do primeiro, os seguintes têm-se repetido com uma regularidade criminosa.

Há poucos dias estive a poucas dezenas de metros do início do estradão que leva ao vértice geodésico da Serra da Carregueira. Por cima de mim, um grande helicóptero amarelo circundava uma imensa nuvem de fumo com um balde pendurado.

Enchia o balde num lago do campo de golfe mais próximo e despejava-o sobre o local onde ainda se viam as cicatrizes do incêndio do ano anterior. Mantive-me cautelosamente afastado da coluna de fumo e fora do caminho do fogo, mas suficientemente perto para ouvir cada nova árvore que se incendiava como um fósforo. Um incêndio florestal é capaz de surpreender bombeiros bem equipados e eu só tinha uma bicicleta comigo.

Helicóptero apagando as chamas
Apagando as chamas

De quando em quando rebentava um cartucho perdido pelos caçadores ou alguma velha munição de salva de exercícios militares do quartel da Carregueira. Os carros de bombeiros de corporações cada vez mais distantes continuavam a chegar com alarido.

Serra da Carregueira queimada
Carregueira queimada

Algumas horas depois, só um fumo claro subia da serra. O fogo estava extinto e mais um pedaço de verde ficou negro. Foi sol de pouca dura. Na semana seguinte, o ar voltou a encher-se com o cheiro a queimado e mais um cantinho desta mancha ardeu.


24  08 2011

Nas feiras vende-se de tudo

A crise tem levado cada vez mais pessoas de volta às feiras. Talvez as mesmas que as desdenhavam há pouco tempo. O certo é que circular na feira se tornou mais difícil, com muita gente a tentar passar nos mesmos apertos.

Os novos visitantes julgavam que lá se vendia pouco mais que falsificações de discos, restos de colecção das lojas de pronto-a-vestir e sapatos sem par. A roupa e os sapatos existem, as cópias pirata também, mas agora de filmes com legendas em coreano. Para além disso, há uma infinidade de coisas que não imaginavam, desde as mercearias às ferragens, passando pelo pão e canários com respectivas gaiolas. Há cada vez mais restaurantes com especialidades em grelhados, fritos e cervejas e, perto dos grandes centros da periferia de Lisboa, grupos de emigrantes africanas arrendam talhões para vender milho e batata-doce assados.

Vestidos de noiva na feira
Vestidos de noiva

E depois há as coisas que nem mesmo os visitantes habituais esperam – vestidos de noiva vendidos por uma velhíssima cigana vestida de preto da cabeça aos pés.


23  08 2011

Alcatruzes

Com o abandono dos campos, tecnologias milenares desapareceram também. As picotas e as noras ficaram esquecidas nos poços, apodrecendo lentamente. E até os próprios poços foram abandonados à sua sorte. Muitos tornaram-se buracos perigosos que se abrem debaixo dos pés sem aviso, outros desmoronaram-se e cairam no esquecimento.

Junto aos poços das parcelas mais pequenas ainda se encontram algumas pedras talhadas com um furo no meio cuja função se tem de adivinhar. São os contrapesos das picotas e o seu único vestígio, porque eram quase todas feitas só de madeira.

Antes de se passarem a usar os motores de rega, as noras movidas por burros ou, mais raramente, vacas eram a solução quando se precisava de mais água. As de madeira foram substituídas por máquinas de ferro fundido e são agora estes esqueletos ferrugentos que marcam o local dos poços.

Alcatruzes
Alcatruzes aos sol

O mais curioso nas noras é que a sua longa história ditou alterações interessantes. As de armação rígida, quando há espaço para as construir, têm alcatruzes como verdadeiros baldes, que mergulham na água e se enchem só no percurso ascendentes. As de armação flexível, adaptadas a poços fundos, têm alcatruzes com um buraco no fundo, para o ar escapar e não flutuarem inutilmente quando mergulham. À medida que sobem, um fio de água escorre para dentro do alcatruz seguinte.

Um monte de alcatruzes puxados para fora do poço quase simbolizam a esperança de os preservar fora de água e de algum dia os voltar a usar.


22  08 2011

Entretanto, em Monsanto

Os finais de tarde nos Montes Claros, a metade sul de Monsanto, costumam ser muito agradáveis. O pouco trânsito e a brisa que abana as copas das árvores transmitem uma sensação de sossego. Melhor ainda é espreitar a ponte, Almada e, com um bocadinho de sorte, o recorte da Serra da Arrábida.

ponte
Ponte sobre o Tejo

Sem grandes padrões de comparação, o monumento do Cristo-Rei e a própria ponte parecem minúsculos, como se saídos de uma maquete.


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