Aerograma

Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

15  03 2010

Os brancos e amarelos são todos iguais

Para quem não está habituado a ver gente diferente daquela com quem convive, os estrangeiros parecem ser todos iguais. Distinguimo-nos uns dos outros pelas diferenças que encontramos em relação à imagem de pessoa que cada um cria. Se há uma característica demasiado diferente, essa será a única em que reparamos até que nos habituemos a ela.

Da mesma maneira que, quando cheguei a Angola, me sentia incapaz de distinguir o brilho que identifica os angolanos, para os negros que não convivem habitualmente com brancos, parecemos todos iguais.

Brilho angolano
Brilho angolano

No interior, pele clara é sinal de estrangeiro. A nacionalidade do estrangeiro é mais difícil de determinar, sendo geralmente adiantada a mais habitual. As crianças, que nunca mentem, são os melhores indicadores dos estrangeiros mais comuns da região. No Kwanza Norte, com a pele clara e o cabelo preto, todos os miúdos se põem a apontar para mim e a dizer «Chinês, chinês!». Não é difícil adivinhar quem são os homens brancos a que estão habituados.


14  03 2010

Konica

As casas de fotografia fazem muito sucesso em Angola. Em cada esquina há um letreiro de fachada inteira anunciando fotos rápidas, fotocópias e outros serviços. Convencionou-se que estas lojas devem estar pintadas de azul e ostentar o nome de uma conhecida marca de equipamento fotográfico.

Estúdio Conica
O nome universal

O símbolo da Konica, uma cauda de pavão colorida sobre fundo azul, é um excelente logótipo, pois é reconhecível em toda a parte e imediatamente associado à marca. Para além disso, mesmo o pintor menos habilidoso não terá grande dificuldade em copiá-lo. Em Angola, Konica é fotografia.

Konica
Loja de fotografia

Talvez a proximidade fonética às línguas de raiz bantu ajude também a explicar porque razão os estúdios fotográficos se identificam com aquela marca.

Konica
Loja azul

Candongueiros azuis, esquadras de polícia azuis, lojas de fotografia azuis. O azul parece ser uma cor que oficializa as coisas em Angola.


13  03 2010

Ao menino e ao borracho

Na estrada para Malange, logo a seguir a uma ponte militar que substitui a ponte dinamitada nos anos da guerra civil, um Toyota Corolla entra na estrada de uma forma um pouco descontrolada. Segue fora de mão por umas dezenas de metros, mas corrige a trajectória antes da curva.

Na recta seguinte, sem trânsito ou buracos traiçoeiros, o condutor deixa uma roda fugir para a berma e perde o controlo do carro. Uns segundos depois, em jeito de conclusão da sequência de guinadas e pulos, o carro desapareceu aos trambolhões pelo capim do talude, que de imediato recuperou a compostura e escondeu o carro. Se não o tivessemos visto despistar-se à nossa frente, nunca adivinharíamos que ali dentro estava um carro.

Acidente
Engolido pelo capim

Parámos nas imediações do acidente e descemos para socorrer os ocupantes. O carro tinha capotado várias vezes talude abaixo e o monte de sucata em que se tinha tornado fazia antever feridos graves.

Acidente
Feito num oito

Ao descer o talude fui gritando para saber se havia alguém consciente. Ninguém respondia. Aproximei-me do carro e, numa imagem retirada da banda desenhada, reparo num homem de calções e camisa amarela sentado de pernas abertas no meio do capim a uns metros do carro. Quis saber se estava bem. Após uns segundos de desorientação perguntou-me:

«Esse é o meu carro?»
«Sim, acabou de sair da estrada. Está ferido?»
«Outra vez? Mas eu até vinha a travar…»

Levantou-se e percebi que estava inteiro. Depois daquele acidente aparatoso não tinha um arranhão. Sem cinto de segurança, foi cuspido antes do tejadilho do carro bater numa árvore num inacreditável golpe de sorte. Perguntei se precisava que o levássemos a algum lado, mas disse que uns amigos já vinham ter com ele. Quando chegámos ao topo do talude lá estava um carro parado à espera do acidentado.

Lá diz o provérbio que “Ao menino e ao borracho, Deus põe a mão por baixo”.


12  03 2010

Segundo aniversário

Distraído com outros afazeres, quase deixava passar a data. Faz hoje exactamente dois anos que publiquei o primeiro artigo nesta casa. Na altura não sabia muito bem em que aventura me ia meter, tanto a profissional como a do Aerograma.

Entretanto, mais de 150’000 visitas e quase 700 artigos depois, sei que ainda há muito para explorar e contar. Tenho muitas estradas para percorrer e muitas gentes para conhecer nos últimos meses em Angola.

Apesar de nem tudo serem rosas, com muitas saudades de casa e da família, e haver alturas em que Luanda nos dá cabo dos nervos, a experiência tem sido positiva.

Sorrisos
Ainda há muitos sorrisos para ver

A bom ritmo está a avançar o projecto de transformar os artigos publicados num livro, com uma primeira selecção e revisão de textos terminada. Foi mais uma das direcções inesperadas que o Aerograma tomou.

Bem-haja a todos quantos fazem do Aerograma a sua casa. Amanhã a programação volta à normalidade.


11  03 2010

MinOP

Inicialmente projectado para bloco de escritórios, o Ministério das Obras Públicas é um dos mais emblemáticos edifícios da cidade. Situa-se no largo da Mutamba, junto do Ministério das Finanças e do Governo Provincial de Luanda.

MinOP
Visto da Rua Frederich Engels

Foi construído no final da década de 1960 e o seu arquitecto, Vasco Viera da Costa, foi o mesmo que desenhou o Mercado do Kinaxixi, demolido em 2008. Apenas as máquinas de ar-condicionado instaladas nos elementos da fachada lhe alteram a traça exterior original.

MinOP
Visto da Mutamba

É um dos pontos de referência da cidade, de aspecto inconfundível e visível de quase toda a baixa.


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