15
07
2009
Uma força oculta deve estar a tentar tornar Luanda a cidade mais famosa de África, destronando as demais em todas as categorias. Infelizmente, esta força só se manifesta para as coisas más.
Falemos do trânsito.
Com vinte mil carros a serem descarregados todos os meses no porto de Luanda e com obras nas ruas que se arrastam durante meses, a capital angolana tenta retirar o título de cidade mais congestionada a Lagos, na Nigéria. A Lagos algarvia é quase africana mas ainda não tem um trânsito tão mau.
Como ninguém desliga o motor quando está parado, há alturas do dia em que o ar se torna mais irrespirável que o do Cairo, com uma população cinco vezes maior e também famosa pelos seus problemas de trânsito. Dizem que, no Cairo, já não se usam semáforos, porque complicavam mais do que ajudavam.
Mesmo conhecendo alguns caminhos alternativos e morar relativamente perto do emprego, há dias em que julgo ser impossível haver tanto carro em Luanda, de tão engarrafado estar o trânsito. Nestas alturas julgo que cada habitante terá direito a, seguramente, um automóvel quinze pequenas motorizadas a furar nas filas.
Num destes dias de desespero, em que cheguei com o rabo dorido a casa, cometi a asneira de contabilizar as horas em que estive fechado na jaula solitária, no trânsito: foram cinco, bem medidas. Dez míseros quilómetros, menos ainda, se contados em linha recta, ocuparam quase um quarto do dia. Entre estradas cortadas por motivos presidenciais, isto é, o Zé Dú foi zungar a algum lado, até aos cruzamentos fechados por condutores impacientes e aos acidentes com iáces, julgo que todas as hipóteses foram cobertas.
Para fazer companhia
Mas a prova de que Luanda já conquistou a posição de cidade mais congestionada de África, é que o engarrafamento não se restringia ao chão. No céu, dezenas de aviões brincavam aos carrosséis, porque o presidente ia viajar. Será ainda necessário mencionar o engarrafamento de navios lá na baía?
14
07
2009
Este é o segundo aniversário em que não estou presente. Vou-me desculpando com Angola e tal, mas a verdade é que foi tudo um plano elaborado para poder dizer que estás cada vez mais nova. Desde que entraste nos ‘intas, nunca mais te vi fazer anos, ao passo que eu…
A vida levou-nos a fazer sacrifícios e todos os dias custam, mas este faz a distância parecer maior porque devíamos estar a trocar um olhar cúmplice. Faz falta aquela dança que se transforma num abraço sem darmos por isso.
Como temos de apreciar o que temos e não o que nos é vedado, daqui a umas semaninhas estou de regresso. Danças comigo?
13
07
2009
Ao fim de pouco mais de um ano de existência, cinco dezenas de milhar de visitas marcam a história do Aerograma.
Apesar de ser apenas um número sem grande significado para além de ser redondo, não deixa de ser um marco. Contando em base sexagesimal daria algo como 13’53’20 ou algo parecido, o que não seria razão para comemorar.
Pelo desculpa pelo humor de engenheiro da frase anterior. Não se repetirá.
Nunca pensei que houvesse tanta gente com vontade de ler o que tenho para partilhar. Na verdade, até há alguns que não gostam e lêem na mesma, mas isso são outros cinco tostões. O meu espanto tem origem noutros números, vindos da minha página pessoal, que existe desde 1997 e, até à data, teve menos de 7’000 visitas, o equivalente a um mês de leitores do Aerograma.
Obviamente que é razão para comemorar. Os vizinhos já começaram a festa lá no terraço, mais vale aproveitar. Está toda a gente convidada!
Os convidados já estão a caminho
Depois desta pequena interrupção festiva, a programação segue como habitualmente.
12
07
2009
Continuando a saga do plágio, o novo capítulo da história das imagens roubadas.
Tenho uma piadinha doida
Este comportamento infantil não é digno de alguém que se assume como jornalista. Como não gostou de ser descoberto, resolveu fazer uma birra e agora insiste em gozar com a situação que ele próprio criou.
Ele há com cada um…
11
07
2009
Durante a depressão do Cacimbo, cheguei a temer a continuidade do Aerograma. Nada de agradável me ocorria para escrever acerca de Luanda ou de Angola. Parecia que tudo o que há de bom na cidade se escondia atrás do mau e irritante.
O desconforto é grande
Analisando as estatísticas das palavras mais usadas nos artigos da altura, encontro Problemas, Dificuldades, Buracos, Lixo, Miséria. O Aerograma seguia por maus caminhos e era necessário mudar o estado de espírito, nem que fosse apenas para tranquilizar os fantasmas interiores, que não gostam de tanta visibilidade.
Seguindo os conselhos sábios de uma amiga, distribuídos logo nos primeiros dias em Angola, se não encontro nada de bom para escrever, mais vale não insistir. Esforcei-me por voltar a ver as coisas boas, a procurar os pequenos pormenores que se escondem no meio do lixo. Reconfirmei que as pequenas pérolas se escondem nas paisagens mais amplas e que o que enche os olhos nem sempre é o que enche a alma. E sei agora que as palavras podem faltar para descrever o palácio, mas haverá sempre alguma coisa para dizer acerca da pequena pedrinha que conta histórias num canto do jardim.
Depois de este pequeno esforço, dei por mim a escrever muito mais, num daqueles acessos em que poderia dizer que as letras tomaram o freio nos dentes e correm, loucas, por um caminho cheio de curvas e mistério. O número de artigos que deixou o limbo do rascunho e ganhou o estatuto de definitivo espantou-me e, coisa curiosa, cada vez menos imagens ilustraram histórias, talvez por sentir que seriam desnecessárias. Neste, achei que devia escolher umas apropriadas.
Tenho inveja do cão