25
11
2008
Falta um mês para o Natal…
Quando saímos à rua já podemos ver as decorações de natal, as luzes, até o frio já chegou.
Vamos pensando nas prendas e nesta correria, nem damos importância ao verdadeiro sentido da quadra.
Recordo com saudade os natais de criança passados na casa dos meus avós em que era tudo vivido com muita simplicidade. Os serões eram passados ao calor da lareira e em família, os preparativos da festa, os bolos, as filhoses, a consoada e depois colocavámos os sapatinho na lareira e no dia seguinte era a correria para ver o que tinha o sapatinho, mas o mais importante de tudo eram os momentos passados em família.
Eu este Natal quero sentir o calor da família e ver o brilho dos olhos dos que me rodeiam… eu só sei que vou ter melhor prenda do mundo.
Para irmos entrando no espírito aqui fica.
Last Christmas – Wham!
25
11
2008
Estar num país estrangeiro e não aproveitar para conhecer as gentes é, no mínimo, estúpido. Resolvi usar esta minha estadia em Angola para aprender mais sobre as tradições e crenças do seu povo.
Tenho feito muitas perguntas. De tal maneira que sou visto como um bicho raro, que mostra interesse na gastronomia e nas tradições da terra, como os alembamentos e os óbitos festivos.
No meio de tanta conversa, apercebi-me que os angolanos deixam muitas palavras para serem subentendidas. Fazem-no em especial quando há uma vertente negativa no seu discurso. É uma espécie de eufemismo em que metade cada um entende como quer.
Quando se pergunta se a obra já está acabada e a resposta é negativa, o que ouvimos é um tímido «Ainda…». Subentendemos o «…não».
Até mesmo nos alembamentos, há coisas que ficam por dizer. O que a família do noivo tem de entregar à noiva varia em função do rapaz ter cometido ou não. Cometido o quê? Pecado, pois então! Se a rapariga aparecer concebida e só depois o namorado aparecer à família para fazer o alembamento, terá de ser multado. Afinal de contas, cometeu sem consentimento da família da noiva…
Entretanto, já aprendi mais umas coisas acerca dos alembamentos, mas se me perguntarem se já sei tudo, a resposta terá de ser um singelo «Ainda…»
24
11
2008
A palavra de ordem nos últimos meses tem sido sobreviver… sobreviver ao stress do trabalho, às crises e acima de tudo sobreviver às saudades do mais-que-tudo e por fim sobreviver às obras de requalificação do Cacém.
O Cacém está inserido num programa chamado Polis, que visa a intervenção de requalificação urbana. A intervenção será feita ao nível da requalificação da Ribeira das Jardas, criação de novos acessos, espaços verdes, renovação de arruamentos e reorganização do parqueamento.
Na prática esta intervenção traduz-se em obras e mais obras, estradas intransitáveis, ruas fechadas, mudanças de sentido de trânsito. É o preço que se paga, para que no final, se possa usufruir de uma cidade com mais qualidade ambiental e com novos espaços verdes.
As obras
Desta vez a intervenção veio para perto da minha casa (Quadruplicação da linha férrea e baixa do Cacém). O caminho de casa para a estação vai sofrendo alterações, o cenário é sempre diferente, com excepção da poeira, das cargas e descargas de material e da azafáma de quem trabalha nesta requalificação.
Caminho até á estação
Com tantas obras vou tentando sobreviver no Cacém.
24
11
2008
Numa terra onde só há duas estações bem marcadas, o Outono e a Primavera passam quase despercebidos. Sabemos que já passaram quando reparamos nas árvores que, na semana anterior, tinham um aspecto diferente.
Num dia as árvores ostentam as suas folhas baças na ponta de ramos ressequidos. No dia seguinte explodem, numa festa de fogo-de-artifício colorido. Vermelhos e amarelos vivos contrastam com o verde empoeirado das folhas que acompanharam o cacimbo.

A Primavera já por aqui passou
Outra marca deixada pelo Verão é a luz. Durante meses vivemos num mundo Hergé, sem sombras de qualquer espécie. O Sol perpetuamente alto e um céu coberto esbatem tudo. Luz ideal para retratos, dirão alguns, esconde rugas e papadas. Luz ideal para perdermos a noção do tempo, dirão outros.
Agora, que o céu descobriu e mostrou que pode ter nuvens em vez de nevoeiro, a paisagem ganha profundidade. As sombras nunca são longas, mas apercebemo-nos de que já tínhamos saudades delas.
Até os edifício mais singelos ganham uma beleza antes desconhecida. São-nos familiares, mas agora gostamos mais de os ver.

Morro de salalé para gente
O novo vigor do Sol mostra que as estradas de terra vermelha podem fazer jus a uma terra tão rica como esta, transformando-as em caminhos cobertos de ouro, que refulgem a cada curva.

Estrada para o Eldorado
Até os embondeiros, vaidosos, começam a fazer crescer umas folhinhas tímidas no alto dos seus ramos desgrenhados. As múcuas novas vão despontando, preparando-se para um longo crescimento.

Despedindo-se do Inverno
23
11
2008
Morar em Luanda é uma experiência estranha. A sensação de que se está num país estrangeiro nunca chega a ser completa. A cada canto encontramos alguma coisa que é tão autenticamente portuguesa, que nos leva a crer que os últimos quarenta anos não tenham passado de um engano na História. Como podem as coisas estar assim?
Algumas estátuas foram retiradas e os nomes das ruas foram mudados, tal como aconteceu em Portugal após a revolução de Abril, a tal que selou o destino das províncias ultramarinas. Mas depois, porque as atenções estavam voltadas para coisas mais importantes, como o avanço das três forças, tudo o resto ficou como estava.
Os edifícios coloniais ainda marcam a fisionomia da cidade, dando a tudo um aspecto familiar.
No entanto, estes edifícios não identificam apenas o tempo do colono. Cada um deles tem as marcas deixadas pelos sonhos das pessoas que lá viveram. As casas não foram só sítios onde se morou. Viveu-se lá.
Não é de estranhar que se encontrem pequenos pormenores que identificam os antigos ocupantes. Um nome na fachada ou um painel de azulejos remetem-nos para uma época em que aqui se fazia a vida, não esquecendo o que se tinha deixado, mas sem vontade de voltar.
No meio de tantas recordações alheias, que nunca serei capaz de compreender completamente, por vezes surge uma que me toca mais. Costumam ser as mais singelas, como uma data escrita na casca de uma árvore ou um letreiro apagado. Um dia destes foi um painel de azulejos. Avivou-me as saudades de casa…

Palácio da Pena, em Sintra. Estou perto de casa!