Aerograma

Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

11 2008

Uso do triângulo

As coisas de pré-sinalização têm muitas formas e feitios, mas o triângulo de pré-sinalização não tem substituto quando chega a altura de assinalar um carro rebocado.

O medo de que seja atropelado por um condutor mais incauto (todos), leva a que nem sequer seja colocado no chão. Fica em cima do carro, seguro por uma mão firme.

O passageiro segura o triângulo laranja sobre o tejadilho e todos sabem que devem contar com um cabo, corda ou trapo a unir os dois carros, como se de um cordão umbilical se tratasse.

Na estrada de Benguela, um chinês não estava a par desta particularidade ou não prestou atenção ao sinal. Ultrapassou o camião que estava a ser rebocado, emaranhou o carro no cabo e acabou por morrer esmagado. Quando passámos pelo local do acidente, ambos os camiões ostentavam o triângulo…

Não deixa de ser curioso como, numa terra onde cada um se vai safando como pode no trânsito, ainda haja a necessidade de assinalar este obstáculo imprevisto.


Mensagem clara

A descontracção com que os condutores, tanto do reboque como do rebocado, executam a tarefa demonstra plena confiança na técnica. Poderá não ser inteiramente legal, mas também não será inteiramente ilegal e ninguém parece importar-se com isso.

Pelo sim, pelo não, é sensato não ultrapassar só o carro de trás…


11 2008

Três tentativas para a Muxima

Antes de partir de férias, lá na Pátria, resolvi aproveitar o meu último fim-de-semana sozinho por terras angolanas.

Umas semanas antes tinha tentado atravessar o Kwanza para ir conhecer o Santuário da Muxima, que julgava ser a versão angolana do Santuário de Fátima. O trânsito caótico para Sul fez-me desistir do plano e acabei por ir conhecer a Cabala e a sua jangada.

Na minha segunda tentativa, pus em dia as operações STOP que estava a dever ao Estado Angolano. Três no mesmo dia é obra. Consegui o mais difícil, sair de todas sem pagar gasosas.

Como ainda é longe e há um longo troço de estrada de terra batida, é preciso sair bem cedo. Acordei tarde e pensei que devia encurtar o passeio até ao Parque da Quissama, para fotografar um sítio com um nome que nos atiça a curiosidade, a Baixa da perna do Jacaré!

Pus-me a caminho. Parei na Xilombo para comprar almoço. Um choco grelhado pareceu-me a escolha acertada. Levei o tupperware que lá tínhamos comprado.

Ainda antes de chegar ao Kwanza encontrei mais uma operação STOP. Não me pararam porque estavam ocupados com um camionista. Não cheguei a gozar este momento de felicidade. Meia-dúzia de quilómetros mais tarde, chegou a minha vez de mostrar os documentos. Voltei a não contribuir para o bem-estar financeiro do agente da autoridade.

Barra do Kwanza. Portagem. 210 Kz. Ponte sobre o Kwanza. Empurrado para a berma, está um velho blindado com a metralhadora enferrujada a fingir guardar a ponte. Mesmo muda, o seu olhar gélido nas nossas costas continua a impôr respeito e a deixar-nos com uma sensação desconfortável. Província do Bengo.

Cheguei cá depressa. Passo pela placa que indica o Parque da Quissama e a perna do jacaré. Consulto o GPS. Faltam cerca de 25 km para o caminho da Muxima. É só mais um quarto de hora… Sigo para Sul.

No início do estradão para a Muxima, a sexta operação STOP em dois dias. Os cones no meio da estrada e o polícia na berma não enganavam. Para virar para a Muxima tinha de passar pelo meio dos cones, o que é proibido. Pior, tinha de pisar o traço contínuo. A falta de concordância da placa que indica a Muxima com o resto da sinalização é esquisita. Tomei uma decisão. Antes de ser mandado parar, parei eu e interpelei o polícia.

«Para a Muxima pode-se virar aqui?»

«Sim, é por essa estrada mesmo.»

«Mas posso virar aqui?»

«Sim, é por aí para a Muxima!»

«Mas está aqui um traço contínuo. Posso virar?»

«Sim, pode ir!»

Passei pelo meio dos cones, pisei o contínuo e ainda tive direito a um aceno de despedida por parte do polícia.

Entrei no estradão de 120 quilómetros que liga a costa ao Santuário da Muxima.


Uma risca vermelha a perder de vista

Como já se estava a meio da tarde e a fome apertava, resolvi parar na berma da estrada e dar ao dente. O choco e a salada chamavam por mim.


Mesa Jimny

Depois de uns minutos a retemperar as forças, voltei à estrada. Está a ser recuperada por mais uma firma chinesa. Tem troços estupendos misturados com outros bastante maus. É estranho é que se esteja a reparar a estrada apenas a alguns meses das chuvas de Verão. Assim que acabarem, estraga-se.


Ao fim de um longo caminho, a Muxima parecia estar perto

À medida que me embrenhava em África, os indícios de civilização começavam a ser cada vez menores. Menos lixo, menos casas, menos carros. A vida selvagem tornou-se mais afoita, menos receosa do bicho homem. Vi rapinas, cobras e lebres. Acabei por parar para apreciar um bando de macacos.

Mais umas curvas na estrada e o Kwanza surgiu atrás de um monte. Logo a seguir veio a povoação e, no fim da praça, o Santuário.


A Igreja

Quando cheguei ao adro, as mulheres tinham acabado de varrer a Igreja. Agora estavam ocupadas a lavar o templo antes da oração da tarde. Achei por bem respeitar o culto e a limpeza e não entrei. Haverá outras oportunidades para fotografar.

Subi o morro até ao forte colonial. Até há uns anos estava quase em ruínas. Agora sofreu algumas obras de recuperação e está de cara lavada. Contrasta com outros monumentos lá para os lados de Luanda.


1655

Os velhos canhões repousam no chão, enferrujados e entupidos. Guardam um cotovelo do Kwanza que já não é alvo de Holandeses cobiçando Angola aos Portugueses. Canhões portugueses e franceses guardam um forte angolano da cobiça de navios holandeses. É bizarro.


Espreitando o Kwanza

Como não se chegou a construir apoios novos para os canhões, todos eles estão mais ou menos no sítio, dando uma ideia de como não usar um canhão.


Canhão a caminho

O maior contraste da Muxima com Luanda é mesmo o lixo. Aqui não há. Os poucos caixotes que se vêem são usados e apenas nos matos se conseguem encontrar os omnipresentes sacos de plástico.

A fortaleza está imaculada. A limpeza do templo estende-se até ao cimo do monte. Vêem-se algumas vassouras do tipo tradicional prontas a ser usadas. Não há latas nem embalagens à vista. Nalgumas guaritas há velas acesas. Algumas estão assentes sobre notas de Kwanza. Pequenas, claro.


Em todo o lado há uma vassoura

O forte está numa posição estratégica. Um cotovelo apertado do rio parece ser o local ideal para se colocar alguns canhões e impedir que gente mal-intencionada suba o rio.


O grande Kwanza

Com o Sol a descer no horizonte e ainda muitas horas de viagem pela frente, fui dar uma última vista de olhos à Igreja. Há alguns pormenores interessantes. À semelhança do que acontece em Ganda, o templo é o edifício mais bem conservado da povoação.


Os arcos nos contra-fortes

Por ser já tarde, pus de parte a ideia de voltar pela Cabala. A jangada que permite fazer a travessia do rio Kwanza só funciona até às 15h30 e já eram quase 18h. O percurso é bonito, por isso não há problema. Mesmo assim, o caminho de volta, com a mesma extensão que o de ida, pareceu-me bem mais curto. Ver entardecer numa paisagem quase despovoada é algo de poético.

Um pouco depois de sair da Muxima, dei boleia a um homem. Queria ir até ao bairro seguinte, onde morava. Quinze minutos depois, desceu. Tinham sido onze quilómetros. A pé, teria demorado perto de três horas e chegado a casa já com toda a aldeia a dormir.

O resto do caminho fi-lo por entre embondeiros e pares de pequenos olhos que brilhavam à passagem dos faróis. Senti-me em África. Pelo menos até avistar Luanda.


Guarda-de-honra com embondeiros


31  10 2008

Bichos

Em Luanda, como em grande parte de África, há muitos cães. Cada esquina tem o seu e há alguns becos com pequenas matilhas. Todos têm o mesmo aspecto macilento, de rafeiro empoeirado, filho de primo, tio de si mesmo e avô do seu irmão.

À semelhança dos humanos com quem vivem, também compartilham a miséria. Na capital, poucos são os cães com ar saudável. Curiosamente, ao contrário dos humanos, ainda não vi cães ricos.


Vendo Luanda passar

Nos musseques, as orelhas dos bichos competem com as ruas em número de buracos. Em animais cobertos de pó encontramos sempre duas manchas vermelho-vivo a adornar a cabeça. Não se trata de vaidade. A tinha, a sarna e as larvas das moscas deixam a sua marca.

Os cães, quando estão doentes, deitam-se à espera. Esperam a cura ou a morte. Uma delas é garantida. Nas ruas vêem-se muitos cães magros só à espera, apáticos. Corre o boato de que chineses e coreanos compram os rafeiros menos doentes…

Tal como os angolanos de dois pés, os de quatro patas são quase todos novos. Muitos cachorros com ar assustado percorrem as ruas. Fogem do trânsito, das pedras que os miúdos lhes atiram e dos porcos com quem competem pelo lixo com que se alimentam. Têm medo. São esquivos e ao menor pretexto desatam a ganir atrozmente enquanto fogem de rabo-entre-as-pernas. As cadelas, que andam sempre prenhas, vão procurando alimento nos montes de lixo e bebendo do que escorre das valas. As ninhadas são grandes mas poucos sobrevivem às primeiras semanas.

A caminho da Praia do Bispo, logo abaixo da Fortaleza de Luanda, na antiga Praia do Sol, entretanto já desaparecida, costumo ver um miúdo que passa o tempo sentado na soleira do portão do quintal. Ao colo costuma ter um cão amarelo. Várias foram as vezes que me arrependi de não ter a máquina fotográfica comigo, para imortalizar aqueles dois amigos.

Os poucos cães velhos que se vêem ostentam cicatrizes feias, de atropelamentos menos trágicos. Ninguém abranda ou desvia o carro por causa de um peão, quanto mais por um cão. O cão no meio da estrada é tratado como mais uma lata de cerveja vazia, à qual se aponta a roda do carro. Se se desviar, muito bem, se não, tanto pior para a lata. Ou para o cão.


Reciclagem com pernas

Os que ficam no meio da via depressa se transformam num papa indistinta que só dificilmente acreditamos que já foi um cão. Os que morrem nas bermas escapam a esse destino. É frequente ver cães a guardar os cadáveres e, por vezes, a tentar empurrá-los para longe da estrada. É impossível não fazer comparações com emoções humanas…

Um pouco fora do centro de Luanda, vemos alguns rebanhos de cabras. Nunca são muito numerosos porque a carne de cabrito tem muita procura. O cabrité , carne de cabrito grelhada, é um prato habitual e sempre são cinco milhões de pessoas a comer. Dizem também que há poucos gatos em Luanda por causa do cabrité… pelo sim, pelo não, da próxima vez pergunto se o cabrito miava quando era vivo.


Cabrité em bruto

Os vendedores que ganham a vida no meio das filas de trânsito, entre outras coisas, vendem coleiras e trelas. A princípio achei estranho, porque não via ninguém a passear cães na rua.

Quando comecei a reparar mais nos pormenores e menos nas generalidades, apercebi-me que os nossos vizinhos têm dois na varanda. Na rua há mais uns quantos e, se tivermos sorte, podemos ver crianças a passeá-los.

Na província, não há trelas e as coleiras resumem-se a um baraço. Os cães são tratados com alguma indiferença, mas são considerados os melhores amigos. Chora-se mais a perda de um cão do que a de um cabrito, embora o cabrito valha dinheiro e o cão não. Partilham o mesmo ar temeroso dos cães de cidade, mas estão menos magros e com o pelo bem mais lustroso.

Os porcos que se vêem nas ruas, estão-se nas tintas para o trânsito, para as pessoas e para os buracos com lama. Todos se desviam deles. Numa terra onde a lei do mais forte ainda vai reinando, eles estão no topo da hierarquia. Se vemos um monte de lixo a mexer, podemos apostar que do outro lado há um porco a revolver as coisas.


Foge coelho, foge

As galinhas, omnipresentes até nos jardins dos edifícios públicos, vivem num limbo. Não se lhes presta atenção até ao dia em que vão para a panela.

A poucos quilómetros de Luanda já se encontram bandos de macacos nas matas. Por já saberem o que os espera, fogem das pessoas assim que as vêem, lançando gritos de alarme CAH! CAH! CAAH! Os pássaros, confiantes da sua vantagem aérea, esperam até mais tarde. Aguardam pelo momento em que lhes apontamos a máquina fotográfica e levantam voo no preciso instante em que decidimos carregar no botão.

No mercado de arte há sempre alguém com um pequeno macaco cinzento para atrair os compradores. O macaco também está à venda.


Vizinhos

Adenda: A Karima relembrou-me as palavras sábias de Gandhi, que dizia poder-se avaliar a cultura de um povo também pela maneira como trata os seus animais. Os angolanos tratam os animais como podem. Três décadas de guerra apagaram várias gerações e com elas, muita cultura. Daqui para a frente só pode é melhorar.


30  10 2008

E agora, obras!

Depois de terem andado a partir os lancis, chegou a vez de espalhar um novo tapete de asfalto na rua toda. Foi bem mais rápido do que poderíamos esperar. Ainda nem tinham acabado de refazer os passeios.

A meio da noite um megafone incita os condutores a retirar os carros da rua. Muitos berros, correrias e buzinadelas depois, a rua estava quase vazia.

Vim à rua ver o início dos trabalhos. Sobravam ainda um ou dois carros.

«Kota, não vais tirar o teu carro?» perguntou-me um dos seguranças.

«Não, o meu já está na rua de trás.»

«Aquele é do indiano gordo, que mora ali em frente.» elucidou outro.

«DONOS DO TOYOTA E DO SUZUKI. VENHAM RETIRAR AS SUAS VIATURAS!» resmungou o megafone com mais insistência.

O indiano gordo lá veio buscar o carro dele. Sobrava o Suzuki…

«SUZUKI PRETO. VENHA RETIRAR A SUA VIATURA! VENHA RETIRAR A SUA VIATURA!» insistia o megafone.

Não veio.

Foi retirada. À bruta, diga-se.


E depois, asfaltou-se


29  10 2008

Os seus documentos e os da viatura, por favor!

Tinha tudo planeado para ir fazer uma visita ao Santuário de Nossa Senhora da Muxima, a cerca de 200 quilómetros de Luanda. O farnel estava arrumado, as rotas traçadas e carregadas no GPS. Faltava atestar o carro e partir bem cedo.

As coisas começaram logo a correr mal quando, depois de uma semana a aturar obras debaixo da janela até às duas da manhã, dormi onze horas de seguida. Levantei-me repousado, pelo fresquinho da manhã, julgava. Afinal já era o morno da tarde e o meio-dia tinha partido há um bocado.

Se encurtasse a volta até às margens do Cuanza, até um sítio com o poético nome de Baixa da perna do jacaré, o dia ainda se aproveitava. Pelo menos podia fazer fotografias bonitas. Só faltava mesmo atestar.

As bombas perto de casa, habitualmente pouco concorridas, pareciam estar a vender combustível com desconto, tanta era a gente. Mais à frente percebi porquê. As mais concorridas estavam a ser reabastecidas. Haveria mais oportunidades pelo caminho.

Havia muitos militares na rua, mesmo nas avenidas onde não costumam aparecer. Será que o Zé Dú vai zungar?

Os engarrafamentos que me tinham feito desistir do passeio na semana não me apoquentaram desta vez. Havia zonas em que se andava mais devagar, mas nada de especial para Luanda.

Carros da polícia por todo o lado. Muitos a rebocar as esquadras móveis, uns atrelados que transportam tudo o que é necessário para uma operação STOP.

Em frente ao edifício do Controlo da Polícia, onde vai começar a nova estrada circular para Viana, cones laranja, coletes amarelos e luzes azuis a piscar. Habitualmente a polícia de trânsito usa coletes laranja. Estes eram amarelos porque pertenciam à polícia de prevenção rodoviária!

Como não podia deixar de ser, fui carimbado! Mas hoje foi de borla.


O “carimbo”

Toda a gente era interpelada. Ao contrário do habitual, não pediam documentos ou contribuições para o bem-estar dos agentes. Estavam a entregar panfletos de sensibilização e a desejar uma condução cuidada aos motoristas. Depois colavam um autocolante no vidro, que nos relembra a lição.

Fiquei muito bem impressionado com a campanha. Em vez de se fazer como nas terras lusas, onde se gasta dinheiro para decidir onde se vai espetar um cartaz a repetir os chavões gastos. Um a um, os motoristas prestam alguns segundos de atenção ao polícia e recebem quatro panfletos bem interessantes.


Atrás do cartaz, uma ribanceira cheia de destroços

Continuei para sul. A estrada foi asfaltada de novo nos quilómetros que se seguem ao Morro dos Veados. Tem marcações, sinais e asfalto em condições. Nem parece que estamos em Luanda.


O primeiro, para criar ambiente

Na curva a seguir ao Museu da Escravatura, está um camião a voltar à estrada depois de uma operação STOP. Olhei pelo espelho, não vinha ninguém atrás. Bonito, já me saiu a sorte grande.

Certo e sabido, a raquete do polícia de colete laranja começou a indicar-me um local para encostar.


A tabela

«Boa tarde. Os seus documentos e os da viatura, por favor!»

Como sempre, as várias dobras e páginas em línguas estranhas da carta de condução internacional, deixam os polícias sem saber muito bem o que fazer com o documento. Abre daqui, folheia dali, desdobra acolá, volta a dobrar, dar a volta, ver a capa, abrir outra vez.

«Sabe onde foi assinada a Conferência Internacional de 1949?» perguntou o polícia, apontando para a capa da licença de condução.

«Não faço ideia.» respondi, rindo-me para dentro. Enquanto o ar demasiado oficial do documento causar estas reacções, estou safo. O passaporte e respectivo visto acabou por esclarecer o resto das dúvidas.

Mandou-me seguir viagem. Continuei para sul. Agora só paro no Cuanza, pensei.


O acondicionamento da carga nem sempre é o ideal

Nem cheguei a engrenar a quarta. Na curva seguinte, outra operação STOP! O que se passa hoje? Estavam sem nada que fazer e vieram dar uso às esquadras móveis? Desta feita eram coletes amarelos outra vez. A raquete a agitar-se não deixou margem para dúvidas. Parei de novo.

«Boa tarde. Os seus documentos e os da viatura, por favor!»

«Nos últimos dez minutos já fui parado três vezes, tenho direito a prémio?»

Desta vez apanhei um misto da primeira e da segunda operações. Era acção de sensibilização, mas também queria ver os documentos. E o macaco. E a chave de rodas. E o triângulo.

Como não havia nada a apontar, mandou-me seguir viagem, mas não sem antes verificar se tinha o “carimbo”. Mostrei-lhe onde mo tinham colado e arranquei.


Se fosse só por causa do telefone que não se pára nas passadeiras…

Fiquei sem ânimo de seguir viagem. Ainda para mais, na última bomba de combustível até ao Cuanza já não havia gasolina. Fiz meia-volta e só parei para uma visita rápida ao mercado de arte. Amanhã é outro dia!


A polícia também não gosta das coisas de pré-sinalização


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