Aerograma

Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

11  09 2008

Juntaram-se todos para me tramar!

Quem viaja de comboio na linha de Sintra percebe bem esta realidade.

O mês de Setembro trouxe muitas alterações para quem viaja de comboio. Os passes combinados deixaram de ter senha e são carregados ao estilo do que se passa no Metro e na Carris (adoptou-se o conceito do Lisboa Viva na CP). É claro que a validação agora é mais demorada, porque cada passe é validado numa máquina própria e isso demora mais tempo que o habitual. Para além desta grande mudança, o mês de Setembro é também um mês em que muitos regressam aos seus trabalhos depois das merecidas férias. É notório nos horários de ponta mais gente nos comboios.

Ontem, no regresso a casa vim acompanhada pelo meu colega Jorge e é sempre uma emoção viajar com ele. Este meu colega sente que todos os utentes da CP se juntaram para o tramar. Passo a explicar: ele entra no comboio e há sempre alguém que perturba o seu sossego ou invade o seu espaço.

Depois de termos apanhado o comboio, que já vinha com atraso, ocupámos os nossos lugares (de pé, claro), na paragem seguinte houve uma senhora que ficou ao lado do meu colega e mal se chegou perto dele deu-lhe com o saco das compras nas pernas. Depois desligaram as luzes do comboio, ele ficou ainda mais mal disposto (eu, para descontrair disse que CP estava interessada em criar um ambiente mais romântico). Umas estações mais à frente sentámo-nos, mas nisto uma senhora ficou de pé junto ao meu colega e ele disse-me que ela estava em cima dele e que ele não tinha mandado vir nada. Finalmente ele chegou ao seu destino e como sempre mal disposto.

Mas muitas outras peripécias já presenciei, desde crianças eléctricas que, no regresso a casa, ao brincar caem para cima dele, desde senhoras que se sentam ao lado do Jorge e que lhe enchem o fato de pêlos dos casacos ou outras que para além do lugar delas ocupam parte do lugar do meu colega… Como vos dizia é sempre uma emoção viajar com ele, porque nunca sabemos que mais andarão os utentes a tramar contra ele.


11  09 2008

No xilombo da Tia Teresa

Numa das nossas excursões até ao choco grelhado da Xilombo, acabámos por ir almoçar à casa de uma das suas vizinhas. A Xilombo não tinha mesa nem choco para nós.

Recomendou-nos a sua amiga Teresa, que também grelha peixe e choco num tambor de óleo velho.

Almoçámos no pátio da casa, resguardado da rua por um portão azul. Mais sossegado que o mercado de arte, mas sem o encanto da árvore da Xilombo.

Tradição

Tinha uma vida diferente. No pátio da Xilombo há uma fábrica de sofás. Aqui há uma capoeira e um depósito de correias de automóveis. Pensámos que não havia crianças, mas afinal estavam escondidas e eram muitas!

Irmãos, primos e afins

Foram elas quem achou mais piada à nossa refeição. Éramos a novidade. O primeiro a aparecer foi o Cámio. Disse-nos o nome, mas teve vergonha de dizer que só tinha três anos.


Cámio, o curioso

Depois vieram outras. A Elsa, a Ju, a Sandra, o Artur…

No chão, ao lado da mesa, mãos experientes tinham equilibrado uma panela numas pedras. As brasas tratavam de apurar a versão angolana da cachupa.

Cozendo lentamente

A mais-velha da casa tomava conta da panela.Ocasionalmente levantava a bacia de esmalte que fazia de tampa e espreitava o andamento das coisas. Ajeitava a lenha e tapava tudo outra vez.

A mais-nova

Quando o fumo da lenha começou a afugentar as moscas da mesa, achou que ficaríamos melhor se retirasse a lenha. Dissemos que não, que o fumo não nos incomodava e que assim não havia moscas. De nada valeu. A cachupa ficou a meio, o fumo foi-se e as moscas regressaram.

As pequenas coisas revelam mistérios insondáveis

O choco, temperado só com sumo de limão, estava mesmo bom. Como tudo se aproveita, a quantidade de comida é enganadora. Parece pouco quando está inteiro. Depois de cortado continua sem parecer muito, mas depois de se começar a comer, nunca mais acaba.

Choco grelhado, sumo de limão e batatas cozidas

A nossa refeição foi acompanhada de perto não só pelas crianças, mas também pela cadela que estava presa ao fundo do pátio, pelos muitos pintos que nos pisavam e pelo lagarto que se aquecia ao Sol ao nosso lado.

Observando atentamente

O R. armou-se em valente ou em herói de Shaolin, não sabemos bem, e experimentou baptizar o choco com gindungo. Passado um bocadinho, estava ranhoso, choroso e suado.

Experimentei uma minúscula gota desse picante. Posso dizer que não fica muitos pontos atrás do picante do Jaipur, em Lisboa.

«Antes o choco que eu»

Desta vez tivemos direito a sobremesa. Um pouco antes da Xilombo estava um camião carregado de abacaxis de Benguela. Comprei um dos pequenos por 200 Kz.

Só ficaram as espinhas

Era docinho e sumarento. Não podiamos ter pedido melhor.


É preciso lavar as mãos antes de comer

Entretanto a Xilombo juntou-se a nós. Quis assegurar-se de que não perdia clientes para a concorrência. Aproveitei para lhe dar a fotografia de há umas semanas. Quando a viu a, pensou logo em mandar ampliar e perguntou porque só se via a cara. A fotografia original tinha sido cortada para não haver tanto fundo, mas já ficou prometida uma cópia por inteiro.

Xilombo e tia Teresa

A Xilombo é muito vaidosa. E gosta de fotografias. Não foi preciso perguntar se podíamos tirar mais umas. É claro que sim! Agora até trazia um penteado novo… temos é de lhe trazer umas cópias!

Pose a três quartos, à modelo

A tia Teresa não nos achou europeus típicos. Aliás, até perguntou se já estávamos em Angola há muitos anos. Os brancos não costumam sair das suas rotinas e vir comer estas coisas, aos pátios das pessoas que cá moram.

«Para nós isto é normal. Desde que haja comida e uma cerveja, tudo está bem!» dizia a Teresa, entre dois tragos da garrafa de Eka.

A conclusão a que se chegou é que a maior razão de alegria eram as pequenas pernas a correr à nossa volta. Em Angola crianças é o que não falta. Assim a alegria não se acaba.

A Xilombo queria que lhe trouxessemos roupas de Portugal, porque eram diferentes, mais bonitas que as de cá… a Teresa apoiava-nos e dizia que agora eram iguais em todo o lado.

Haja alegria

Agora estamos divididos. Xilombo ou Teresa. Temos de passar a atirar uma moeda ao ar…


10  09 2008

Candongueiros e as coisas de pré-sinalização

Duas baterias a sinalizar o perigo, um traço contínuo numa curva, um camião cisterna na mão contrária… que fazer, que fazer?

Parar? Seguir? Arriscar?

Se conduzires uma Hiace (ler iáce) com a metade de baixo pintada de azul-cueca, a resposta é óbvia:

Atropela-se uma das baterias e circula-se na mão contrária até que o camionista se comece a chegar para a berma. Depois passa-se no buraco da agulha.

Inexplicável


09 2008

Rescaldo eleitoral

O Domingo que se seguiu às eleições amanheceu morno, como se se tratasse do prolongamento natural do ambiente que se vive desde Sexta-feira.

Os resultados vão chegando a conta-gotas, mostrando aquilo que já se esperava, uma vitória esmagadora do MPLA. Nalgumas províncias, a UNITA nem sequer chega a ser a segunda força política porque o povo não esqueceu quem recomeçou a guerra e os actuais dirigentes foram incapazes de se distanciar o suficiente desse episódio negro.

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Angola já votou

A meio da manhã gerou-se alguma algazarra na rua. A princípio pensei ser um grupo mais ruidoso a passar, mas o barulho persistiu. Era como que uma discussão acalorada, mas com muitas pausas pelo meio.

Fui espreitar à janela.

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Domingo de manhã

No lote vazio, em frente, alguns rapazes disputavam uma partida de futebol. Como bons jogadores africanos que são, jogam mais com a boca do que com os pés. Estes jogos têm sempre um colorido muito especial. A partida de hoje era importante, servia de prelúdio para o jogo da Selecção Angolana, os Palancas Negras contra a equipa do Benin.

À tarde, toda a gente parou para escutar o relato ou assistir à partida num televisor instalado no meio da rua, com os vizinhos.

Começo a pensar seriamente se o dia das eleições não foi escolhido criteriosamente para evitar confusões. Depois de uma semana em que houve mais folgas que dias de trabalho vai-se votar e, ao mesmo tempo que os resultados saem, tem-se um jogo de futebol que faz esquecer todos os outros problemas. Segunda-feira é dia de trabalho… assim não há confusão!


09 2008

Amigos…

Esta nova etapa da minha vida não tem sido nada fácil… sempre que me perguntam como estou, respondo sempre da mesma maneira: “Há dias de tudo…”. Na verdade para mim todos os dias são tristes, desde que o Afonso partiu, na altura senti que me arrancaram um pedaço de mim, e como podem imaginar isso doi, não doi na carne, mas doi na alma.

Mas nem tudo é mau, fiz muitas descobertas, descobri pessoas na minha vida que me deram muita força, e essa força surgiu de onde menos esperei … isso para mim tem muito valor, obrigado a todos (não vou nomear ninguém para não deixar ninguém de fora, mas foram muitos, desde amigos do Afonso, a professores do ginásio, a geocachers…). Claro que o contrário também se passou… como seria de esperar… mas não fiquei desiludida.

A família também tem dado uma grande força a mãe, o pai, as manas e claro outros que neste momento também os considero da família e que muito me ajudam a Raquel, a D.Célia e a Mariana.

A todos eles dedico este post. Obrigado meus amigos!

“Um amigo é um bem um tesouro que se tem, sois vós luz das estrelas que nos guiam mais além, são momentos bons e maus nesta estrada percorrida, digo mais não vos trocava por nada nesta vida”


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