16
08
2011
Sortelha é uma das Aldeias Históricas de Portugal. Ficou razoavelmente preservada porque foi abandonada. A população começou a construir as casas fora das muralhas, onde tinha mais espaço e a velha aldeia foi deixada livre de atentados arquitectónicos com os que vemos na parte nova.
Porta da Vila
Grande parte das ruínas foi recuperada, embora com alguma liberdade artística no que toca aos telhados, mas o conjunto continua a ser interessante.
Foi um importante castelo, que dominava o último vale da Cova da Beira e impedia o acesso ao planalto do Sabugal. Agora parece perdido no meio do nada, com as estradas a desviar as rotas para longe.
As dezenas de aerogeradores que por estas partes foram erguidos nos úlimos anos quebram esta sensação de isolamento e desfeiam muito a paisagem rude a que Sortelha nos habituou ao longo dos séculos, mas temos de conviver com eles.
15
08
2011
No coração da cidade velha, cercada pela muralha fernandina de que hoje quase nada resta, está um imenso bloco de granito de traça românica chamado Sé de Lisboa.
As pequenas frestas que lhe servem de janela pouca luz deixam entrar, pelo que o interior está sempre mergulhado numa penumbra fresca apenas quebrada por algumas velas e pelas poucas rosáceas existentes.
É templo antigo, que assenta sobre vestígios ainda mais antigos. O jardim do claustro foi escavado para por a descoberto parte da cidade moura e, abaixo dessa, um pedaço da cidade romana.
Sé de Lisboa
Vale a pena visitar, nem que seja para procurar os dois tabuleiros do jogo dos moinhos existentes no claustro.
14
08
2011
Há meia dúzia de anos, talvez mais, talvez menos, calhou que o trabalho me levasse a Mértola, que é uma terra simpática para visitar. Infelizmente, cheguei num dia aziago para alguns.
Depois de instalar um receptor GPS num vértice geodésico tentei chegar ao local do trabalho e deparei-me com uma rua cortada ao trânsito, por sinal a única que dava acesso à que eu pretendia.
Andaime tombado
Um andaime tombou com o vento para cima de três automóveis estacionados. A dona de um deles, que tinha vindo ver a que se devia o estrondo, estava sem palavras, a olhar para o carro esmagado. Os restantes proprietários vinham a caminho e chegaram um pouco mais tarde.
Espreitando pelo meio dos ferros torcidos conseguia-se ler um cartaz – «É favor não estacionar perto do andaime. Queda de objectos».
13
08
2011
Antes de se estabelecer o sistema internacional de pesos e medidas havia, naturalmente, necessidade de todos usarem os mesmos padrões para medir pesos e comprimentos.
Como as deslocações de vendedores e compradores não eram muito grandes, cada povoação tinha as suas medidas próprias, baseadas mais ou menos nas tidas como oficiais. Cada aldeia tinha o seu alqueire padrão de capacidade semelhante aos das aldeias vizinhas, mas que podia variar muito consoante a distância aumentava. Resistem ainda nas paredes dos edifícios mais mais antigos as medidas oficiais de comprimento de cada vila.
Côvado oficial
Na Igreja da Misericórdia do Sabugal, do lado oposto ao da que é hoje a rua principal, uma velha pedra lavrada no séc. XIV, ainda com as cruzes templárias da época de D. Dinis, ostenta um côvado padrão com cerca de 66 cm – o côvado leonês. Côvados há-os de todos os tamanhos, e podem variar mais de 20 cm entre si, por isso era necessário que junto de cada mercado houvesse uma medida oficial. O mercado da Sabugal medieval era a poucos passos daqui.
O uso da medida leonesa justifica-se porque as terras de Riba-Côa, anteriormente pertença ao Reino de Leão, passaram para Portugal no reinado de D. Dinis com a assinatura do Tratado de Alcanizes.
12
08
2011
Já há muitos anos que a EN233 deixou de passar pelo centro de Penamacor. Os viajantes contornam o monte pela variante e limitam-se a espreitar pela janela e ver a torre do castelo. Só os passageiros do expresso para Vilar Formoso, um resquício das rotas da emigração a salto, continua a subir o monte e parar por uns minutos na velha vila.
Posto de Turismo de Penamacor
Certo, certo é que vale a pena subir à vila, nem que seja para beber um café. A vista para a Serra da Malcata e deixa-nos imaginar a importância estratégica deste cabeço em épocas remotas.