27
07
2011
Santa Maria da Feira, cidade próxima de Aveiro, tem um castelo muito curioso. Tem uma torre de menagem cujos cantos são torres mais pequenas, exactamente como os castelos que os ilustradores desenham nos contos de fadas. Este conjunto faz mesmo parte do brasão da cidade.
Castelo de Santa Maria de Feira
Lembro-me de, há muitos anos, toda a gente chamar esta cidade pelo seu nome completo. Agora quase sempre só lhe chamam Feira. Até a indicação na auto-estrada Lisboa-Porto foi abreviada. Os mais desatentos julgam que são duas terras distintas.
26
07
2011
Agora decide-se o nome das ruas antes sequer de terem vida e história próprias. As Câmaras Municipais coleccionam obituários e agrupam-nos em categorias para baptizar as ruas dos novos bairros.
Acabaram-se as ruas com nomes próprios populares. Só as encontramos nas partes mais antigas do tecido urbano. Alguns nomes são de fácil compreensão, mas há outros cujas origens não são tão evidentes.

Rua do Imaginário, em Évora
Mesmo no centro de Évora, a poucos passos da Praça do Giraldo, há uma dessas ruas de nome curioso. É a Rua do Imaginário. Desconheço a sua história, mas penso que só seja adequado que a tente imaginar.
25
07
2011
Aqui perto de casa ainda há alguns resquícios da mata mediterrânica que, em tempos, cobriu toda a região. Os carrascos e as urzes fazem sebes impenetráveis, viveiro de coelhos e ratinhos. No céu é quase certo avistar uma rapina de olho nas clareiras.
Abrunheiro-do-mato (Prunus spinosa)
De vez em quando, perto das ruínas dos moinhos e nas encostas viradas a sul, as silvas e carrascos cedem lugar a manchas de abrunheiros-do-mato, repletos de amargas bagas pretas que nem os pássaros provam.
Asclepias fruticosa
Há também grandes clareiras deixadas pelo fogo de há alguns anos que se começam a encher de cardos e espécies invasoras, que se propagam mais depressa que a vegetação endémica.
Em certas partes temos a sensação de passear noutro mundo. A terra basáltica é vermelha, cheia de pedras soltas e, pelo meio, crescem as estranhas Asclepias, com os seus frutos em forma de balão translúcido. Dão-nos pelos ombros e agitam-se ao vento como se nos seguissem. São endémicas da África Austral e depressa ocuparam grandes talhões da área ardida.
Plantas armadilhadas
Mais rasteiras ao solo, há outras plantas ainda mais esquisitas. Desconheço-lhes o nome, mas as suas folhas e frutos carnudos que são projectados com força quando se lhes toca fazem deles uma espécie de atracção deste monte.
O primeiro tiro é inesperado. Um pequeno estalo apenas e umas gotas de seiva projectadas bem alto pelo caule agora liberto do fruto, mas depois estamos atentos para ver se não tomamos um banho.
24
07
2011
No Concelho de Odemira, perto de onde morou Amália Rodrigues, a maré baixa é o momento ideal para observar um curioso fenómeno geológico.
Dobras
Há alguns milhões de anos toda esta zona foi apertada e torcida. Depois o mar foi cortando bocadinho a bocadinho, transformando as rochas grandes em areia fina. O resultado foi um ondulado que parece ter sido desenhado com um ancinho de gigantes.
23
07
2011
Olhão foi conhecida pela sua indústria conserveira antes de se tornar apenas destino turístico. Dessa indústria pouco resta, mas não foi a única a desaparecer com o tempo. Junto da pequena aldeia de Marim, já com os pés de molho na Ria Formosa, há um local conhecido por Quatrim do Sul. Lá existiu uma conserveira, salinas para a abastecer e até um moinho de maré.
Moinhos de maré
Os moinhos de maré funcionaram durante séculos, mas caíram no abandono com a chegada da energia eléctrica e das moagens mecânicas. Na maré enchente abriam-se as comportas para que a água enchesse uma lagoa. Na vazante fazia-se a água sair por baixo das mós, para as fazer rodar.
Foram parcialmente recuperados e servem agora de museu, embora o que os rodeia continue a ser uma ruína.