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12
2010
Após um interregno de longos meses, é altura de retomar um dos temas mais pedidos – as aventuras culinárias – devidamente ilustradas com fotografias de receitas mais ou menos inventadas, com ou sem beringelas e banana-pão.
Da última vez, por altura do Natal, as filhoses tiveram direito às luzes da ribalta. Agora, como surpresa para a apresentação do livro, mostro como foram feitas algumas das bolachinhas que poderão ser provadas no Sábado.

Ingredientes
Os ingredientes são poucos. Resumem-se a 200 g de farinha sem fermento, outros tantos de margarina, 60 g de açúcar em pó, uma colher de café de aroma de baunilha e uma pitada de sal.
Com muita convicção, especialmente se o dia estiver frio, ou com uma batedeira eléctrica, mistura-se a margarina e o açúcar em pó até obter um creme homogéneo. O açúcar em pó pode ser feito com açúcar granulado normal e a a ajuda de uma picadora. Depois junta-se o aroma de baunilha e bate-se mais um pouco.

Creme
Mistura-se o sal na farinha e junta-se à margarina e açúcar. Sem grandes pressas, envolve-se tudo até que torne a ser uma massa homogénea e moldável.

Misturando a farinha
Amassa-se um pouco e faz-se um grande disco que se embrulha em película aderente e guarda no frigorífico cerca de uma hora. A massa fica mais fácil de moldar e cortar fria.

Pronta para o frio
Durante a hora seguinte há tempo para escolher as formas com que se vai cortar as bolachinhas. Se não houver moldes à mão, um copo de rebordo fino fará o mesmo efeito.
Na pedra ligeiramente enfarinhada, estende-se a massa com o rolo. O objectivo é ficar com uma placa de espessura uniforme. Entre 6 mm a 1 cm é o ideal. Para facilitar o trabalho, usei dois pauzinhos chineses como guia do rolo. Os mais hábeis ou confiantes nas capacidades de controlo do rolo podem dispensá-los.

Cortando a massa
Entretanto, liga-se o forno e acerta-se o termóstato para os 180º. Convém estar quente quando se começar a cozer as bolachinhas porque senão podem perder a forma enquanto aquece.
Cortam-se as bolachas e colocam-se num tabuleiro forrado com papel vegetal. As sobras de massa tornam-se a amassar e cortar até que se encha o tabuleiro. As quantidades de ingredientes dão para pouco mais de um tabuleiro, dependendo da espessura das bolachas.

Prontas para o forno
Se o tempo estiver quente, coloca-se o tabuleiro um quarto de hora no frigorífico, para que a massa fique mais dura e as bolachas não percam a forma antes de cozerem.
Com o tabuleiro a meio do forno, demoram entre 10 a 20 minutos a cozer. Assim que começarem a mudar para um tom torrado estão prontas. Tiram-se e põem-se a arrefecer numa grelha.

Et voilá!
Os mais gulosos podem mergulhar um cantinho destas bolachas em chocolate derretido e obtém uma imitação de sortido húngaro.
Se ainda não houvesse razões suficientes para vir à apresentação, poder provar o fruto de uma aventura culinária é mais uma.
1
12
2010
A história do João Ratão e da gula que o perdeu tem muitas variantes. Nem sempre morre afogado no caldeirão da sopa. Há até mesmo a versão de que acabou o episódio de barriga cheia e vivinho da silva.
João Ratão e o caldeirão
Numa escola primária à saída de São Tomé, na estrada que liga a Angolares e Ribeira Afonso, os muros têm pinturas alusivas a histórias infantis. Por entre os corpos dos meninos que gritam «Doce! Doce!» aos carros que passam conseguimos descortinar lobos maus, triciclos com pintainhos (uma história nova, concerteza) e a verdadeira aventura do João Ratão.
De barriga cheia
Desta feita, faz sopa na sopa e enche a barriga com um grande naco de queijo. Só esperamos que o lobo mau não o coma quando estiver a dormir.
30
11
2010
Numa ruela estreita junto ao Palácio de Queluz, que o Sol ilumina apenas uns minutos a cada dia, a calçada foi esquecida. No seu lugar improvisou-se um chão feito de sobras de pedras, mosaicos, tijolos e cimento. Está direito e, quando chove, não tem lama, mas daí não passa.
«1ª Q…»
Lá pelo meio, uma laje partida ostenta o princípio de uma gravação. Os restantes pedaços foram dispersos noutras obras sem mestre ou colocados voltados para baixo, impossibilitando que se perceba a mensagem.
Fiquei curioso acerca da sua origem, mas olhando em volta, não se percebe de onde terá vindo esta placa, nem porque razão foi partida. Qual seria a sua mensagem?
29
11
2010
Muito se tem falado acerca da recente crise económica e do que as limitações impostas pelas políticas monetárias acarretam em termos de redução da soberania dos países europeus.
Neste momento há um banco central que emite moeda, como existiam vários bancos centrais a emitir as moedas que se extinguiram com a entrada em circulação do euro. Ao contrário dos bancos anteriores, este não faz empréstimos aos estados, apenas aos banco privados. Os estados, se quiserem financiamento ou emitir dívida flutuante (que antigamente faziam imprimindo mais dinheiro e, por consequência, desvalorizando a moeda), socorrem-se dos bancos privados – os que encaram estes empréstimos como negócios cada vez mais lucrativos.
Os estados são obrigados a financiar-se a juros dignos de agiotagem, graças à linha neoliberal que tem seguido a Europa nas últimas décadas. Os principais benificiários desta política são os bancos alemães que, a coberto da lei do mercado, emprestam à Grécia a 10%, à Irlanda a 9% e a Portugal a 7% – por enquanto. Mas os "mercados" têm as costas largas, porque este esquema não tem nada de original e esta conquista económica da Europa por parte da Alemanha não é novidade.
Moeda única
Há cerca de oitenta anos, com meio continente invadido pelas tropas do Terceiro Reich Alemão, uma das medidas lançadas pelo governo alemão foi a criação de uma espécie de moeda única para pagamentos nos países dominados, os vales da Caixa de Crédito do Reich (RKK – Reich Kredit Kasse).
Estes vales eram moeda legal e tinham de ser aceites em qualquer transacção. Ao invés de um confisco, criava-se a ilusão de um pagamento legítimo. Os bancos centrais dos países eram, por sua vez, obrigados a redimir estes vales e fazer o pagamento do seu valor facial directamente aos cofres do estado alemão, em moeda forte ou ouro. Na Alemanha imprimiam-se mais. A teoria económica vigente era a de que, se a crise chegasse, os seus efeitos deveriam ser sentidos fora da Alemanha, nos países ocupados.
Actualmente, parece que o Banco Central Europeu se limita a emitir moeda que os bancos centrais dos vários países têm de usar para pagar empréstimos aos bancos alemães, por outras palavras, a Alemanha voltou a emitir vales RKK e os outros pagam como podem. O domínio alemão da Europa chegou sem exércitos.
28
11
2010
Se há coisa que me deixe aborrecido é descobrir uma avaria num aparelho que, devido à sua simplicidade, não possa avariar. Sinto-me defraudado. Não são raras as vezes que descubro que não foi o aparelho a avariar, mas sim um qualquer componente acessório que, mal montado, nivelou por baixo a durabilidade do todo.
Aconteceu-me recentemente com um carregador de isqueiro para o GPS. Se peças móveis e com componentes electrónicos rudimentares, tinha tudo para durar mais que o próprio receptor. Mas não durou. Tornou-se um pedaço de lixo por sua livre iniciativa.
Entranha de fora
Certo dia, resolveu deixar de acender a pequena luz vermelha que garante haver corrente disponível. Pior ainda, a corrente que a luz vermelha garantiria haver, também ela estava desaparecida. A primeira suspeita foi a própria ficha de isqueiro, o pior contacto conhecido da história da electrónica. Depois de três fichas experimentadas, o problema só poderia ser do próprio carregador.
Desmontado o dito, novamente se comprovou que o problema ocorre sempre por falta de cuidado na montagem. Um fio, que deveria ligar uma das molas ao circuito, estava agora solto. Pelo aspecto, parece que o tinham soldado com o isolamento e tudo. Um alicate, dois toques de ferro de soldar e alguns minutos para abrir e fechar a caixa foram o suficiente para o compor.