Aerograma

Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

27  11 2010

Falta uma semana

A primeira sessão de apresentação do livro é já daqui a uma semana! Estou em pulgas para que o dia chegue.

Convite

Mais informações: aqui.


26  11 2010

Arte mural

Nos passeios por Lisboa tenho-me cruzado com muitas paredes pintadas. A maioria não é digna de nota. São apenas poluição visual, borrões e cagadelas feitos por quem quer deixar marca, nem que seja para fazer figura de parvo. Mas depois há os verdadeiros artistas, os que demoram mais tempo na obra que o de uma corrida. Alguns pedem autorização para o fazer, outros são de tal maneira bons que ninguém se sente à vontade para os interromper.

Esta última espécie de pintores murais não escolhe os locais ao acaso e duvido que repitam o mesmo gatafunho ao longo de dois quarteirões.

A primeira vez que escrevi sobre o assunto, foi acerca de uma pintura na Azinhaga das Galinheiras, uma zona normalmente associada à degradação urbana e social. Desta vez falo de uma pequena pintura que encontrei num outro bairro lisboeta que se vê cada vez mais abandonado.

Vitral pintado na ruína
Vitral na ruína

Aproveitando a moldura criada por uma janela entaipada, um artista anónimo pintou, entre outras coisas, um vitral. Alfama ficou mais rica, nem que seja porque aquele pátio esquecido ganhou um pouco de cor. As casas devolutas em volta, algumas com perpétuos trapos esfarrapados a secar na janelas, parecem mais vivas e, por uns momentos, julgamos que alguém admira a pintura sempre que assoma à janela.


25  11 2010

Angolanas nuas e beringelas

No início, o Aerograma cresceu em número de leitores apenas por publicidade de boca. Agora, grande parte dos leitores novos chega cá através de uma pesquisa num motor de busca. É a evolução natural de um blog.

Sem surpresas, a palavra “aerograma” é que mais visitantes traz, bem como “beringelas”, graças a uma aventura culinária antiga. Procurando receitas de bolos, relatos da vida em Angola, fotografias de Luanda e outros assuntos aqui tratados, é natural que haja ligações para estas páginas.

No entanto, continuo sem perceber porque razão tanta gente descobre o Aerograma quando procura por “angolanas nuas” no Google. Não é assunto que tenha tratado e duvido que os pequenos excertos que surgem nas páginas de pesquisa deixem a impressão de que aqui há, de facto, mulheres nuas ao desbarato. Talvez, numa qualquer fotografia de um rio, haja uma mulher a tomar banho, não mais que um borrão de meia-dúzia de pixel.

Embondeiro
Angolana nua?

Como já sei que este artigo será visitado por quem procura as famosas angolanas nuas, não resisto a deixar aqui uma fotografia de árvores angolanas despidas – os embondeiros.


24  11 2010

Greve Geral

Sendo patrão de mim mesmo, tenho carta branca para chamar nomes ao chefe. Ele sabe que é tudo verdade e não tem remédio senão perdoar-me. A única parte chata é que o tenho sempre a espreitar por cima do ombro. Por outro lado, tenho a certeza de que quer o melhor para mim e não se atreve a despedir o seu melhor empregado (e o pior também). Paga-me mal, é verdade, mas essa é uma reclamação comum a todos os patrões.

No entanto, apesar desta boa relação com o patrão, hoje faço greve. Não por causa dele, mas porque me sinto cada vez mais espoliado das expectativas de ter, no mínimo, uma vida como as dos meus pais. Parece que esta geração que começou a trabalhar quase na viragem do século não se poderá orgulhar de uma vida melhor que a da geração anterior.

Faço greve, não por ver goradas as minhas expectativas, mas por saber que são goradas para que não se toque nas expectativas dos accionistas dos bancos. Faço greve, não porque a minha paragem deixe marca, mas porque é a minha única arma de protesto.


23  11 2010

Um eléctrico na serra

Dos vários meios de transporte público existentes em Lisboa, talvez o mais apropriado ao centro da cidade seja o eléctrico. Adapta-se bem às ruas sinuosas e incomoda muito menos, em termos de ruído e gases de escape, que os autocarros. Devido às mudanças ocorridas no povoamento da cidade, foi dada primazia aos autocarros e metropolitano como transportes públicos. As linhas de eléctrico foram sendo abandonadas e a própria frota morrendo aos poucos.

Sobraram os carros que fazem as últimas cinco linhas e mais uns quantos no Museu da Carris. Os restantes acabaram por ser vendidos a peso para a sucata. A partir daí, perde-se-lhes o rasto. Quase todos terminaram a viagem num alto-forno, onde se transformaram noutras coisas.

Outros escaparam do ferro-velho para ser transformados em bares ou decorações de restaurantes, mantendo apenas a forma exterior. Um deles acabou por se tornar um cartaz de boas-vindas a uma pequena vila nas faldas da Serra da Estrela.

Eléctrico de Maçaínhas
«Maçaínhas saúda-vos. Sejam benvindos»

O eléctrico de Maçaínhas, pintado de amarelo-Carris, está tão deslocado do seu meio natural que nos faz duvidar dos próprios olhos. Será em Maçaínhas que, todos os anos, se juntam os reformados da Carris?


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