8
09
2010
Em Agosto os incêndios chegaram também aos arredores de Lisboa. Gostaria de dizer ser um facto invulgar, mas o certo é que começa a ser frequente. Por uma estranha coincidência, os incêndios em Portugal perseguem as poucas árvores que restam. Talvez gostem de sombra.
Resultado do incêndio
O passeio do fim-de-semana levou-nos até ao Sabugo, onde as marcas de um desses incêndios misteriosos ainda são bem visíveis. No meio de tanta destruição, pelo menos as chamas não chegaram aos últimos pedaços de mata mediterrânica que ainda há na região.
7
09
2010
O ilhéu das rolas não tem só rolas de bico e pena que voam pelo meio dos coqueiros, tem também outra, de cores engraçadas e que não sabe voar sem ser na imaginação de quem a pintou.
Pintura na porta da casa
Na porta da casa mais oriental da ilhota, uma pequena pintura discreta conta a história de uma rola a descansar no ramo da árvore florida. A casa é modesta, mas não dispensa um toque de imaginação.
6
09
2010
Antes da Segunda Guerra Mundial, o transporte aéreo entre a Europa e a América passava muitas vezes por Lisboa, uma vez que o transporte de passageiros, por questões de segurança, deveria ser efectuado exclusivamente em hidroviões.
Onde hoje se situa o Oceanário, a doca dos Olivais, perto do aeroporto Gago Coutinho, era a porta de entrada na Europa para muitas carreiras aéreas. A partir daqui, aviões normais faziam a ligação a outras cidades. A evolução tecnológica na aviação trazida pela guerra e, acima de tudo, pelos milhares de aviões de qualidades comprovadas disponíveis no seu final, ditou que as rotas transatlânticas passassem a ser asseguradas por aviões normais.
O transporte marítimo, até então popular, tinha também como ponto de passagem Lisboa. Na altura em que os circos faziam digressões mundiais, o circuito europeu terminava quase sempre em Portugal, a última paragem antes da viagem para os Estados Unidos.
Por todas estas razões, Lisboa era um ponto de passagem de cruzeiros, mas, lentamente, foram deixando de aportar. O hábito de viajar de barco perdeu-se e apenas os destinos mais exóticos mantiveram as companhias de navegação a funcionar nos anos piores.
Um paquete em Lisboa
Recentemente, Lisboa voltou a fazer parte das rotas dos cruzeiros e os paquetes aportam com regularidade. É bom sinal!
5
09
2010
Há acepções de certas palavras que nem os mais metódicos dicionaristas registam. Algumas, por se tratarem de calões profissionais ou regionalismos pouco conhecidos, acabam por se perder com o fim de certas profissões e a cada vez maior homogeneidade da língua que a televisão trouxe.
Não é a falta ou excesso de uso que torna as palavras bonitas ou feias. Sem grande trabalho, lembro-me de algumas que estão na moda e que me enchem de arrepios, recepcionar, por exemplo.
As palavras mais bonitas são aquelas que se aplicam a conceitos pequenos ou grandes, mas que, com poucas sílabas, substituem frases inteiras, libertando o discurso para outros assuntos.
Uma dessas expressões que se arrisca a desaparecer é o peixe-enjoado, percebida em comunidades piscatórias e que sobrevive, a custo, nos mais velhos habitantes da Nazaré.
Nem sempre os pescadores vendiam todo o peixe fresco. Parte dele costumava ser seco ao Sol, em tabuleiros na praia. Actualmente, a seca do peixe caiu em desuso. A congelação é um processo mais prático de conservação, embora implique um maior desperdício de energia. Por outro lado, a seca do peixe ao ar livre vai contra uma série de normas de higiene recentes. Quem as redigiu nem sequer pensou nesta actividade e esqueceu-se de abrir excepções para um método de conservação milenar.
Peixe fresco e peixe seco são termos que todos conhecem e marcam o início e o fim do processo. Pelo meio, quando o peixe muda de textura, mas ainda não está seco, chama-se peixe enjoado, devido à sua consistência e paladar característico. Alguns pratos regionais requerem exactamente o peixe enjoado para saírem perfeitos.
O peixe enjoado
4
09
2010
Naquela estranha relação que Angola tem com Portugal, revestida de traumas de parte a parte a tornam difícil de perceber, há ocasiões em que chegamos a admitir ser tarefa impossível vir a perceber este amor-ódio.
Mas no que diz respeito a futebol, acabam-se as diferenças. Os clubes angolanos mais importantes disputam as preferências com os portugueses e até mesmo os mais antigos partilham os nomes com os da antiga potência colonial.
Talvez por isso não seja estranho encontrar a mascote do campeonato europeu de futebol que se realizou em Portugal, na beira da estrada que liga o Huambo ao Alto Hama. É certo que está a vender gasosa, mas ficaria mais de acordo com a terra mostrar uma palanca negra com o equipamento da selecção angolana.
O Quinas emigrou
O Quinas, que se viu envolvido num processo de uso indevido de marca registada, por partilhar o nome com os fósforos da Swedish Match, cumpriu a sua missão em 2004. Com o fim do campeonato ficou desempregado e agora, aparentemente, emigrou para Angola. A vida está difícil para todos.