19
08
2010
Grande parte dos santomenses habita em casas de madeira, construídas segundo a tradição. Mesmo na própria cidade de São Tomé, com cerca de 40’000 habitantes, os bairros mais populares, como o Riboque, são uma sucessão de casas modestas.
As casas mais comuns são construídas sobre estacas, com um telhado de duas águas e um pequeno alpendre. O espaço em baixo é deixado vago, para servir de armazém ou, caso seja necessário, acrescentar a casa rapidamente. Por serem construções modestas, poder-se-ia esperar serem algo toscas, mas a verdade é que o trabalho na madeira é uma tradição antiga nestas ilhas. Já os Angolares eram famosos por aparelharem as melhores tábuas. Para além das paredes muito direitas, as caixilharias e os remates das balaustradas mostram que há excelentes carpinteiros a trabalhar e, acima de tudo, com gosto no que fazem.
Exemplo de casa tradicional
Mas as casas tradicionais, apesar de extraordinariamente adaptadas ao clima e necessidades das pessoas, trazem consigo o estigma da pobreza. A construção com tijolos ou blocos implica capacidade económica para o fazer. Casa de tijolo não é casa de pobre.
Como as terras são do Estado e apenas podem ser arrendadas por períodos longos, uma construção definitiva, como uma casa de tijolo implica também que se pague a renda, o que significa mais um investimento. Quem o faz, procura assegurar-se de que o usufruto da propriedade é apenas seu e ergue um muro a toda a volta. O muro passa a ser também sinal de ostentação e o sonho de muitos santomenses era ser proprietários daquilo a que chamam um chalé de muro.
18
08
2010
A Livraria Lello de Luanda ocupa parte do piso térreo do edifício conhecido como Palácio da Palmeira, à conta da característica palmeira estilizada na grade que protege as escadas.
Paredes meias com o Comando da Polícia e as várias torres metálicas da Sonangol, mais ou menos bem tratados, palmeira e edifício, resistem à Luanda moderna que se ergue à sua volta e, apesar de tudo, ainda servem de referência para quem passa.
Pormenor da grade das escadas
17
08
2010
Nas últimas semanas, manter a periodicidade diária dos artigos do Aerograma tem sido difícil. Com tantas coisas para fazer, sobra pouco tempo para me sentar e escrever. Assuntos e ideias não faltam, mas o vagar para os explorar é cada vez menos.
Tem havido dias, como hoje, em que corro atrás do prejuízo e publico o artigo quase no dia seguinte, na esperança que as férias de muitos façam o atraso passar despercebido. Sinto falta dos dias mais sossegados em que conseguia preparar artigos para toda uma semana e deixar de me afligir com o que escrever amanhã.
Por outro lado, as férias gozadas em Paris e São Tomé, significaram mais uns milhares de fotografias para catalogar e separar. É operação demorada se quisermos que saia bem feita. Cheguei, finalmente, às de Agosto. Agora é preciso arranjar tempo para as ver com atenção e separar as melhores. A pobre Canon, com pouco mais de dois anos e cerca de cinquenta mil disparos, começa a dar os primeiros sinais de cansaço, com uma lente avariada e um botão de disparo que se mostra um pouco indeciso na altura de focar. A lente vinha com a máquina e é das mais baratas, pelo que o prejuízo não é grande.
Fim do dia alentejano
Espero que os próximos dias sejam um pouco menos atribulados, porque a lista de rascunhos com meia-dúzia de ideias anotadas sem ordem definida está a crescer de forma assustadora.
16
08
2010
No Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda, há um baixo-relevo de Neves e Sousa que ocupa toda uma parede, representando os vários povos de Angola. Quando começaram as obras de modernização da aerogare, temeu-se que fosse destruído, mas acabou por ser limpo e pode ser observado da sala do restaurante do primeiro andar, embora com um vidro de permeio onde todas as luzes se reflectem.

Painel de Neves e Sousa no aeroporto de Luanda
15
08
2010
A boneca de plástico mais famosa do mundo é a Barbie. Ao longo de cinquenta anos foi enchendo quartos de meninas com as variantes mais rebuscadas. De princesa a astronauta, passando por surfista e empresária, já fez tudo. Mas circula o rumor de que a Barbie divorciada custa dez vezes mais do que qualquer outra versão, pela simples razão de que traz também a a roupa, a casa de praia, o carro e o barco do Ken.
A história é capaz de ter algum fundo de verdade. Descobri que o pobre boneco de plástico desistiu da vida após o divórcio e se suicidou atirando-se ao rio. O cadáver está lá no açude do Jamor para quem o quiser ver.
Ken suicida
A vida está difícil, até para os bonecos de plástico.