Aerograma

Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

23  01 2009

A vaca mwangolê zunga bwé

No meio de uma conversa acerca de um qualquer assunto, que agora não vem a propósito nem me lembro qual era, calhou falar-se do desdém que os angolanos têm à carne nacional (os que podem escolher, entenda-se). Fiquei a saber que não se lhe opõem por princípio ou por ser moda comer carne brasileira, afegã ou islandesa. É mesmo por ser dura.

Quando vão ao talho, lá está pendurada a desgraçada carcaça de vaca, por vezes assediada por moscas insistentes, abatida para carne porque já não servia para mais nada. A idade e os milhares de quilómetros que percorreu ao longo da vida deixaram-lhes as carnes duras e sem gosto.

Um criador de gado angolano (criador angolano de gado angolano talvez fosse mais correcto, mas fica repetitivo), entrou na conversa e perdeu alguns minutos a fazer contas. Disse-nos que os criadores tradicionais têm de percorrer grandes distâncias entre os pastos, os currais e os bebedouros com o gado. Assim por alto, dez quilómetros para a água, outros tantos para o pasto e repetem tudo ao final do dia, de volta aos cercados. Ao final da vintena de anos que costumam durar, as pobres vacas já calcorrearam perto de 300’000 km.

O mais-velho da mesa, até então calado, disse-nos que só comia carne brasileira. Que fugia da carne nacional, com o seu aspecto seco e duro. E depois contou-nos alguns episódios acerca do assunto. Descobri que parte da carne do Lubango que se vende em Luanda não é transportada em camiões frigoríficos ou em camiões sequer. Vem para a capital a pé, pelos antigos caminhos da transumância. O pastor demora cerca de seis semanas para trazer a manada da Huíla até ao matadouro, em Luanda. Depois regressa de táxi e forma uma nova manada durante o mês seguinte. E recomeça o ciclo, manada a manada. Mesmo que as vacas fossem novas e de carne macia, com semelhante caminhada, ficam a parecer feitas de sola.

Parece que nesta terra tudo zunga para trás e para diante, dirigindo-se para um destino mais ou menos incerto. As mulheres, com um alguidar à cabeça, fazem-no para ganhar a vida e o gado para encontrar a morte, a caminho de um qualquer prato.


22  01 2009

Gulodices: Bolo de caneca

Já há muito que não falava das minhas aventuras culinárias. Aproveitei um serão em que fui mais guloso para fazer umas fotografias e mostrar a vida secreta da cozinha cá de casa.

Há dias em que apetece comer qualquer coisa doce, mas a trabalheira que temos até ela estar pronta acaba por nos fazer desistir da ideia. A Preguiça vence a Gula. Quem diria que os pecados capitais também têm hierarquias? Felizmente que existe a internet, para que os gulosos preguiçosos possam partilhar as suas técnicas secretas para aplacar estas suas imperfeições.

Comecemos com alguns utensílios básicos. Colheres de sopa para as medidas, uma caneca e um microondas (mais uma máquina para preguiçosos). Aproveitamos e juntamos açúcar, farinha, óleo, leite, chocolate em pó e um ovo.

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Prontos a começar

O primeiro passo é escolher a forma apropriada para o bolo. Neste caso, como somos muito preguiçosos e egoístas (outro pecado), usamos uma caneca para fazer um bolinho só para nós.

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A forma. Não precisa ser untada

Dentro da caneca enfiamos, sem grandes cuidados os ingredientes sólidos.

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Começamos com quatro colheres de farinha

Se as colheres forem fundas, é melhor fazer as medidas com as colheres rasas. Arriscamo-nos a que não caiba tudo na caneca. Fala a voz da experiência.

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Quatro colheres de açúcar

A quantidade de açúcar usada é para os chocolates mais amargos. Se for daqueles docinhos, duas ou três bastam.

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Duas colheres de chocolate em pó

É aconselhável ir misturando os pós todos, para depois o bolo ficar homogéneo.

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Um ovo junta-se à mistura

Com jeitinho, para não deixar cair cascas, partimos um ovo para a caneca. Tentamos mexer o melhor que pudermos, mas é tarefa quase impossível.

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Três colheres de leite

Ajudamos com um pouco de leite e agora lutamos para descolar a pasta da colher sem que venha tudo por fora. Quem raio teve a ideia de fazer um bolo numa caneca?

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Mais três colheres de óleo

Desistimos de descolar a massa da colher e juntamos um pouco de óleo. Aos poucos, a massa vai ganhando uma consistência animadora. Quando estivermos fartos de mexer ou acharmos que já está tudo bem misturado, descobrimos que afinal ainda não está e pequenos grumos brancos surgem na mistela castanha. É preciso insistir e mexer mais um pouco.

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Parece que está

Tiramos a colher e verificamos se tem farinha agarrada. Se tiver, é sinal de que ainda é preciso mexer mais. Maldita caneca!

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Directamente para o microondas

Chegada a altura de cozer o bolo, viramos as costas ao forno e colocamos a caneca no prato do microondas.

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Três minutos na potência máxima

Apertamos uns quantos botões e esperamos, enquanto uma caneca gira lá dentro. Aos poucos, um monstro nasce da massa castanha. Sobe e contorce-se em formas estranhas. O microondas pára e está pronto.

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Filme de terror

Com cuidado desenformamos o bolo, isto é, seguramos a caneca pela asa e viramo-la para um prato. Se tudo correr bem, uma coisa castanha e dura há-de bater na porcelana… e sim, parece uma poia.

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Et voilá

O exemplar fotografado ficou mal mexido, mas já estava a desesperar com a caneca que escolhi.


21  01 2009

Insónia

Há dias, ou melhor, noites, em que o sono não chega de maneira nenhuma. O cansaço do dia longo obriga-nos a arrastar o corpo para a cama, antevendo uma noite descansada. O corpo pede repouso. A cabeça pede tréguas e os sonhos imploram para sair e brincar um pouco. Mas deitamo-nos e… nada. Os olhos não se fecham por si. Os sonhos não saem. Mudamos de posição, viramos a almofada ao contrário, coçamos a cabeça, esfregamos as pernas nos lençóis e… nada.

Desfiamos milhares de carneiros lanudos, em rebanhos que fariam inveja a muito latifundiário do ramo, mas o sono, esse, esconde-se algures. Não no meio dos carneiros, obviamente.

Tentamos um último recurso, a posição fetal e, respirando profunda e compassadamente, pensamos em esvaziar a mente. É remédio santo. Mas não hoje. Quando o nosso pensamento se resume a um pequeno ponto negro, baixamos a guarda e vêmo-lo crescer e a fugir em todas as direcções. Preocupações do dia-a-dia, recordações e planos de futuro misturam-se numa forma indomável de cor indistinta.

Deitamo-nos de barriga, com os braços cruzados à faraó, julgando conseguir conter a insónia no espaço que se forma debaixo do peito, para que ela sossegue e desapareça, mas ela escorrega e foge. Daí a pouco já nos fez desistir e voltar os olhos para o tecto. A almofada dá mais uma volta ou vai parar ao meio do chão, não importa nem adianta.

Os olhos ficam pesados e o corpo começa a reclamar. É hora de dormir! Mas não conseguimos. Não hoje.

Lá fora só se consegue distinguir o ressonar leve dos seguranças. Não há trânsito nem alarmes a disparar. Uma noite demasiado silenciosa para Luanda, talvez seja isso. Não, passam duas motas barulhentas que acordam os seguranças. Mas não me fazem adormecer.

Um dos candeeiros lá de fora apaga-se, como que me dizendo que eu devia fazer o mesmo. Só me provoca curiosidade acerca do motivo da súbita escuridão. E os padrões de luz e sombra na rede mosquiteira, que já tive oportunidade de decorar nas últimas horas, alteram-se profundamente. Repito o exercício e procuro nas manchas escuras algum carneiro que tenha ficado esquecido.

Quatro da manhã. Desisto de tentar adormecer. Aplicando a técnica da chaleira, declaro que me recuso a adormecer e que não preciso do sono para nada. Ele não cai no engodo e dou por mim sentado na cama a olhar o vazio, com os olhos pesados, mas sem sono.

Quatro e meia. Já que não durmo, ao menos que dê alguma utilidade à insónia. Vou escrever qualquer coisa. Levanto-me e ligo o computador. Começo a ouvir os reguladores de tensão a dar estalos. Queres ver que se vai? As luzes lá fora apagam-se e o sinal de bateria fraca acende-se. Foi-se. Desligo o computador e penso regressar à cama. Não, o sono continua longe. Troco a bateria às escuras, com cuidado para não fazer barulho, que as insónias só me atacaram a mim. Ligo-o de novo. Que cansaço! Os olhos teimam em abrir quando sei que o que mais desejam é fechar-se por umas horas valentes.

Quando estamos extenuados e sem forças para organizar os pensamentos, as palavras saem mais fluidas, porque já não pensamos nelas, são elas que ganham vida própria e pensam por nós enquanto escrevem a história, tal como fazem hoje. Preferia tê-las apenas sonhado.

Cinco da manhã. O gerador da casa do lado já trabalha. Vou aproveitar a canção de embalar e tentar dormir, finalmente. Até amanhã.


20  01 2009

No mercado do Dondo

Ao contrário de muitos dos expatriados em Angola, que estão limitados a viver no centro económico do país, sem poder escapar à confusão de Luanda com facilidade, tenho podido dar umas voltinhas interessantes por esta terra. Com todo o poder económico e político concentrado na capital, Angola é Luanda e o resto é província.

Luanda, com toda a sua confusão, não deixa boa imagem de Angola. É por isso que aproveito todas as oportunidades para escapar da balbúrdia.

As viagens até ao Dondo, apesar de fisicamente extenuantes, deixam repousar a alma, relaxar um pouco o sexto-sentido que nos faz ir olhando sobre o ombro por um eventual larápio.

As pessoas que moram fora da vista da poeira da capital, são diferentes. Mais abertas e de sorriso fácil.

As cerca de três horas de estrada até ao Dondo correm bem. A estrada está em boas condições e a distância percorrida até parece mais curta. No entanto, graças ao hábito aborrecido que os carros angolanos têm de avariar a cada momento e à crença inabalável nas coisas de pré-sinalização, o perigo espreita no final de cada curva.

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A estrada é boa, mas esconde algumas surpresas

Também as matas que ladeiam a estrada, de aspecto inofensivo, por vezes nos deixam apreensivos. Uns paus pintados espetados aqui e ali relembram sempre o muro invisível que foi sendo construído ao longo de décadas.

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A triste realidade dos campos minados

Mas chegamos ao Dondo sem sobressaltos e com apenas alguns saltos num ou noutro troço de estrada mais esburacado.

A cidade do Dondo está entalada entre dois centros. De um lado tem o Kwanza, com a sua marginal. Aqui se acotovelam as lavadeiras, numa espécie de mercado bolsista de sabão, cuecas e camisas. As crianças passam o dia a brincar à beira-rio, correndo e mergulhando. Os mais afortunados surripiam uma câmara de ar e passam a ser os reis da festa, comandantes do seu paquete de borracha e ar. Todos os outros disputam o direito de navegar em tão exclusivo navio.

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Destino: Rio Kwanza, para muita brincadeira

Do outro lado da cidade, logo a seguir ao quartel de bombeiros, crescem as cubatas e casas tradicionais. Têm um ar mais salubre que as dos musseques de Luanda e, acima de tudo, estão mais afastadas umas das outras. Junto a estas, desenvolve-se um mercado cheio de vida, onde se vende tudo, excepto mexericos.

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Minguito e a sua loja de panos

A um canto temos as lojas de mobílias, que fazem camas e cómodas com restos de caixotes e pedaços sortidos de árvores. Torneadas à mão e com um desenho muito próprio, quase nos tentam a comprar. Mas a dificuldade de transporte faz-nos logo mudar de ideias.

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Aqui também há artistas pintores

Quase no centro do mercado, agrupam-se os restaurantes. As ementas são variadas quanto toca ao acompanhamento do funge. Há funge com tudo ou tudo com funge, ainda não percebi bem. A um canto funge de javali, a outro funge de vaca e, se tivermos sorte, vemos uma mulher a virar na grelha um roedor grande, de dentes salientes. Servirá para o funge de Paca…

Há também vendedoras de milho e banana-pão assados. O cheiro do mercado abre o apetite. Mas, curiosamente, tal como reparei quando cheguei a Angola, os cheiros são menos intensos. A uns metros das cozinhas já não conseguimos distinguir o aroma da comida do cheiro do pó do chão.

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Fazendo roupa por medida

O mercado está organizado segundo zonas. Os vendedores das mesmas mercadorias aglomeram-se uns perto dos outros. E, a dada altura, damos por nós a ser embalados por um som familiar, daqueles que vem lá dos confins da memória. Um tchuc-tchuc que só quer significar uma coisa, máquinas de costura.

Mestres e aprendizes, velhos uns e muito novos outros, dão ao pedal enquanto fazem sair camisas e calças de panos coloridos. Têm máquinas antigas, de marca Singer ou Oliva, mas também já há algumas recentes, com nomes escritos em caracteres chineses.

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No centro do Dondo ainda encontramos sinais de outros tempos

Como as crianças do Dondo não cabem todas no rio, algumas têm de brincar noutros sítios. Não sei se tiram à sorte, se têm um esquema rotativo ou se lhes foi atribuído o local de brincadeira à nascença, o certo é que os do mercado não invejam os do rio e vice-versa.

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Barbas acabadinhas de pintar

As brincadeiras no mercado são menos espalhafatosas, mas não menos divertidas. No dia em que lá fui, os miúdos pintavam barbas e bigodes com graxa uns aos outros. O Hélder chegou mesmo a pintar o cabelo e ficou a parecer uma gravura egípcia, com umas patilhas muito certinhas.

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Miúdo feliz

A alegria de se verem e reconhecerem na fotografia quase suplantou a alegria de ver aparecer uma bola. Num instante estavam à minha volta e no seguinte corriam e gritavam enquanto tentavam chutar a bola para uma baliza que, suponho, imaginavam entre os alguidares e o sapateiro do mercado.

Vi-me sozinho e regressei ao centro da cidade. Encontrei o Gelson, que se atarefava a regular a sua criação, umas andas feitas com latas.

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Afinando as máquinas

Perguntei-lhe para que serviam as latas que tinha nos pés. Riu-se muito. Eu não percebia o óbvio. Servem para andar, ó tonto! Depois pôs-se de pé e mostrou-me. Deu uns passos para a frente e para trás, puxando com força os pedaços de plástico amarrados às latas.

Disse-me que se chamavam Upé e depois foi-se embora a rir, tão depressa quanto as latas o permitiam.

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Gelson e os seus Upé

É incrível, como uma pequena terra, quase às portas de Luanda, consegue ser tão natural. Aqui sentimo-nos bem!


19  01 2009

O Rottweiler da Baviera

Há muitos anos, o Papa João Paulo II, o saudoso Karol Wojtila visitou Portugal. Vi-o quando passou por Queluz. Estava às cavalitas do meu pai. Eu, porque o Papa seguia num UMM blindado.

Entretanto, porque ninguém é eterno, morreu de velho. O Vaticano tratou de arranjar um substituto e mantiveram o mundo em suspense com sinais de fumo. A eleição do novo Papa ficou envolta numa aura de estupefacção, com a figura mais reaccionária a ocupar o lugar. A surpresa foi de tal ordem que até na terra natal do Cardeal Ratzinger os jornais publicaram títulos sugestivos como «Oh mein Got!»

A minha prima Mariana, nascida na Alemanha e por isso remotamente aparentada com o senhor Ratzinger, quando soube da notícia começou a dar–lhe o nome carinhoso de Rottweiler da Baviera. Já sei que vou ouvir um raspanete «porque eu não tenho nada a ver com esse retrógrado!»

Sendo agnóstico convicto, não me faz diferença quem é o Papa Católico, Ortodoxo ou Evangélico. Devem ser boas pessoas. E, já que aqui estou, o Dalai Lama também me parece boa pessoa, mas julgo ser indiferente quem ocupa o lugar porque são escolhidos exactamente por serem boas pessoas.

A propósito de agnóstico convicto. Será que isso existe? Por definição, um agnóstico não acredita, mas só até ao momento em que lhe provam que está enganado… por isso não é assim tão convicto. Os humanos são complicados.

Mas o que tem este artigo a ver com Angola? Bom, é que eu não contava voltar a ver o Papa. Como já se notou, da única vez que o vi, foi ele quem veio ter comigo. Quando for a Roma não faço muita questão de ir para o meio da confusão da Praça de São Pedro ver um senhor a acenar da janela e a dizer coisas que ninguém percebe. Mas o Senhor, na sua infinita sabedoria, resolveu fazer com eu visse o Papa. Uma vez que eu não vou a Roma, já mandou avisar que ele vem a Luanda! Em Março. Com sorte é durante as minhas férias e lá se vão os Divinos Planos por água abaixo.


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