Aerograma

Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

20  07 2010

Um outro recanto africano

Depois de uma longa temporada em terras angolanas separado da Cristina, ficou combinado que ela iria conhecer África. O plano inicial previa que se juntasse a mim nas últimas duas semanas de contrato, para que conhecesse Luanda e um pedacinho de Angola. Os aborrecimentos que se foram acumulando nos primeiros meses do ano fizeram-nos mudar de ideias. Não era aquela África que eu lhe queria mostrar. Optámos por São Tomé e Príncipe, país a que alguns angolanos chamam de décima nona província, mas que os santomenses mostram que essa pretensão é logro.

É fácil gostar dos santomenses, membros sociedade mais pequena sem as cicatrizes de uma guerra demasiado longa. Toda a gente fala extraordinariamente baixo, de tal forma que até uma discussão mais acesa passa despercebida. É um país seguro e com condutores que respeitam as cedências de prioridade.

Roça de São João de Angolares
Roça de São João de Angolares

Calhou chegarmos em semana de campanha eleitoral, que nos garantiram ser uma confusão, mas uma balbúrdia santomense é menos complicada de digerir que festejos de vitórias futebolísticas cá por Portugal.

A moeda oficial é a dobra. O número de zeros impresso em cada nota mostra que sofreu muitas desvalorizações ao longo dos anos. Oficiosamente, o euro circula em São Tomé, a câmbio fixo, mantendo a indexação ao escudo. Toda a gente sabe de cor a taxa de câmbio, que, este ano, se situa nas 24’000 dobras por euro.

Um tema incontornável das conversas que mantivemos com os santomenses é a imagem que o estrangeiro tem do país, ficando por vezes admirados quando sabem que o quadro é positivo, uma vez que a ideia que têm de São Tomé é a de um país atrasado e desorganizado, em contraste com os vizinhos angolanos, que têm a certeza ser Angola o melhor país do mundo.


19  07 2010

Angola em fotos: Calçada do Município

Na antiga Calçada do Município, actual rua Comandante Veneno, uma loja de Cortinados e carpetes ocupa um edifício de 1925, com a fachada quase toda coberta de máquinas de ar condicionado.

luanda06
Loja na Calçada do Município


18  07 2010

Mundo em fotos: Tripulações

Certas profissões têm o condão de tornar os seus parte de uma família. Os marinheiros, que dependem uns dos outros e encaram o navio como a sua casa, são um bom exemplo.

Rebocador grego
Tripulantes de rebocadores

Por serem os navios as suas casas, não é invulgar ver caixotes com couves, gatos e cães de bordo e pequenas marcas de como o navio é mais o seu mundo que a casa em terra.

A secar roupa
Estendendo a roupa

Enquanto esperava o navio seguinte, um dos tripulantes do rebocador que auxiliou a acostagem do paquete, aproveitou para verificar se a roupa já estava seca. Não deve fazer parte do equipamento original do navio um estendal. A modificação é a prova de que passou a fazer parte de casa.


17  07 2010

Deauville artesanal

Durante uns anos tive uma Honda Deauville, que muito feliz me fez. Fiquei sem ela no dia em que ganhei dois arames num punho e seis semanas de braço ao peito. Não deixei de sonhar com motas e, um dia destes, volto a ter uma.

Depois do acidente
Não ficou um painel de plástico inteiro

Há tempos cruzei-me com uma do mesmo modelo e quase da mesma idade que a minha, mas ligeiramente diferente. Quando cheguei mais perto percebi porque não a reconheci imediatamente. Deve ter tido a mesma sorte que a minha e o dono meteu mãos à obra para lhe criar novas carenagens. O resultado é um pouco artesanal, mas continua a ser uma Deauville.

Deauville artesanal
Quase pode entrar numa competição de rats


16  07 2010

Angola em fotos: Toponímia esquecida

Com tanta toponímia inócua que foi saneada, seria de acreditar que a mais conotada com o colonizador já tivesse desaparecido toda, mas a verdade é que se mantém no lugar.

Largo Luiz Lopes Sequeira, vencedor do Ambuíla
Estranhamente conserva-se a toponímia.


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