28
10
2010
Decerto já adivinharam que, para além das portas antigas, não resisto a fotografar também azulejos. Tenho a felicidade de morar perto de Lisboa, onde há ainda muitas ruas com ambos estes motivos.
A propósito de painéis de azulejos e letreiros antigos, andei a rebuscar as fotografias que fiz nas últimas semanas em Lisboa. Procurei mais algumas destas marcas do passado.
«O caminho do castelo», perto do teatro romano de Lisboa
Tal como os letreiros da Luanda colonial que ainda se descobrem nas esquinas da capital angolana, também estes nos remetem para um passado que parece ser já muito distante.
Na Av. Cinco de Outubro
Acho curioso como aquilo que talvez se considerasse supérfluo nos tempos áureos do negócio seja exactamente o objecto que lhe sobrevive.
27
10
2010
Lembro-me de, em muito pequeno, ir a Lisboa e ver um casco vermelho a sair do Tejo emoldurada pelas colunas do cais do Terreiro do Paço. Ao fim de alguns anos, foi virado e rebocado, possivelmente para ser transformado em sucata.
Tolan, o nome do cargueiro que se virou num acidente à entrada do porto, fazia parte das conversas do dia-a-dia. Depois, foi caindo no esquecimento, naturalmente.
Talvez por isso, encontrar um café chamado Tolan, só faça sorrir aqueles que o conheceram, nem que seja das memórias de infância.
O Tolan em Alfama
Na altura era publicidade de borla, mas agora é só um pedacinho de nostalgia.
Quem se lembra do Tolan?
26
10
2010
Continuando na senda de antigos letreiros, aproveito para dar um saltinho até terras de Miranda, onde há ainda muitas marcas de um passado menos puritano que o herdado dos tempos vitorianos.
Os edifícios mais antigos, especialmente os construídos com recurso a bons canteiros, costumam ter os cachorros, peças salientes das fachadas, decorados. São pequenas peças escultóricas que distinguem não só o edifício, como os proprietários, consoante a temática escolhida.
Na grande maioria dos casos, passam despercebidos, mas há outros que dominam de tal modo as fachadas que o resto da obra se torna acessória. A casa dos cachorros zambargonhados, dizem-nos, mostrava a quem quisesse ver, um verdadeiro Kamasutra ilustrado em Mirandês, e que nem o facto de estar a dois quarteirões da Sé Catedral deixava os Bispos corados.
Um dos Cachorros
O resto da casa é muito interessante, incluíndo o brasão picado que se julga ter sido dos Távoras, inimigos derrotados do Marquês de Pombal, mas com os cachorros lá no alto, quem a visita entra e sai de olhos postos no primeiro andar e ignora por completo as janelas de canto e os baixos-relevos.
A casa dos cachorros
25
10
2010
De vez em quando, gosto de ir espreitar a página de estatística dos visitantes do Aerograma. Tenho guardado as conclusões para mim, celebrando, muito de vez em quando um número redondo de artigos publicados.
Começando pelas tímidas trezentas visitas em Junho de 2008, quando os aerogramas se destinavam apenas aos mais chegados, passando pelas mais de cinco mil passados seis meses e até às mais de dez mil visitas mensais desde finais de 2009, o número de leitores tem vindo a crescer de forma lenta mas segura. Descobri também que grande parte das visitas ocorre nas primeiras horas da manhã, o que me leva a concluir que esta seja uma das primeiras leituras do dia. Talvez por isso, pela noção de que agora tenho uma certa dose de responsabilidade acrescida, ainda não tenha conseguido desistir do artigo diário.

Postal ilustrado
Para o bem e para o mal, o Aerograma é quase sempre conhecido por publicidade de boca. É um bom sinal quando alguém o recomenda e o novo leitor passa a ser assíduo. Pela evolução do número de visitas, posso concluir que é esse o caso mais habitual. Mas há também cá chegue por outras vias, como as pesquisas. Desde que regressei, os leitores novos que atrai por intermédio dos motores de busca, vêm cá dar porque procuram cada vez mais pelo Aerograma ou receitas de berinjela, que também cá há, e cada vez menos por angolanas nuas, que nunca houve.
Quanto aos artigos, já lá vão mais de nove centenas. A próxima comemoração será a do milhar, no princípio do próximo ano. Mas isso é outro assunto.
24
10
2010
Numa civilização cada vez mais descartável, em que até os letreiros dos negócios duram apenas alguns meses, quase em sintonia com a rápida mudança de ramo das lojas, é curioso encontrar letreiros de épocas em que um negócio se montava para durar uma vida inteira.
Mercearia perto de Sintra
Em Lisboa, a maioria destas casas antigas fechou portas. Resistem os letreiros de pedra, recordando que nem sempre as lojas abriam e fechavam tão depressa. Não sei se é da crise económica ou da crise de confiança.
Casa Garrido, nas traseiras da Estação do Rossio
Outros negócios, mesmo que anacrónicos, como as chapelarias, parecem resistir, juntamente com os letreiros de vidro preto pintados à mão.
Chapelaria na Praça D. Pedro IV
É curioso como o Passado se mostra ainda vivo a cada esquina.