6
08
2011
No cais logo abaixo de no centro histórico de Almada, que é o prolongamento natural do cais de Cacilhas, fica um resquício dos tempos em que a ponte sobre o Tejo ainda só era um sonho.
O posto da Guarda Fiscal de Olho de Boi fechou há muito, mas as instalações não ficaram abandonadas a arruinar-se lentamente. A arriba foi consolidada e há agora um jardim com um elevador panorâmico a ligar a Almada Velha. O restaurante á beira rio, instalado num velho armazém, vale a pena visitar nem que seja pela vista.
O Tejo
Fico é sempre indeciso se a vista é mais bonita ao nascer ou ao pôr-do-Sol.
5
08
2011
Um padrão recorrente em muitos monumentos portugueses desde a Alta Idade Média até ao final do séc. XIX é a existência de tabuleiros de jogo gravados nos muros baixos e degraus das escadarias. Há-os no claustro da Sé de Lisboa, nos muros do tanque do Chafariz de Borba, num banco em Évoramonte e em muitos outros lugares.
Numa pedra lisa, com espaço suficiente para dois jogadores se sentarem em volta do tabuleiro, gravavam-se três quadrados inscritos e algumas linhas a unir-lhes os lados ou uma grelha de quatro quadrados com todos os vértices unidos. Jogava-se com pedrinhas que cada jogador ia dispondo no tabuleiro até que as regras ditassem um vencedor. Desconheço quais a versão das regras usadas, porque poucos há ainda vivos que tenham disputado partidas nestes tabuleiros gravados na pedra, mas suponho que fossem semelhantes às do alquerque dos doze, ou alquerque dos nove, também conhecido por jogo dos moinhos, jogados em tabuleiros com estes desenhos. São tidos como antecessores do jogo das damas e as regras escritas mais antigas de que tenho notícia são as do livro do séc. XIII de Afonso X, o Sábio – Juegos diversos de Axedrez, dados, y tablas con sus explicaciones, ordenados por mandado del Rey don Alfonso el sabio.
Jogo dos moinhos ou Alquerque dos nove
Encostado à muralha do castelo de Castelo Rodrigo, está um tabuleiro do alquerque dos nove ao lado de um pequeno tanque de granito tosco. Sobrou de alguma reconstrução e, sem espaço para os jogadores se sentarem, tornou-se apenas objecto decorativo. Muitos passam por esta pedra e não lhe dão valor algum.
4
08
2011
Talvez Almourol seja o castelo mais conhecido de Portugal. É invulgar e as lendas que o rodeiam de uma aura de mistério ajudam a que se fale nele de vez em quando sem ser como monumento. Sempre que se fala em Templários ou Ordem de Cristo, Tomar e Almourol são parte obrigatória do discurso.
Um castelo pequenino, cheio de recantos diferentes condensa bem a ideia que temos de Portugal e dos castelos medievais. Quase podemos dizer que foi feito à nossa imagem.
Almourol visto do rio
Em Portugal há poucas fortificações construídas em ilhas no meio dos rios. Para além de Almourol, no Tejo, só conheço outro, uma fortificação romana que ficava numa ilha do Guadiana. Este último, infelizmente, está agora submerso pela albufeira de Alqueva.
3
08
2011
Este artigo não será seguramente o último dedicado às pérolas que há nas traduções das lojas chinesas. Algumas fazem sentido, outras nem por isso, e depois há as que até faziam sentido, mas têm gralhas monumentais.
A última descoberta está na secção dos incensos, onde «Vade retro Satana» foi vertido num menos poético «Vá de retro». Curiosamente, o sentido manteve-se.
Satanás, abre alas para a Maria Desatadora dos Nós
O duplo ponto de exclamação acrescenta um toque de urgência e a fórmula parece funcionar, porque o Satanás deu lugar a uma pastoril e mui piedosa Nossa Senhora de Fátima.
2
08
2011
Perto de Caminha, à vista do Rio Minho e de terras galegas, fica a Serra de Arga. Numa dobra apertada da sua face norte há um pequeno mosteiro encarrapitado num socalco. É uma construção rude, de granito talhado sem preocupações artísticas – funcional apenas. Apesar de pequeno e sem muito para ver, este conjunto é muitíssimo acolhedor.
O Mosteiro de São João Baptista da Serra de Arga costuma ser conhecido apenas por Mosteiro de São João de Arga. A pequena capela, de traça românica, julga-se ser de meados do séc. XIII, e os edifícios que desenham o pátio à volta do adro, muito mais recentes, serviam para hospedar os romeiros que faziam um dos ramos do Caminho de Santiago Português.
Mosteiro de São João de Arga
Esta hospedaria que hoje fica num local ermo tem justificação para existir. A Serra de Arga, apesar de pouco imponente, representa um obstáculo importante e o mosteiro fica exactamente no vale que liga à portela mais importante da Serra.