22
12
2010
O Solistício de Inverno ocorre quando o Sol, no seu percurso aparente pelo céu, atinge a latitude austral máxima. Este dia, data oficial para o início do Inverno, marca o meio da estação fria do Hemisfério Norte. É o dia mais curto do ano em termos de exposição solar, mas o mais longo em terras austrais.
Como o calendário solar difere ligeiramente do calendário gregoriano que utilizamos, o Solstício pode ocorrer a 21 ou 22 de Dezembro. Este ano ocorre perto da meia-noite do dia 21.
Os dias, cada vez mais curtos desde o Equinócio de Verão, em Setembro, começam agora a aumentar. O Natal, festa cristã que se celebra daqui a três dias, veio ocupar a data da celebração do Solstício de cultos anteriores.
Estes cultos solares ancestrais não celebravam o Solstício de Inverno no próprio dia, como faziam com o de Verão, mas alguns dias depois devido ao próprio movimento aparente do Sol. Até ao Solstício, descia no horizonte. Na véspera, no dia e no dia seguinte, aparentava nascer e pôr-se no mesmo ponto e só no dia 24 de Dezembro era possível assegurar que o Sol retrocedia e anunciava dias mais longos, numa espécie de renascimento. A festa ocorria a seguir ao pôr-do-Sol do dia 24, portanto.
Outra teoria para a celebração do Natal na noite de 24 para 25 de Dezembro prende-se com o estabelecimento da data oficial do Solstício de Inverno, segundo calendário Juliano, no dia 25. Mas, novamente, esta data foi definida para a celebração do Natal, para se sobrepôr aos cultos antigos.
Por outro lado, o nome da festa, ainda antes de se tornar uma celebração cristã, chegou a associar o culto do Sol com a palavra Natal. No séc. III, a festa do renascimento do Sol, celebrada no Solstício de Inverno, tinha o nome de Dies Natalis Solis Invicti (tradução aproximada: dia do nascimento do Sol invicto) – a maioria dos cultos solares defendiam que o Sol renascia, invicto, todos os anos, após uma luta titânica as forças da escuridão.
21
12
2010
Nos dias de Inverno, sempre que olho pela janela e vejo as luzes amarelas dos candeeiros a piscar por entre os ramos desfolhados dos choupos, lembro-me do nome com que se apelidou o jardim Felício Loureiro – O Jardim dos Candeeiros.
Ao longo de, pelo menos, vinte e quatro anos, o espaço entre a Avenida Eng.º Duarte Pacheco e o Rio Jamor foi local de fingimento de promessas eleitorais. A cada quatro anos, no mês anterior às eleições autárquicas, máquinas vinham cortar os canaviais, abrir caminhos e valas. Certa vez, colocaram lancis ao longo do rio, demarcando talhões de formas estranhas. Como sempre, na semana a seguir à contagem dos votos, homens e máquinas abandonavam a obra, para só regressarem no final do mandato. Os caminhos que os lancis deveriam limitar nunca chegaram a ser feitos.
Nas eleições seguintes, repetiram o corte de canaviais e abertura de valas, contornando, sem grandes preocupações, os lancis que se estendiam no terreno. Plantaram largas dezenas de candeeiros verdes, a imitar ferro fundido, num terreno que pouco mais tinha que um qualquer baldio. A poucos dias da abertura das urnas, acenderam-nos todos com pompa e circunstância. Queluz tinha, finalmente, um jardim digno.
Mas as eleições foram-se e os operários também. Ficaram os candeeiros a iluminar as canas e os cardos por quatro anos. O ridículo de ter dezenas de candeeiros ao longo do rio a servir de testemunho a uma promessa eleitoral não cumprida e também de desperdício de dinheiros públicos, acabou por convencer alguém a concluir a obra. Cortaram as seis velhas oliveiras e fizeram novos caminhos, desta feita até com bancos e bebedouros. O projecto não foi dos melhores, por falta de ligação aos caminhos existentes, mas o jardim fez-se.
Jardim dos candeeiros
Mais tarde, com os ensaios de sementes a abandonarem definitivamente os terrenos ao lado dos estábulos do Palácio, o jardim foi ampliado, e mais candeeiros começaram a encher a paisagem. Durante os primeiros anos, também estes iluminaram apenas a relva seca que não sobreviveu à falta de sistema de rega. Esse esperou pelas eleições seguintes.
20
12
2010
Há dias em que me convenço de que o mundo é apenas um palco de teatro e todas as personagens estão atrás da cortina, a meia-dúzia de passos de nós, à espera da deixa para entrarem em cena, de tal modo são improváveis os reencontros com as pessoas que achamos nunca mais voltar a ver.
Ainda no meu primeiro ano em Luanda, cruzei-me com um angolano algures na Baixa, talvez no Clube de Ténis. Sei que trocámos algumas palavras, mas não me recordo se a conversa foi curta ou longa, nem sequer do tema. Sabia, isso sim, que nos separámos sem sequer conhecer o nome um do outro. Mas também é verdade que esse episódio não foi único e deixei muitas conversas interessantes interrompidas um pouco por todo o mundo.
No passado dia 16 de Dezembro fui a Lisboa, para assistir à apresentação do novo livro do historiador Carlos Pacheco. A noite estava muito fria e a apresentação começou um pouco mais tarde, pelo que os convidados se começaram a juntar dentro da livraria do Diário de Notícias, fugindo do vento gelado. A um canto da livraria, entre os livros de capas berrantes editados para quem não sabe o que oferecer pelo Natal e os livros contabilidade e esoterismo, uma cara familiar. Não fui capaz de saber ao certo de onde, mas conhecia aquela figura.
No final da apresentação, enquanto aguardávamos pela nossa vez de ter um livro autografado, acabámos por tirar as dúvidas. Conhecíamo-nos de Luanda, da tal conversa que nenhum recordava, mas desta vez trocámos os nomes. Fiquei a saber que reencontrei João Paulo N’Ganga, o jornalista que escreveu livros sobre Holden Roberto e Bonga. O mundo é mesmo pequenino.
19
12
2010
O Aerograma, para comemorar o Natal, irá oferecer um pequeno presente.
Os vinte primeiros leitores a comentar este artigo poderão escolher uma das quatro seguintes fotografias. Há cinco exemplares de cada uma para oferecer.

Do artigo Miradouro da Lua (4 exemplares)

Do artigo Noite – (esgotado)

Do artigo Ritos de Passagem – (4 exemplares)

Do artigo Final approach to Lima Uniform (5 exemplares)
Os felizardos serão contactados por e-mail, para que as fotografias lhes sejam enviadas por correio. Feliz Natal!
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12
2010
Há nichos de mercado estranhíssimos, que parecem não poder gerar quaisquer proveitos, mas o certo é que são o sustento de alguns ao longo de décadas.
À porta da estação do Rossio, desde sempre que me lembro de ver vendores de cromos, que reduzem a sua loja a duas malas cheias de autocolantes e um banco. As colecções de cromos são fáceis de começar, mas quase impossíveis de completar por causa dos últimos autocolantes, que parecem nunca aparecer nas carteirinhas. A solução é trocar os repetidos com alguém ou, se este recurso falhar, ir comprar os cromos avulso a estes alfarrabistas do autocolante.
O negócio
Há alguns anos, as cadernetas de cromos eram frequentes, mas foram desaparecendo com a mudança de modas. O imediatismo do prazer actual não se compadece com a espera pela próxima carteirinha ou com o colar o autocolante no sítio devido sem ter de ir procurar ao Google como se faz.
Seria de esperar que este negócio desaparecesse com a quase extinção das cadernetas, mas o facto é que subsistem alguns vendedores. Ainda há clientes que justifiquem os dias passados sentados a poucos metros de onde foi assassinado o Sidónio Pais.
Curiosamente, nem nos tempos áureos da profissão me lembro de os ver senão nos Restauradores e Estação do Rossio. É um nicho de mercado também com fronteiras apertadas.