Aerograma

Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

06 2008

Pormenores

Enquanto tratava de preencher todos os pequenos espaços na mala com
tudo o que vou precisar nos próximos quatro meses, uma dúvida
persistia em assaltar o meu espírito irrequieto. Será que há coisas
que posso não levar?

É que se começo a pensar em todas as eventualidades, freto um
contentor e despacho a casa toda por barco…

Para além da farmácia, com abastecimento de anti-diarreicos,
anti-eméticos, anti-histamínicos, anti-palúdicos, anti-piréticos e
anti-tudo, ainda tenho as armadilhas para as baratas, os repelentes de
mosquitos em várias formas, cores e sabores, as redes mosquiteiras
(para a cama e para a janela) e dois dispositivos de tratamento de
água (filtração e tratamento químico para 2000 litros). Só isto ocupa
um pouco mais de um quarto do volume disponível. O peso ainda não é
preocupante.

Falta ainda toda a pequena electrónica, como sejam carregadores e
baterias recarregáveis para máquinas e gadgets essenciais à vida
civilizada.

No fundo da mala já estão cinco pares de calças, uma camisa e um
corta-vento devidamente enrolados e acondicionados. Assim poupo espaço
mas quando chegar vou ter a roupa um pouco engelhada. E foi aqui que
me assaltou a tal dúvida. Será que na casa da Ingombota existe algum
ferro de engomar? Baratas há, mas vai deixar de haver; ratos parece
que já não e o mesmo se deve passar com a obstipação crónica das
sanitas; mosquitos são omnipresentes… mas e o ferro? Ou haverá
alguma epidemia de roupa amarrotada?

Julgo que semelhante instrumento exista por essas paragens, mas como
se trata de África… ou não há, ou é caro.

A ver vamos…

Acerca do autor

1

Nascido no século passado com alma de engenheiro, partiu para Angola, de onde envia pequenos aerogramas.

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