Há quem defenda que os cães de loiça são muito mais práticos que os de carne e osso que se babam e abanam o rabo. Dizem que os de loiça não sujam o jardim, não comem muito e mantém uma pose digna sem envelhecer. Por outro lado, é difícil ensiná-los a ir buscar o jornal ou outras gracinhas mais parvas.
Descobri, no entanto, que também precisam de amor e atenção. De nada serve ter um dálmata de loiça a encher-se de verdete no relvado, para isso já há os horrorosos gnomos. Um cão de loiça bem amado precisa de vir à janela apanhar sol e ver as vistas para não ficar com um ar triste.
Cão de loiça à janela
Pelo menos, é o que fazem na Rua de São Bento com um boxer de loiça.
Morar perto do centro de lazer de Queluz, o jardim dos candeeiros, tem a grande vantagem de nos trazer as atracções até à porta de casa. Os eventos maiores até os podemos apreciar da janela da sala. Temos feiras e concertos com regularidade e por vezes até espectáculos de fogo-de-artifício logo atrás da cortina de choupos que nos separa do rio.
Num destes dias, seguramente para receber o Outono com dignidade, houve um festival de fanfarras de bombeiros que nos deu música pela tarde fora. Os bombos, os pratos e os tambores marcavam um ritmo marcial que se ouvia à distância. Mais perto ouvíamos os músicos com os instrumentos mais tímidos.
Quando um negócio é obscenamente proveitoso diz que é da China, em memória de outras épocas em que de facto o eram. Agora são negócios da China quase só para os chineses, mas tem de calhar a vez a todos. O certo é que o dito persiste.
Há outra categoria de negócios que tem reputação internacional, mas por motivos piores – os negócios da Nigéria. Os nigerianos especializaram-se em contos do vigário que envolvem doses iguais de cobiça e ingenuidade por parte dos vigarizados. A história mais comum centra-se na necessidade de fazer sair uma fortuna não declarada do país sem deixar grandes rastos. Essa fortuna pertence aos herdeiros de um ditador, é um pé-de-meia amealhado com os proveitos da corrupção ou tem qualquer outra justificação descabelada que até parece plausível em África. Já ouvi histórias mais estranhas em Angola que acabei por saber serem verdade.
Os burlões vão dando corda aos papalvos e adiantam ser apenas necessário pagar algumas coisas para desencadear o processo de transferência da fortuna. A contrapartida é poderem ficar com uma grande fatia deste dinheiro. O negócio termina assim que o dinheiro para as "despesas" chega à Nigéria e os herdeiros do príncipe congolês ficam incontactáveis.
Estas intrujices vivem de uma razoável discrição para não espantar as potenciais vítimas. Apesar de enviarem e-mails e faxes (porque estas vigarices nigerianas são antigas) para muita gente, é pouco frequente fazerem-no de forma mais aberta.
Até ao dia em que descobriram as redes sociais e preferiram chegar a muitos papalvos ao mesmo tempo do que tentar contactá-los um a um.
Agora é um fartote sempre que abro a página da plataforma de serviços dedicada a África no Linkedin e descubro novas versões dos negócios da Nigéria. Os ingredientes principais estão todos lá: as contas bancárias chorudas, os lucros imensos e a necessidade urgente de investidores.
Um exemplo de associação entre selecção natural e poluição que costuma ser citado é o da cor das traças. As traças nascem com as asas de várias cores e alguém reparou que em locais mais poluídos, onde as paredes das casas ficam cinzentas com a poeira, as traças mais frequentes são também mais escuras. Pelo contrário, se há menos poeiras em suspensão, as traças claras e até mesmo brancas tornam-se mais abundantes.
Tudo tem a ver com a camuflagem, dizem. Quanto mais próximas da cor das paredes mais difícil se torna para os pássaros e outros predadores as verem – e comerem.
Traça malhada
Mas este exemplo simples perde toda a validade quando uma grande traça malhada nos entra pela janela. O que sei é que não resisti a ir buscar a máquina fotográfica.
A localidade de Montachique tem uma igreja discreta, que agora dá nas vistas porque foi pintada de novo. O contraste das paredes brancas e cunhais azuis com as ruínas cinzentas e baças suas vizinhas é demasiado grande para não se deixar de reparar.
É graças a esta nova pintura que reparamos no relógio com mostrador de pedra na torre de dois andares de foi acrescentada ao edifício original. A curiosidade pelo relógio leva-nos a descobrir que há uma inscrição que conta a história da torre e do próprio relógio.
Relógio
Montachique não teve apenas como beneméritos os contrutores de sanatórios, alguns dos quais confundidos com fortificações das linhas de torres – mas isso é outra história.
História da torre
Cerca de um século antes dos sanatórios fecharem e algumas décadas após a última Invasão Francesa falhada, o Sr. Francisco de Souza Carvalho ofereceu a torre e o relógio. Deixou a sua marca.
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