20
09
2011
Aproximadamente a meio do paredão sul do Templo de Diana, em Évora, há algumas pedras gravadas que sugerem terem sido reaproveitadas de outras construções para a reconstrução da ruína romana.

Jogo dos moinhos
Entre elas está uma com um padrão que em tudo se assemelha ao do jogo dos moinhos. Como se costumava jogar com o tabuleiro horizontal e jogadores sentados à volta, esta nova posição é sinal de uma segunda vida. Pode até ter feito parte do monumento original, mas estaria concerteza noutra posição.
19
09
2011
Durantes umas tristes décadas, os arquitectos e construtores civis tentaram continuar a tradição das casas revestidas a azulejo da forma mais barata possível. Optaram pelos catálogos de azulejos de casa-de-banho com padrões complicados e pesados. Um pouco por todo o país vemos esses horrores de azulejos serigrafados em verde e amarelo a encher as terras.
Felizmente que muitos dos bons exemplos ainda resistem e permitem que se possa apreciar como edifícios banais se tornam interessantes.
Azulejos pintados à mão
A característica que melhor os define é a sua grande variabilidade. Eram todos pintados à mão. Ao longe, o padrão pode parecer uniforme, mas de perto vemos que cada um é único, o que acrescenta toda uma nova dimensão à nossa tentativa de apreciar a obra e o trabalho envolvido.
18
09
2011
As zonas velhas das cidades não se conformam com as actuais linhas direitas que regem o planeamento urbano e a arquitectura. Não são apenas as ruas tortuosas ou as escadas que sobem e descem sem linha orientadora aparente, nem as soleiras que nunca acertam com a cota da rua, prova de que as tais escadas sobem e descem animadas por uma vida própria.
Alfama
Até as árvores que dão sombra às ruas mais largas quando as empenas não chegam para o fazer, não se conformam com as árvores idealizadas nos novos projectos. As árvores de Alfama não são como as fileiras de ridículos choupos verticais como soldados em sentido a montar guarda às fachadas dos edifícios modernos, nem como as árvores ao longo das avenidas que ostentam um corte à esquadria feito pelos autocarros. As árvores de Alfama são velhas, pequeninas e tortas. Não estão alinhadas com fachadas ou eixos de via. Estão lá e fazem tanto parte da rua como os seus moradores.
17
09
2011
A Feira da Ladra realiza-se todas as Terças-feiras e Sábados no Campo de Santa Clara, junto da Igreja de São Vicente de Fora e oficinas de fardamento do Exército. É conhecida pelas suas bancas de "antiguidades" – lixo, para os mais entendidos – e também por fazer jus ao nome e por lá se encontrarem peças roubadas.
Trastes velhos
É aqui que vêm parar grande parte dos azulejos roubados das fachadas dos prédios das zonas velhas de Lisboa. São vendidos um a um, dispersando irremediavelmente parte da memória da cidade.
Mas também por lá se vendem coisas menos tristes. Há bancas que se especializam exclusivamente em colecções de pregos ferrugentos, patins sem par e lâmpadas fundidas. Perguntar o preço de qualquer um destes artigos exclusivos é um delírio para quem gosta de uma boa gargalhada.
16
09
2011
A afamada Feira de S. Mateus, em Viseu, dura um mês inteiro e, por isso mesmo, não se limita a ter as bancas de roupa, sapatos e canários. Tem tudo o que se espera quando se imagina uma feira para além disso.
Numa ponta do recito vende-se tratores e prensas, noutra barros, panelas e atoalhados, e virados para o centro da cidade, todos os divertimentos itinerantes como os carrinhos de choque, as cadeirinhas, as montanhas russas (mais colinas russas que outra coisa) e até coisas que começam a rarear como as barraquinhas do tiro ao alvo carregadas de peluches descomunais.
Vai um tirinho
A julgar pela afluência actual, é um negócio com os dias contados. Acho que os miúdos já não sabem usar uma pressão de ar sem ser com um comando de consola. Qualquer dia os feirantes até lhes acertam as miras só para ver se alguém tira o pó aos alvos.