Aerograma

Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

30  10 2011

Pelos caminhos de Portugal: Igreja de Santa Catarina

Subi e desci muitas vezes a Calçada do Combro, mas encontrei sempre fechada a grande igreja com o campanário cheio de tirantes que fica perto da Rua de «O Século».

Há uns dias encontrei-a aberta e aproveitei para espreitar. Valeu a pena.

Orgão e coro
Orgão dourado

Felizmente que só à saída vi o aviso de proibição de fotografar. Afixado nas costas da porta, é difícil reparar nele quando se entra.


29  10 2011

Desleixo ou relíquia

Com o passar dos anos, há lojas que parecem ter ficado paradas no tempo. Os letreiros desactualizam-se, envelhecem e reduzem-se à categoria de sucata. Umas vezes por desleixo, outras por teimosia, os donos recusam-se a tirá-los da parede antes de morrerem – os letreiros ou os donos, é indiferente.

O tempo continua a sua marcha e estes letreiros que só pareciam velhos entram na categoria de antigos. Deixamos de os ver como lixo, mas sim como relíquias de um tempo que passou.

Vendem-se estampilhas e mais fórmulas de franquia de correios e telégrafos
Do tempo dos telégrafos

Os letreiros esmaltados, como os que avisam da proibição de afixar cartazes, resistem bem aos elementos e têm um ar sóbrio e discreto vindo de outra época. São os candidatos perfeitos para passarem despercebidos até se tornarem relíquias.


28  10 2011

Pormenores

As noras pararam de tirar água dos poços quando os animais deixaram de trabalhar no campo. O investimento na nora de ferro forjado esgotou-se com o abandono da agricultura. Ficaram à espera da ferrugem que as há-de comer.

Mesmo assim, tenho sempre uma certa curiosidade em ver cada uma. São todas muito parecidas, mas há pequenas variações ao desenho original, com travões ou engrenagens adicionais para evitar que os alcatruzes voltassem para trás nos poços mais fundos, ou calhas de escoamento com geometrias esquisitas.

Nora ferrugenta
Travão

Mesmo sem tirarem água dos poços, não perderam a utilidade por completo. Vão servindo para assinalar os poços abandonados que não estão murados.


27  10 2011

Moinhos e geradores

Os moinhos de vento fazem parte da paisagem da região Oeste. Cada monte tinha um ou mais exemplares. Agora têm um ou mais ruínas, salvo casos isolados.

Mas os tempos mudam e muitos partilham o horizonte com uns primos esguios que os fazem parecer anões – as eólicas. Os geradores eólicos são demasiado grandes e estão demasiado isolado para termos a verdadeira noção do seu tamanho.

Moinhos e geradores
Moinhos e primos

A percepção do seu tamanho chega-nos quando podemos compará-las com algo conhecido de escala humana. Descobrimos, com alguma surpresa, que a nacele que protege o gerador é maior que um moinho de dois andares com capelo e velas incluídas.


26  10 2011

Ordem natural das coisas

Diz o povo que todas as sogras são umas megeras que odeiam as noras. E têm verrugas. E não perdem uma oportunidade para demonstrar às comadres que as suas filhas lhes desencaminharam os seus rebentos perfeitos – mesmo que estes sejam uns grandessíssimos filhos da sogra.

Por outro lado, reza a tradição que os sogros são sempre excelentes pessoas, merecedores do paraíso pelo martírio de aturarem a sogra.

Como a sabedoria popular costuma ter um pouco de verdade, seria de esperar que a minha sogra fosse horrível. Não é. Seria de esperar que o meu sogro fosse uma excelente pessoa. É. Seria de esperar que a sogra da Cristina, que por acaso também é minha mãe, a odiasse. Não odeia. Pior que isso, juntam-se as duas a conspirar contra mim.

Sogras e noras não podem dar-se bem. Vai contra a ordem natural das coisas. É como gatos a dar-se bem com cães. Bom, já que penso nisso, também é verdade que tive um cão que se dava muito bem com a gata e tolerava que um pinto o usasse como guarda-chuva.


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