10
09
2011
Em Coimbra, no largo do mesmo nome, costumava-se realizar a Feira de S. Bartolomeu. Foi caindo no esquecimento não só porque cada vez menos gente mora no centro da cidade, mas também porque quase todos passaram a ir aos dois ou três grandes centros comerciais construídos nos últimos anos.
Também é verdade que o nome não a distinguia de nenhuma das centenas de outras feiras com nomes de santos e raízes centenárias que hoje estão conotadas com roupa contrafeita e pregões gritados bem alto.
Em seu lugar passou a realizar-se a feira das cebolas, na esperança de que uma feira de produto único traga a mesma animação que o chocolate trouxe a Óbidos. Suponho que as cebolas tenham menos atracção, mas é um pretexto como outro qualquer para depois se assistir aos ranchos folclóricos e provar alguns petiscos.
Na feira das cebolas de Coimbra
Não há muitos vendedores de cebolas, até porque o largo é pequeno, mas é curioso ver tão grandes réstias de cebolas ali alinhadas.
9
09
2011
A meio de um dia de trabalho começo a receber chamadas a torto e a direito por causa de uma falta de luz no prédio. Obrigações de adminstrador. Faltas temporárias de electricidade sempre nos afectaram. Estamos mesmo no fim da linha e se falta a montante, também ficamos às escuras. Geralmente a coisa resolve-se ao fim de alguns minutos e só torna a suceder passados uns meses.
Desta vez parecia ser mais grave. Ficou gente presa no elevador e alguém acabou por chamar os bombeiros. Com os bombeiros veio o INEM e com estes a polícia. O circo estava montado. Pelo meio veio o piquete da EDP para reparar o posto de transformação.
À medida que as chamadas se iam sucedendo, fiquei a saber do elevador, dos bombeiros e polícia, mas também das dezenas de electrodomésticos electrocutados ao longo da rua. Frigoríficos, televisores, máquinas de lavar e exaustores morreram com uma valente descarga no PT. Ao meu vizinho da frente nem a cabine de duche escapou. Na garagem, os motores dos portões não trabalham e, da primeira vez que se voltou a ligar o disjuntor, as armaduras das lâmpadas fluorescentes deram um espectáculo de arcos voltaicos.
Quanto a nós, bom, foi quase uma surpresa. Até à data, apenas uma extensão para ligar os carregadores de telefone parece ter o interruptor um bocadinho tocado. Tudo o resto estava ligado a supressores de picos que parecem ter feito o seu trabalho impecavelmente. Foi um bom investimento.
8
09
2011
A meio do Verão, na altura em que as redacções estão sem notícias porque está toda a gente de férias, circulou uma curta nota acerca de melancias explosivas na China. Ao que parece, um agricultor abusou de um acelerador de crescimento para apressar a colheita e acabou por assistir ao triste espectáculo de ter as suas melancias a rebentar por crescerem demasiado depressa. Duvido que alguma tenha explodido, mas admito que fizessem um som curioso.
Foi caso isolado, mas a míngua de notícias trouxe-o à baila. Há alguns anos, com as redacções a tentar recolher alguma coisa de útil ao invés de esperarem pelas agências noticiosas internacionais, faziam-se entrevistas a agricultores do Entroncamento acerca das suas couves galegas de quatro andares. Vai dar ao mesmo.
Tudo isto serve apenas como introdução a uma história de melancias e chineses passada em terras lusas. É que há por cá uma loja de frutas gerida por chineses que vende melancias, ou melhor, merancias.
Temos merancia e rimões.
7
09
2011
De costas para a Torre dos Clérigos ergue-se o edifício da Reitoria da Universidade do Porto. Ou talvez esteja simplesmente a voltar as costas à moribunda Praça de Lisboa.
A porta principal da reitoria está voltada para a praça dos leões, que oficialmente não se chama assim, mas todos a conhecem por este nome. Não há lá nem houve leões nenhuns. O que há é uma fonte com quatro quimeras, mas como poucos saberiam o que seria tal coisa, ficaram conhecidas pelos seus corpos de leão – as asas de águia ignoram-se.
Pavão esmaltado
Melhor ainda do que discutir as quimeras ou os leões é olhar para o outro lado da praça e encontrar um magnífico pavão esmaltado a publicitar os Armazéns Cunhas, um edifício de linhas direitas características de uma época.
6
09
2011
O Mercado do Bolhão já viu melhores dias. Poucos pregões e poucos clientes marcam os dias. Mas passar por perto e não entrar é pecado capital de quem visita o Porto.
Vinho sem rival
Mesmo que o movimento não seja muito e as hortaliças vendidas no piso superior tenham um ar murcho, a camponesa que publicita o vinho Sanguinhal sorri sempre.